Europa

Özil, enfim, foi anunciado oficialmente pelo Fenerbahçe e escreveu uma afetuosa carta de despedida ao Arsenal

Centenas de milhares de torcedores do Fenerbahçe acompanharam o voo de Mesut Özil rumo a Istambul dias atrás e qualquer veículo de imprensa cravava a transferência do meio-campista. No entanto, o clube turco esperou até este domingo para oficializar a contratação. Os Canários lançaram as primeiras imagens do armador com a camisa listrada, além de divulgarem os vídeos de boas vindas – com mais centenas de milhares de visualizações. O Arsenal, além disso, realizou sua despedida ao alemão após mais de sete anos no clube.

Özil chegou a um acordo com o Arsenal para se transferir ao Fenerbahçe sem custos e assinou com a nova equipe até 2024. O meia estava no fim de seu contrato e pesou o descontentamento por sequer ter sido inscrito nas competições desta temporada pelos Gunners. Apesar disso, o adeus foi sem ressentimentos. O Arsenal emitiu uma nota de agradecimento, com declarações do técnico Mikel Arteta e do diretor Edu Gaspar. Também postou um vídeo com lances do armador. Além disso, Özil escreveu uma carta à torcida dos Gunners em suas redes sociais.

Já o Fenerbahçe ainda não realizou um evento para apresentar Özil. O anúncio se restringiu a um vídeo falando sobre a chegada e uma coleção de mensagens feitas por antigos ídolos estrangeiros dos Canários – incluindo Alex e Roberto Carlos. O meia, apesar de participar do primeiro treino, não deu declarações oficiais como jogador do Fener neste domingo. O clube prepara um evento para a imprensa nos próximos dias, mas ainda sem uma data confirmada.

Abaixo, o texto traduzido da carta de Özil para os torcedores do Arsenal. Fica a sugestão também para a leitura da nossa matéria publicada na última quinta, falando sobre o peso da transferência e trazendo mais detalhes do negócio.

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Queridos Gunners,

Foram sete anos e meio. Quase três mil dias. É estranho escrever esta mensagem depois de tanto tempo em Londres. Desde o momento em que cheguei, senti como se fosse minha casa. Fui recebido de braços abertos por todos os funcionários do Arsenal, meus companheiros e, mais importante, pelos incríveis torcedores. Sempre serei grato pela confiança depositada em mim por Arsène Wenger em setembro de 2013. Eu cresci como adulto no norte de Londres, um lugar que posso sempre chamar de lar. Nunca me esquecerei disso.

Estar com o Arsenal por tanto tempo significou experimentar uma grande mistura de altos e baixos. Depois de mais de 250 jogos, 44 gols e 71 assistências, é a hora de finalmente deixar o Arsenal. Juntos, encerramos o jejum de nove anos do clube e trouxemos de volta as conquistas necessárias há tempos para os torcedores que tanto as mereciam.

É difícil para mim colocar em palavras o amor que eu sinto por esse clube e pelos torcedores. Como eu poderia descrever oito anos de gratidão em apenas uma carta? Por mais que eu não joguei mais pelo clube, continuarei torcendo a cada jogo. Serei um Gunner pelo resto da vida – sem dúvidas quanto a isso. Agora, mais que nunca, precisamos todos apoiar o time. Essa temporada é dura para todos os times na Premier League e é por isso que devemos apoiar o elenco atual e a comissão técnica independentemente dos resultados. Para mim, é fantástico ver alguns dos garotos de Hale End chegando à primeira equipe. Como todos sabemos, eles são o futuro do nosso clube e desejo a eles todo sucesso.

Ouvir meu nome cantado no Emirates sempre me deixará arrepiado, e as memórias que criei com essa camisa irão me acompanhar a vida toda. Muito foi escrito sobre minha passagem pelo Arsenal, especialmente nos últimos meses. O Arsenal é um clube de classe e prestígio, algo que senti a cada vez que entrei em campo. Jogadores, treinadores e dirigentes vêm e vão, mas os valores do clube e os torcedores são para sempre. Os princípios de classe, respeito e dignidade nunca devem ser esquecidos. Essa é a responsabilidade de cada pessoa no clube, para garantir que eles realizarão seu trabalho em nome desses valores.

Como eu disse, os últimos meses não foram os mais fáceis. Como todo jogador, eu quero jogar todos os minutos do meu time. Na vida, entretanto, as coisas nem sempre acontecem como esperamos ou queremos. Mas é importante olhar para o lado positivo, por isso tentarei viver sem arrependimentos e sem guardar ressentimentos. Estar no Arsenal foi mais que futebol, era sobre comunidade. Tanto quanto eu tentei ajudar em campo, também tentei ser parte da comunidade de Londres.

O norte de Londres me abraçou como um dos seus e, a cada temporada, eu embarquei em diferentes projetos para trazer felicidade a essa incrível comunidade. Embora eu esteja deixando o norte de Londres, isso não acabará. Pode ser o fim de um capítulo, mas minha conexão com esse clube incrível nunca se extinguirá. Pode ser uma despedida para agora, mas não para sempre. Aos torcedores do Arsenal ao redor do mundo: YaGunnersYa.

Mesut.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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