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Pelo mesmo recorde, o homem ganha carro, a mulher, nada

Anders Svensson foi recompensado pela Federação Sueca com um Volvo novinho em folha, nesta terça-feira, em cerimônia de gala da entidade, por ter quebrado o recorde de maior número de jogos com a camisa da seleção: 146. Até aí, nada de errado. O problema é que, presente na mesma festa, estava Therese Sjögran, recordista de jogos pela seleção feminina, com 187 no total. Qual a homenagem à jogadora? Nenhuma. Coube a ela apenas assistir as congratulações ao colega de profissão.

Não precisa ser um diretor de recursos humanos para perceber que há uma clara desigualdade na forma de premiar os dois profissionais. Claro, houve chiadeira: companheiras de seleção de Sjögran queixaram-se em redes sociais e foram acompanhadas por outros usuários. A desculpa da Federação Sueca foi a mais esfarrapada possível: afirmaram que pretendiam homenagear a jogadora, mas que ela ainda está em atividade, enquanto Svensson deverá se aposentar após a Copa.

Inicialmente, Sjögran estava recusando dar declarações sobre o ocorrido, mas acabou reconhecendo o descontentamento com a federação: “Não é pelo carro em si, é a maneira como eles fizeram. Se o homenagearam, deveriam me homenagear também”. Óbvio!

Agora a federação sueca ficou com um mico na mão. Dar a Sjögran um prêmio equivalente ao de Svensson é justo, mas o constrangimento pela desigualdade de tratamento é irreversível.

Foto de Leo Escudeiro

Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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