Europa

O diretor de futebol de 22 anos que deve muito ao Football Manager

Você passa horas jogando Football Manager? Parece um zumbi durante as madrugadas a procurar aquela promessa da Bulgária que ajudará seu time? Já imagina a mensagem “os adeptos estão a dançar nas arquibancadas” quando seu time real marca um gol? Tenha esperança na vida, meu filho, porque tanto tempo de dedicação pode trazer uma oportunidade de emprego. O exemplo é dado por Vugar Huseynzade, jovem de 22 anos que deve muito ao FM.

Nascido no Azerbaijão, o prodígio foi criado e educado na Suécia. Apaixonado por futebol, sempre frequentava estádios. E foi em uma dessas partidas, entre o FC Baku e um clube lituano, que as portas se abriram. “Conheci o presidente do FC Baku, Hafiz Mammadov. Em países como o meu, é muito especial para estudantes estudar no exterior. Então ele me disse: ‘Termine a universidade e, talvez, você será treinador no futuro’. Não pensei que fosse sério”, conta Huseynzade, em entrevista à ESPN americana.

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O garoto voltou ao Azerbaijão, mas recomeçou a vida em um escritório. “Eu nunca me imaginei trabalhando com futebol. Eu imaginava que estaria trabalhando com negócios. Quando o presidente ouviu falar que voltei, ele me contatou e me ofereceu o trabalho de gerente. Fiquei chocado no começo, mas depois aceitei. Quem não gostaria?”, afirma.

A única experiência de Huseynzade com administração esportiva até então? O Football Manager.

“Eu não acho que alguém seria capaz de conseguir um emprego só por causa do Football Manager. Mas, logicamente, isso me ajudou muito. Meu trabalho não é 100% igual ao jogo, é 50%. No FM, você é um treinador, o que não sou aqui. Sou mais um diretor de futebol, trabalhando acima do treinador. Tenho responsabilidades assinando contratos, lidando com fãs, traçando estratégias”, analisa.

Não bastasse a inexperiência, o trato com os jogadores também foi complicado para o novo gerente: “No começo, tinha problemas porque eles realmente não querem alguém tão jovem em um cargo como o meu. Eles não tomavam minhas decisões de maneira séria. Sou jovem e os jogadores geralmente são egoístas. Nunca estive em uma situação na qual tenho que manter 30 pessoas satisfeitas”.

“Eu era um daqueles caras que sempre quis estar nos vestiários antes e depois dos jogos para saber como os jogadores eram. Sempre sonhei com essas emoções, para ver como eles se sentiam depois dos jogos. No começo, tive problemas, nunca pensei que eles fosse tão emocionais. Aprendi a ser mais legal e a lidar com os erros no dia seguinte. Quando mostrei minha personalidade, minha paixão pelo trabalho, então os jogadores passaram a me respeitar mais”, complementa Huseynzade.

E não dá para reclamar do trabalho do novato: o FC Baku foi o quinto colocado no Campeonato Azerbaijano, melhor colocação nas últimas três temporadas, subindo seis posições desde a chegada do jovem. “Não considero o quinto lugar um sucesso. Estava planejando disputar as competições europeias. Essa é minha ambição, levar o FC Baku à fase de grupos da Liga dos Campeões”.

Mesmo com um trabalho real, Huseynzade não largou o vício. Sua próxima missão no Football Manager é substituir Sir Alex Ferguson no Manchester United. “Logicamente, isso não é uma vida real, mas eu continuo sentindo paixão”. Um aperfeiçoamento do trabalho que já tem rendido os primeiros frutos.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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