Europa

‘Péssimo treinador, nunca tivemos estilo de jogo’: Algoz do Brasil é detonado por ex-jogador

Segundo Nainggolan, geração de ouro belga poderia ter conquistado títulos se tivesse um treinador à altura

Em 2018, a seleção brasileira chegou à Rússia como uma das grandes favoritas à Copa do Mundo. Entretanto, o sonho do hexa foi interrompido nas quartas de final, pela Bélgica, então comandada por Roberto Martínez — que não era unanimidade no país. Entre os críticos do treinador, hoje à frente de Portugal, destaca-se Radja Nainggolan.

O meio-campista de 37 anos, com passagens pela Internazionale e pela Roma, atualmente no Lokeren-Temse, da segunda divisão da Bélgica, admitiu em entrevista ao canal de Junior Vertongen que poderia ter contribuído mais com a chamada geração de ouro belga. No entanto, ressaltou que a responsabilidade não é exclusivamente sua. Martínez, segundo ele, tem boa parcela de culpa.

— Tive pouco impacto em relação ao que poderia ter tido. Sei disso, sou honesto, mas isso não se deve somente a mim. Marc Wilmots não me levou como titular para a Euro 2016, mas no campeonato fui um dos melhores jogadores. E depois fui afastado por Martínez sem motivo. As razões dele continuam a ser uma treta para mim. Porque, na minha opinião, ele não é um especialista de futebol e é um péssimo treinador — iniciou.

— Quem diz que Roberto Martínez é um bom treinador não entende nada de futebol.

Roberto Martínez, atual técnico da seleção portuguesa
Roberto Martínez, atual técnico da seleção portuguesa (Foto: Imago)

Nainggolan reforçou que a responsabilidade pela falta de resultados não é somente dos jogadores, mas de um comando que nunca conseguiu estruturar a equipe. Segundo ele, Martínez falhou em dar à Bélgica um estilo de jogo definido, deixando que o sucesso dependesse mais da genialidade individual do que do trabalho coletivo.

— Um bom treinador é alguém que dá uma ideia a equipe. E, com Martínez, a Bélgica nunca teve uma ideia. Quando estávamos em dificuldades, a solução vinha da qualidade individual de jogadores como De Bruyne, Eden Hazard ou Romelu Lukaku. Mas, na verdade, nunca tivemos um estilo de jogo. E essa é a pura verdade.

Como foi o trabalho de Roberto Martínez na Bélgica

A passagem de Roberto Martínez pela seleção belga foi marcada por grandes expectativas e momentos históricos, como a melhor campanha do país em Copas do Mundo, em 2018 — terceiro lugar. Contudo, a dificuldade em transformar o talento da equipe em conquistas e a eliminação precoce na Copa de 2022 comprometeram seu legado, gerando avaliações contraditórias sobre seu trabalho.

Nainggolan foi enfático ao apontar falhas mais profundas do treinador. Para ele, Martínez priorizava a comunicação com a imprensa e a aparência de sucesso, mas não exercia autocrítica nem ajustava o time às necessidades dos jogadores.

— Martínez era bom na comunicação com a imprensa, dizia que os jogos eram sempre bons. Nunca havia nada que pudesse ser melhorado. É preciso ser autocrítico e ele nunca fez isso. De Bruyne passou a jogar na ala direita, quando queria jogar no meio-campo, mas o treinador exigiu isso. Não sei se ele discutia certas coisas com os jogadores.

Nainggolan durante treino da Bélgica com Roberto Martínez ao fundo
Nainggolan durante treino da Bélgica com Roberto Martínez ao fundo (Foto: Imago)

— De qualquer forma, nunca me chamou para conversar, porque não gostava de mim. Acho que a Bélgica poderia ter conquistado troféus se alguma vez tivesse investido num bom treinador.

Roberto Martínez, que assumiu o comando da seleção de Portugal no início de 2023, esteve à frente da Bélgica em 114 partidas, acumulando 80 vitórias, 19 empates e 15 derrotas. Ele levou os Diabos Vermelhos ao terceiro lugar da Copa do Mundo de 2018 e às quartas de final da Eurocopa 2020.

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.

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