Europa

Novo técnico da Polônia adota perfil conciliador e quer repatriar estrelas antes da Copa

Além de Lewandowski, Jan Urban quer trazer goleiro de 35 anos e companheiro do camisa 9 de volta à seleção

O novo comando da seleção da Polônia tem mostrado traços de reconciliação com Jan Urban. O novo treinador já anunciou publicamente que gostaria de contar com o retorno de Robert Lewandowski, que renunciou à seleção após perder a braçadeira de capitão e declarou que não jogaria pela seleção enquanto Michal Probierz fosse o treinador.

De acordo com o jornal “A Bola”, Urban deve viajar a Barcelona nos próximos dias para conversar com Lewandowski, com o objetivo de fazer com que o astro retorne à seleção, para disputar a fase de qualificação para a Copa do Mundo de 2026.

Entretanto, a ida para a Espanha não terá como único motivo a conversa com o craque do Barcelona. O periódico também informou que Urban tentará dialogar com Wojciech Szczesny, velho conhecido e companheiro de seleção do camisa 9.

Há um ano atrás, o goleiro anunciou a aposentadoria do futebol profissional quando não teve o seu contrato renovado com a Juventus, após sete temporadas. Mas retornou aos gramados com o convite do clube catalão após a lesão grave de Ter Stegen.

FC Barcelona v Villarreal CF – La Liga EA Sports
Wojciech Szczesny e Robert Lewandowski no Barcelona (Foto: IMAGO / NurPhoto)

Apesar de reserva no Barcelona, a atuação de bom nível convenceu não apenas a equipe espanhola, rendendo contrato por mais duas temporadas, como chamou a atenção do treinador polonês para tentar uma nova investida no goleiro, visando o seu retorno.

— A vida apresenta-nos diferentes cenários, por isso temos de estar preparados para tudo. Perguntei-lhe se queria voltar à seleção, sim, mas ele disse que não — afirmou Urban em janeiro.

A última vez em que Szczesny defendeu a Polônia foi na fase de grupos da Eurocopa de 2024, em que foram eliminados, em último lugar. Desde então, o goleiro Lukasz Skorupski, do Bolonha, assumiu a titularidade.

Crise entre Polônia e Lewandowski

A crise entre a seleção da Polônia e Robert Lewandowski vinha se arrastando desde o início do ano, quando o centroavante optou por descansar em uma partida contra Malta, gerando insatisfação entre os companheiros.

A situação escalou até se tornar insustentável nos bastidores da seleção. Em seguida, o camisa 9 optou por não participar dos compromissos da seleção na Data Fifa realizados no mês de junho. 

O atacante alegou que não estava em condições físicas nem mentais para defender o time nestes jogos. Em publicação nas redes sociais, Lewandowski explicou a sua decisão.

“Considerando as circunstâncias e a perda de confiança no técnico da seleção polonesa, decidi renunciar a jogar pela seleção até que ele não seja mais o treinador. Espero poder jogar novamente para os melhores fãs do mundo.”

Segundo informações do jornal espanhol “Sport”, que cita o site polonês “Meczyki”, a tensão entre Lewandowski e o técnico teria se agravado após o duelo contra Malta, quando o jogador criticou colegas e o treinador no vestiário, o que teria causado grande desconforto no grupo.

Robert Lewandowski em atuação pela seleção da Polônia (Foto:
IMAGO / ZUMA Press Wir
e)

Dias depois, Probierz decidiu retirar a braçadeira de capitão de Lewandowski e entregá-la a Piotr Zielinski, decisão que teria sido aplaudida pelos jogadores durante a concentração. Ainda segundo o jornal, parte do elenco considera o veterano atacante uma influência negativa no ambiente.

A reviravolta veio ainda em seguida. Apesar da repercussão do rompimento, a Federação Polonesa de Futebol (PZPN) sinalizou que manterá o apoio a Michal Probierz, com a posição de que nenhum jogador está acima da seleção nacional, independentemente de sua trajetória ou importância histórica.

Contudo, quatro dias após a declaração de Lewandowski, o técnico Michal Probierz renunciou ao cargo.

— Cheguei à conclusão de que, na situação atual, a melhor decisão para o bem da seleção nacional será minha demissão do cargo de técnico. Desempenhar esta função foi a realização dos meus sonhos profissionais e a maior honra da minha vida — declarou o ex-treinador.

Pela seleção da Polônia, Lewandowski soma mais de 150 jogos e 82 gols, se tornando o maior artilheiro do país.

Foto de Carol Guerra

Carol GuerraRedatora de esportes

Jornalista formada pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), com passagens pelo Globo Esporte, Jornal do Commercio e Diario de Pernambuco. Apaixonada por futebol feminino e esportes olímpicos.

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