Europa

O ensinamento do mentor Guardiola que pode salvar Xabi Alonso de queda no Real Madrid

Treinador do Manchester City pode decretar demissão de pupilo após duelo pela Champions League nesta quarta (10)

Real Madrid e Manchester City se enfrentam nesta quarta-feira (10) pela Champions League, no Santiago Bernabéu. O duelo marca o primeiro encontro entre Pep Guardiola e Xabi Alonso em que ambos estão como técnicos.

Esse será mais um confronto de “mestre x discípulo” para Pep. Alonso falou diversas vezes ao longo dos anos sobre como o catalão o influenciou, principalmente quando trabalharam juntos no Bayern de Munique, onde o basco ainda atuava como jogador.

Agora, no entanto, é possível que o treinador do City seja o responsável pelo último jogo do seu ex-meio-campista no comando do Real Madrid, dada a imensa pressão que tem sofrido após os recentes resultados ruins do time merengue.

A história de admiração entre Pep Guardiola e Xabi Alonso

Quando jogador do Real Madrid, no início dos anos 2010, Alonso teve grandes embates com o Barcelona de Guardiola. Aquele foi seu primeiro contato com o treinador, inicialmente como rival.

Em 2014, no entanto, trocou a Espanha por Munique e, no Bayern, começou o capítulo da sua trajetória como jogador que o moldaria no futuro. Foram dois anos trabalhando com Pep na Alemanha que renderam diversos elogios do meio-campista.

Xabi Alonso e Guardiola pelo Bayern de Munique em 2016
Xabi Alonso e Guardiola pelo Bayern de Munique em 2016 (Foto: Imago)

Pode parecer fácil, mas eu te digo, não é fácil (jogar como o Bayern) porque você sabe que Pep está realmente à frente de seu tempo. Ele é muito exigente consigo mesmo e com seus jogadores”, disse Alonso em 2016, seu último ano com o treinador, em entrevista ao “Goal”.

O estilo de jogo clássico do catalão, de grande controle de bola e paciência, foi completamente abraçado pelo então volante. Já nos últimos estágios da carreira, Alonso virou o ritmista do Bayern e em diversos jogos chegou a ser zagueiro, tamanha a importância de controlar o jogo desde a defesa.

Eu não acho que vamos mudar (o estilo arriscado). Temos uma ideia bastante clara de como temos jogado nos últimos anos. Ganhar ou perder, vamos ficar com a mesma ideia porque é assim que sentimos que estamos indo bem”, reforçou o meio-campista na época.

Essa ideia claramente foi passada adiante. Como técnico, Xabi Alonso encantou o mundo com seu Bayer Leverkusen que jogava exatamente assim: grande controle da posse, um time que progredia junto e sufocava o adversário no seu próprio terço, com grande ênfase nas dinâmicas entre meias e pontas. Um ensinamento que certamente alonso quer utilizar para reverter a crise atual no clube merengue

Mesmo com o fim de sua passagem no Bayern, Guardiola seguiu sendo elogiado pelo volante — que, quase que em forma de presságio, reforçou como o Manchester City poderia sofrer uma revolução com o novo treinador.

“Ele quer dar aos jogadores as ferramentas para serem melhores. Parte disso é a antecipação do que vai acontecer no jogo. Ele quer que você pense mais sobre o jogo. Ele me ensinou muito em dois anos e faz você entender ainda mais sobre futebol. Aprendi muito com ele e se os jogadores do City tiverem a mente aberta e ouvirem Pep, eles aprenderão jogando sob ele também e se tornarão melhores jogadores por trabalharem para ele”, disse ao “Telegraph”, em 2016.

Pep visualizava a jogada antes acontecer e te diz, ‘Isso vai acontecer’. E depois acontece. E ele acrescenta: Isso vai acontecer, tem que fazer isso’. Você faz e realmente acontece”, disse Alonso em 2020, em entrevista ao jornalista Ángel García. A admiração foi constante desde que se cruzaram.

- - Continua após o recado - -

Assine a newsletter da Trivela e junte-se à nossa comunidade. Receba conteúdo exclusivo toda semana e concorra a prêmios incríveis!

Já somos mais de 4.800 apaixonados por futebol!

Ao se inscrever, você concorda com a nossa Termos de Uso.

Por que Guardiola pode derrubar Alonso do Real Madrid

Quando Guardiola convenceu Alonso a deixar o Real Madrid em 2014 para assumir o meio-campo do Bayern, deixou claro que via no espanhol alguém com potencial para se tornar treinador. Mas agora, às vésperas do encontro pela Champions, Alonso encontra o clube atolado em problemas:

A iminência de crise se deve também ao ambiente interno. Alonso sabe que trabalha em um clube cujo presidente, Florentino Pérez, nunca foi adepto da paciência.

Xabi Alonso, técnico do Real Madrid
Xabi Alonso, técnico do Real Madrid (Foto: Imago)

Não seria surpresa que um tropeço diante do City reacendesse especulações sobre seu futuro, ainda que Alonso mereça tempo para reconstruir o elenco e implementar suas ideias. A imprensa espanhola, inclusive, tem colocado o jogo da Champions como o definidor do futuro do ex-volante.

A comparação entre o Madrid e o City é inevitável, especialmente porque Guardiola, ao assumir o clube inglês em 2016, recebeu um pacto de paciência que jamais existirá no Bernabéu. Ele ganhou a liberdade para remodelar o grupo, impor ideias e trabalhar a longo prazo. O resultado: transformou o clube em uma potência europeia construída com método.

Alonso, por outro lado, encontra um elenco irregular, debilitado por lesões e excessivamente dependente de Kylian Mbappé, que jogará pressionado por um retrospecto incômodo: o Madrid venceu só duas vezes em 21 jogos quando o francês não marcou. Há ainda problemas recorrentes de pressão mal executada, desatenção defensiva e um Bernabéu cujo gramado virou obstáculo.

Para piorar, alguns jogadores parecem pouco convencidos da proposta do treinador — algo que Alonso já diagnosticou como um risco. “Eu posso ter uma ideia fantástica, mas se o time não a abraçar, será muito difícil torná-la eficaz”, disse no início da temporada.

Manchester City, Haaland, Mbappé e o peso do momento

O City também carrega seus dilemas, mas chega mais estável ao duelo. E Guardiola conhece como poucos o poder de transformar fragilidades do rival em roteiro de classificação.

O duelo também coloca frente a frente Mbappé e Haaland, protagonistas globais que se enfrentarão novamente na fase de grupos da próxima Copa do Mundo. Para o Madrid, o francês precisa ser decisivo; para Alonso, ele é a peça que pode dar ao time o mínimo de respiro dentro do caos.

O problema é que o caos, hoje, parece maior que o time. O reencontro entre mestre e pupilo deveria ser um marco. Mas, para Alonso, virou mais um exame decisivo — talvez o mais importante desde que chegou ao Bernabéu.

Foto de Guilherme Ramos

Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo