‘Acredito que nos esquecemos do motivo pelo qual o VAR foi introduzido’
Chefe de arbitragem da UEFA falou sobre as críticas à tecnologia e a dificuldade em avaliações subjetivas
As decisões do VAR costumam dividir opiniões. Para Roberto Rosetti, chefe de arbitragem da Uefa, a tecnologia tornou-se demasiadamente “microscópica”. Durante uma coletiva de imprensa na Bélgica, o dirigente alertou que a razão pela qual a tecnologia foi introduzida foi esquecida.
Questionado em entrevista ao “The Athletic” sobre o que queria dizer com o VAR se tornando muito “microscópico”, Rosetti fez referência a uma máquina de edição de filmes da década de 1920.
— Chamamos isso de moviola. É o seguinte: quando você assiste a uma cena em câmera superlenta, consegue perceber muitas coisas — afirmou.
Rosetti explicou que nesta temporada da Champions League houve uma média de 0,36 revisões de lances por partida. O número é o mais alto desde a introdução do sistema na competição em 2019/20, e representa o dobro do número de revisões em campo por partida em comparação com 2021/22.
Já a Premier League tem uma taxa muito menor de revisões em campo. Seriam 0,15 por partida, o que representa menos da metade da média da Champions masculina.
— Sobre a intervenção do VAR, posso dizer o seguinte: acredito que nos esquecemos do motivo pelo qual o VAR foi introduzido. Esquecemos um pouco. Em todos os lugares. Vocês se lembram, há oito anos, quando estive em Londres. Discutimos o ‘significado do VAR’, falamos sobre erros claros — declarou Rosseti.
O ex-árbitro também pontuou que, apesar da tecnologia, algumas decisões exigem interpretações e uma avaliação subjetiva e, por isso, o sistema ainda enfrenta dificuldades.

— Por que falamos sobre erros claros e óbvios? Porque a tecnologia funciona muito bem em decisões factuais. Em decisões objetivas, ela é fantástica. Para interpretações, a avaliação subjetiva é mais difícil. É por isso que começamos a falar sobre erros claros e óbvios — evidências claras — explicou.
Para o italiano, as críticas refletem um comportamento adotado pelo público. Ao ser questionado como o sistema pode ser melhorado de forma geral, Rosetti disse que a mídia desempenhou um papel na forma como está sendo utilizado.
— [A mídia] tem sua parcela de culpa, porque também pressionou por mais intervenções. Acredito que precisamos, no final da temporada, novamente em nossas reuniões, falar sobre isso. Não podemos seguir nessa direção de intervenções microscópicas do VAR, amamos o futebol como ele é. Mas agora precisamos ter cuidado com isso. Pode melhorar conversando, nos reunindo e resolvendo — reforçou.
VAR gerou polêmica entre Barcelona e Atlético de Madrid
Uma decisão controversa do VAR marcou a partida entre o Barcelona e o Atlético de Madrid durante a semifinal da Copa do Rei. Aos seis minutos do segundo tempo, Cubarsí diminuiu o placar ao completar na área um chute de Fermín López que desviou em Lewandowski.
A partida ficou paralisada por seis minutos para analisar quando exatamente foi o ponto de contato, pois a bola bate em Lewa em duas oportunidades, até vir a decisão de anular o tento, uma demora pouco usual por conta da competição contar com o impedimento semiautomático.
Quando a imagem da jogada foi mostrada na transmissão, os espectadores perceberam que a análise foi realizada da maneira anterior, traçando linhas manualmente. Só após a partida que o Comitê Técnico de Arbitragem (CTA) do futebol espanhol explicou que a tecnologia do semiautomático falhou por um problema inusitado: o excesso de jogadores. Na ocasião, após o chute de Fermín, quatro jogadores do Barcelona estavam próximos da bola, além de mais três do Atlético.
Em comunicado, o Comitê afirmou que “No decorrer da análise, foi detectado que o sistema gerou uma falha na modelagem dos jogadores por meio dos esqueletos, ao identificar uma situação de grande densidade de atletas”.
Hansi Flick e Eric García, do Barcelona, criticaram a arbitragem e que, após tomar a decisão, não deixou claro os critérios adotados que resultaram no impedimento do lance.
— Primeiro é cartão amarelo pela falta em Balde. [No gol anulado] Para mim é uma loucura demorar para resolver uma situação assim. Sete minutos, por favor! Encontraram algo para anular o gol e, além disso, não nos explicam nada. Por que é impedimento? Tentei aceitar, mas não concordo — reclamou o técnico.
García ainda acabou sendo expulso no jogo, aos 40 da etapa final, por ter feito uma falta forte em Alex Baena, que sairia na cara do gol se não fosse a infração. Ele se mostrou surpreso por esse lance ter sido recomendado a ser analisado pelo VAR e a entrada de Simeone não.
— Me parece uma vergonha que o jogo seja parado por seis minutos para decidir se é ou não impedimento tendo o sistema semiautomático. Um impedimento que não se vê. Nós já complicamos a situação e ainda acrescentamos isto. […] [Sobre a expulsão] Eu escorrego e ele também me atinge — disse o defensor.



