Maicon revisita carreira na Europa, revela maior rivalidade e exalta técnico ex-Santos
Zagueiro de 37 anos conta histórias inusitadas da sua trajetória no Porto e surpresas vividas na Turquia e Arábia Saudita
Maicon passou uma década fora do Brasil. Foram títulos em todos os passos, na Europa e até mesmo na Arábia Saudita — em um momento em que poucos faziam esse movimento. Foi destaque em Porto, Galatasaray e Al-Nassr.
Agora, finalmente conseguiu um título no futebol brasileiro, conquistando a Série B com o Coritiba. Foram diversas tentativas antes: God of Zaga passou por São Paulo, Cruzeiro, Vasco e Santos.
O casamento bem sucedido com o Coritiba já foi assunto do zagueiro com a Trivela anteriormente, bem como seu futuro. Mais do que isso, Maicon também refletiu sobre o seu passado e o orgulho que tem ao contar todos os seus passos à reportagem, em entrevista exclusiva.
O Maicon ‘europeu’: fã de Jesualdo e com boas memórias do Porto
Antes de voltar ao Brasil, em 2016, para uma passagem importante no São Paulo, foram quase oito anos de muito sucesso em Portugal. Entre os 11 títulos que conquistou no Porto está um tricampeonato consecutivo da Liga Portugal e uma Europa League. Dois deles sob o comando de Vítor Pereira, depois de uma tríplice coroa com André Villas-Boas.
O técnico que mais o marcou? Nenhum dos dois. Foram os ensinamentos de Jesualdo Ferreira, que comandou o zagueiro em sua primeira temporada, que ficam com ele até hoje.
“Eu não o vejo somente como um treinador, mas é um cara que ele ensina você a ser jogador de futebol. Ele te ensina a se posicionar, como você deve marcar. Para mim ele é o número um. De tudo que eu aprendi no futebol, aprendi muito com ele em um ano de convívio no Porto”, conta Maicon.

Os elogios, claro, também passam por quem o sucedeu. O zagueiro lembra com carinho dos quatro títulos vencidos com Villas-Boas, hoje presidente do Porto, e os outros com Vítor Pereira. E rasga elogios a Julen Lopetegui, com quem também foi campeão.
“Villas-Boas foi um treinador que, de cinco títulos disputados, nós ganhamos quatro. Vítor Pereira é um outro grande treinador, tive a felicidade de ser campeão com ele. Lopetegui também, um treinador de seleção, que chegou a representar o Real Madrid. Todos os treinadores que eu peguei na Europa, sempre aprendi um pouquinho de cada“.
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Futebol português ou brasileiro: o debate da década
E mais do que os treinadores, Maicon fala com empolgação de como o futebol português é avançado taticamente em comparação com o brasileiro, principalmente no que diz respeito ao entendimento dos atletas. “O nível é muito alto. O português é um futebol que, taticamente, sai na frente do brasileiro, não tem dúvida nenhuma“, pontua.
Maicon viveu os dois intensamente. Foi de jovem promessa a zagueiro consolidado e destaque no Porto. No São Paulo, chegou com status de referência e foi crucial para as chances da equipe na Libertadores de 2016, apesar do fim trágico.
Para ele, no entanto, não há dúvida: os lusitanos estão à frente. “O futebol português cresceu muito. Lá, tem um nível de competição muito grande”, ressalta o defensor — que rechaça a ideia de uma liga de poucos times.
🚨 Entrevista exclusiva
Líder do Coritiba, Maicon anseia por última chance de ouro na carreira
O 'capitão nato' dosa experiência com mentalidade positiva para ser o espelho do Coxa Branca
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— Trivela (@trivela) November 9, 2025
“Porto, Benfica, Sporting, Braga, Vitória de Guimarães, por exemplo, são clubes que jogam Liga Europa, Champions League. Então, são clubes sempre inseridos no contexto do futebol mundial”, reforça.
Por outro lado, há luz no fim do túnel. Para ele, o futebol brasileiro tem mudado. Segundo Maicon, está perdendo o conceito de ser um futebol apenas limitado à qualidade dos atletas, “porque a gente a qualidade brasileira não se discute”, mas que taticamente tem evoluído.
Surpresa na Turquia e Arábia Saudita ‘subestimada’
Maicon teve um breve hiato em sua passagem no futebol europeu quando vestiu as cores do São Paulo por um ano e meio. Foi um período que lembra com carinho, apesar do pior momento, quando foi expulso diante do Atlético Nacional, na semifinal da Libertadores. Fala brevemente sobre a chateação, mas sem rancor.
O ânimo cresce, no entanto, quando o assunto é o futebol turco. A algazarra dos clássicos e o futebol pegado foram estereótipos confirmados pelo zagueiro, que defendeu o Galatasaray: “Eu me surpreendi com a Turquia“.
Ele lembra dos milhares de torcedores que o receberam no aeroporto e coloca a experiência como algo surreal, vinda de “pessoas extremamente loucas e apaixonadas por futebol”:
“O clássico entre Galatasaray e Fenerbahçe é algo de outro mundo. Coloco entre os maiores clássicos que eu já disputei, sem dúvida. Ali é um outro nível de de amor. Eu não poderia terminar minha carreira sem ter passado por um lugar tão legal assim. Foi um dos momentos que mais me encheu de orgulho na carreira”.

Um ano e meio depois, veio o fim da passagem do zagueiro pela Europa. Mas ainda não estava pronto para voltar: quis conhecer a Arábia Saudita. E defende de forma decidida o futebol e a cultura árabe.
Rechaçando a ideia de “ir para a Arábia para ganhar dinheiro”, Maicon lembra que, ainda em 2019, antes do “boom” iniciado pela ida de Cristiano Ronaldo, o campeonato era muito competitivo e repleto de jogadores de seleções.
“Foi um lugar que amei ter jogado, fui muito bem recepcionado lá na no Al-Nassr. Os árabes tem um amor tremendo por futebol, principalmente por brasileiros“, conta o defensor. No atual time de CR7, ele jogou ao lado de outros compatriotas como Petros, Giuliano e Anderson Talisca.
E para quem viveu alguns dos maiores clássicos do futebol mundial, Maicon tem seu veredito. A surpresa do futebol turco ficou no seu coração, mas, para ele, o grande clássico português ainda está na frente.
“Porto e Benfica, sem dúvida nenhuma (é o maior). Galatasaray e Fenerbahçe, Vasco e Flamengo, São Paulo e Corinthians. Nessa ordem“, completa o zagueiro, pensativo.



