‘Por isso continuo’: Líder do Coritiba, Maicon anseia por última chance de ouro na carreira
Em entrevista exclusiva à Trivela, Maicon fala sobre o que pode ser sua última chance de título no Brasil e o que pensa para o pós-carreira
Aos 37 anos, Maicon é um capitão nato. Basta bater o olho para perceber: um olhar sério, fala imponente e postura de líder. A característica que o rendeu a alcunha de “God of Zaga“, no entanto, nem sempre o acompanhou. Principalmente aos 19 anos, quando deixou o Brasil e foi para o futebol português.
O garoto que saiu do Cruzeiro em 2008 para o Nacional e, um ano depois, chegou ao Porto, trilhou uma carreira de sucesso na Europa. São 16 títulos na carreira — mas, até o momento, nenhum no Brasil. Em entrevista exclusiva à Trivela, o defensor expôs a sua ânsia para acabar com a espera vestindo a camisa do Coritiba.
“Eu deixo bem claro: eu tenho 37 anos. Não falo que é o fim, mas eu estou muito próximo do fim da carreira de jogador de futebol. Pode ser que essa oportunidade que nós estamos tendo hoje não venha a acontecer no futuro. É uma oportunidade de ouro”, começa Maicon.
O zagueiro atendeu a reportagem sentado à frente de prateleiras repletas de livros e certificados dos cursos que fez — de gestão e até de treinador. Foi apenas um indício de uma conversa que passaria por todo o seu sucesso internacional, suas maiores influências, os motivos do sucesso do Coritiba na Série B e o que planeja para o futuro.
A chance de ouro de Maicon no Coritiba
O sucesso veio por onde passou na Europa e até no Oriente Médio. Foram títulos por Porto, Galatasaray e Al-Nassr — 16 no total. Teve um “quase” no São Paulo e algumas frustrações em passagens por Cruzeiro, Santos e Vasco. Mas a expectativa é que, no Coritiba, a história seja outra.

E está muito perto. Maicon é o líder do líder da Série B. Sem ele, inclusive, o time não tem a mesma consistência defensiva que tem sido a chave da campanha que está a poucos passos do título e do acesso à Série A.
Até a 35ª rodada da Segundona, a média de gols sofridos pelo Coritiba é de 0,6 por jogo (21 gols sofridos no total). Nos 29 jogos em que Maicon atuou, a média cai para 0,41 (12 gols sofridos). Essa é a melhor da carreira do zagueiro. Além disso, o Coxa Branca não sofreu gols em surpreendentes 18 dos 29 jogos com o God of Zaga em campo.
O motivo? Para o veterano, é direto: trabalho e mentalidade positiva. À Trivela, Maicon revela que, para os mais velhos, há o estigma de que mais ajuda fora de campo do que dentro dele. Mas ele faz questão de ser o espelho em todos os momentos — e atribui grande parte do seu próprio sucesso ao seu companheiro de zaga, Jacy:
“Eu encontrei um companheiro de zaga que que me completa. Eu até brinco com ele: ‘Olha, eu vou só no atalho, você vai correr para mim’. E ele fala: ‘Você não vai sair de maneira alguma. Só se posiciona, que eu corro por você, eu que eu faço o trabalho sujo’. Para mim, ele é um dos melhores zagueiros da Série B”.
A oportunidade do primeiro título no Brasil vem nos últimos estágios da carreira e em um cenário menos badalado do que Maicon esteve acostumado a viver. Por outro lado, trata de colocar a Série B para cima — ainda mais a atual edição, em que os sete primeiros colocados ainda tem chance de troféu.
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E o “pulo do gato” do Coritiba foi o entendimento geral dos atletas. Para além dos elogios ao trabalho de Mozart e como todo o time tem feito um ótimo trabalho defensivo, o veterano coloca a mentalidade de “saber jogar a Série B” um fator determinante para o sucesso do Coxa.
“Todos os jogadores entenderam como é jogar uma Série B. É um jogo muito disputado, de duelo, de cruzamento. Então quando você tira a possibilidade do adversário ficar cruzando, ou quando você não tira os zagueiros de dentro da área, facilita. Porque o nosso melhor é no jogo defensivo aéreo”, pontua.
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Depois do (possível) ‘primeiro’ título: qual o futuro de Maicon?
Ganhou, parou? Animado, mas sério, Maicon não quer colocar metas nem prazos na sua carreira. Quer ir até onde aguentar, mas sem comprometer a qualidade do seu futebol nem da sua vida.
Ele revela à reportagem que o plano é, sim, ficar no Coritiba para 2026. Emprestado pelo Vasco, o zagueiro tem contrato no clube carioca até o fim dessa temporada — ou seja, pode assinar “em definitivo” com o Coxa em janeiro.

“Minha intenção e da minha família é de permanecer. A gente vai sentar, conversar e ver o que é melhor para os dois lados (depois da Série B). Não só para mim, como o lado do Coritiba também, mas eu já deixei bem claro que a minha intenção é de permanecer”, diz o zagueiro à Trivela.
Ele ainda fala como se preocupa com a preparação física para o ano que vem. Mesmo que em nenhum momento cite o cansaço, entende que serão 38 anos pesando um pouco mais as pernas, em uma Série A que, segundo o próprio, representa um grande salto de qualidade técnica e de concentração. Mas o plano é, evidentemente, continuar em campo.
Mas os próximos passos para além do futebol também já foram dados. Os certificados que aparecem junto aos livros de sua prateleira são registros disso:
“Eu tenho feito os meus cursos de gestão de futebol. Quero fazer o de executivo, vou fazer sim a Licença B (de treinador da CBF), mas é um futuro muito incerto ainda. Pretendo ingressar em outros cursos para que, quando eu parar de jogar futebol, esteja preparado para outros cenários”.
O HOMEM É BRABO! É O GOD OF ZAGA DO VERDÃO! ⚔️
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A pista não foi muito maior do que isso. Apesar do carinho na fala sobre Jesualdo e na intenção de tirar a licença de treinador, não pareceu cravar uma transição God of Prancheta, por exemplo. Fato é que Maicon se prepara como Kratos, personagem do jogo “God of War”, para as batalhas que vêm por aí, e o ânimo quase juvenil de buscar um título ainda é o principal:
“A vontade que eu tenho (de ser campeão) é a mesma desde quando eu comecei a jogar futebol. Eu acho que é por isso e que eu ainda continua jogando futebol”.



