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A torcida empurrou e o Frankfurt completou uma difícil missão para seguir sua grande história na Liga Europa

O Eintracht Frankfurt possui uma tradição respeitável nas competições europeias. Vencedoras da Copa da Uefa em 1980, as Águias também foram coadjuvantes na lendária decisão da Copa dos Campeões de 1960. Somam 21 aparições nos torneios da Uefa e esta era a décima ocasião em que ficavam ao menos entre os oito melhores. Ainda assim, dava para sonhar mais alto. Dava para querer mais, no maior sucesso do clube além das fronteiras desde 1995. Grande símbolo na caminhada do Frankfurt, a torcida seguiu fechada com o time e promoveu outro belíssimo espetáculo na Commerzbank Arena. Aguardava uma reviravolta contra o Benfica, o que realmente se concretizou. Apesar da derrota por 4 a 2 no Estádio da Luz, quando jogaram com um a menos durante quase todo o tempo, os germânicos arrancaram o necessário triunfo por 2 a 0 e avançaram na Liga Europa pelos gols fora de casa. Pela quinta vez em sua história, a primeira justamente desde a conquista de 1979/80, a agremiação está em uma semifinal continental.

Antes que a bola rolasse, como se tornou tradição nesta Liga Europa, a torcida do Eintracht Frankfurt promoveu um verdadeiro show. As arquibancadas pareciam vivas em meio ao mosaico criado pelos anfitriões, com bandeiras tremulando e as mensagens de apoio motivando o time. Em campo, os jogadores não demoraram a corresponder. Se o Benfica adotava uma postura cautelosa demais, preferindo se fechar na defesa, os germânicos aproveitavam a deixa e avançavam no ataque. A trinca ofensiva formada por Ante Rebic, Luka Jovic e Mario Gacinovic incomodava bastante, embora o primeiro gol tenha vindo através de outro destaque, Filip Kostic. Aos 36 minutos, Gacinovic carimbou a trave e o ala aproveitou o rebote para vencer o goleiro Odisseas Vlachodimos. O camisa 10 aparecia impedido, mas a arbitragem não assinalou a infração – o VAR só será usado na final da competição. Revoltado, o técnico Bruno Lage terminou expulso por suas reclamações.

Diante da situação limítrofe, o Benfica sairia mais ao jogo na volta do intervalo e ameaçaria os anfitriões. No entanto, o Frankfurt voltou a responder e, depois de outro ótimo lance de Gacinovic, anotou o gol da classificação aos 22 minutos. Rebic ajeitou a bola na meia-lua e Sebastian Rode apareceu sozinho para bater de primeira, em chute forte, no canto da meta de Vlachodimos. Nos minutos finais, o Benfica ainda tentou partir ao abafa e buscar o gol que revertesse o cenário, mas o desespero atrapalhava. De qualquer maneira, a torcida na Commerzbank-Arena precisou prender a respiração. A cinco minutos do fim, Eduardo Salvio completou um cruzamento da esquerda e carimbou o pé da trave. Apesar da insistência dos encarnados, Kevin Trapp manteve a sua meta invicta. Completou mais um capítulo nesta trajetória espetacular dos germânicos.

Assim que o apito final soou, a torcida do Eintracht Frankfurt se amontoou na beira do campo. Aguardava-se uma enlouquecida invasão de campo, mas, talvez temendo as punições da Uefa, os anfitriões se contiveram. Não foi isso, porém, que diminuiu a explosão dos jogadores dentro da campo, antes que eles caminhassem até a beira do campo e recebessem os cumprimentos dos torcedores. Fase após fase, as Águias relembram sua grandeza continental e batem camisas pesadíssimas. Exceção feita ao Apollon Limassol, todos os adversários superados pelo clube alemão até o momento possuem ao menos um título nos torneios da Uefa. Já ao Benfica, ficou a frustração por aquilo que escapou entre seus dedos. Na saída de campo, os jogadores reclamaram bastante com a arbitragem por causa do primeiro gol – uma marcação difícil, mas ainda assim errada.

O Chelsea será a pedreira no caminho do Eintracht Frankfurt nas semifinais, o adversário com o elenco mais estrelado que os alemães enfrentarão nesta campanha. Todavia, por tudo o que as Águias já aprontaram até o momento, os Blues não metem medo. Os ingleses não vêm em boa fase, diferentemente dos alemães, que parecem se transformar nestes jogos grandes. Além de possuírem jogadores de enorme qualidade, que logo devem gerar lucros à agremiação, o Frankfurt também combina eficiência e competitividade. Virtudes impulsionadas por uma torcida apaixonada, talvez a grande história da Liga Europa. Merecem as alegrias que a equipe vai proporcionando, ainda mirando a classificação à Champions através da Bundesliga. Tende a ser um final de temporada memorável na Commerzbank Arena.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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