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Grupos de torcedores criticam Superliga Europeia: “Esquema impopular, ilegítimo e perigoso”

Grupos de torcedores dos maiores clubes da Europa fizeram um comunicado coletivo se colocando fortemente contra a ideia de uma Superliga Europeia, que reuniria os maiores e mais ricos clubes do continente. O Football Supporters Europe (FSE, Torcedores de Futebol da Europa, que divulgou o comunicado) elogia os comunicados recebtes de Uefa, ligas europeias, União Europeia e outros órgãos que se mostraram contrários à ideia.

“Nós estamos todos unidos na oposição à criação de uma Superliga europeia – um esquema impopular, ilegítimo e perigoso aos olhos da grande maioria dos torcedores. Isso destruiria o modelo europeu de esporte, que é baseado normalmente em princípios como mérito esportivo, promoção e rebaixamento, classificação para competições europeias via sucesso doméstico, e solidariedade financeira. No processo, também prejudicaria as bases econômicas do futebol europeu, concentrando ainda mais riqueza e poder nas mãos de cerca de uma dúzia de clubes de elite”, diz a nota da FSE.

“Nós reconhecemos que o esporte precisa desesperadamente de uma grande reforma. Mas as propostas para isso devem reviver o equilíbrio competitivo nos torneios europeus, proteger as ligas domésticas, promover os interesses dos torcedores e encorajar uma distribuição de receitas mais justa. Uma Superliga Europeia não atingiria nenhum desses objetivos, pelo contrário”.

“Uma Superliga reduziria ainda mais as competições domésticas, exacerbando as desigualdades existentes dentro e entre as ligas – em parte, adicionando mais jogos europeus a um calendário já congestionado e dando aos clubes mais ricos uma vantagem ainda maior por meio do aumento da receita. Nós nos preocupamos acima de tudo com o desempenho de nossos clubes nas ligas e copas nacionais. Nós nos recusamos a deixá-los se tornarem competições de segunda classe. Queremos fortalecê-los, não os enfraquecer”.

“O atual modelo econômico do futebol europeu é profundamente falho. Alguns clubes estão inundados de dinheiro, enquanto um número significativo tem muito pouco e, em muitos países, o jogo de base oscila à beira do colapso. Uma Superliga tornaria esta situação muito pior, permitindo que grandes clubes monopolizassem os lucros e pondo em perigo o sistema de solidariedade e redistribuição existente”, critica o comunicado dos torcedores.

“A controvérsia atual nos distrai dos principais problemas que a pirâmide do futebol precisa ser enfrentada e precisa de mais solidariedade para manter uma competição justa. Os problemas que a Champions League tem precisam ser tratados, mas o foco tem que estar também a nível nacional, onde a diferença está rapidamente se tornando um abismo entre as cinco grandes ligas e o resto, e entre os grandes e pequenos clubes”, contina o comunicado.

“A chave é resolver este desequilíbrio no sistema do futebol europeu, recalibrando-o para um que sirva o interesse de todos os clubes, não de alguns, e preparando-o para os desafios do futuro”, continua. A pergunta que nós deveríamos perguntar e responder é: Como podemos melhorar a lisura da competição aumentando as receitas dos clubes que não jogam competições europeias, mas fazem parte da pirâmide do futebol, melhorar a estrutura social do esporte e desenvolver os jovens talentos do futuro?”.

“Essas preocupações foram expressas após várias consultas e discussões nos últimos 5 anos com os membros da FSE e SD Europe. Como sempre, a FSE e a SD Europe estão dispostas e preparadas para dialogar com as autoridades do futebol sobre a questão do futuro do futebol europeu”.

As conversas sobre uma Superliga voltaram à tona, o que levou a Fifa a ameaçar banir os jogadores que participarem de jogares competições de seleções. O presidente da Uefa, Aleksandr Ceferin, fez críticas severas à ideia. “Seria um dos projetos mais entediantes do mundo. Dois ou três clubes falam sobre isso, que acreditam que merecem mais do que outros, que ganham pouco e acreditam que poderiam ser vencedores em uma Superliga”, disse dirigente, em outubro.

Foi em outubro que surgiu um relato de uma proposta, capitaneada por Liverpool e Manchester United e que teria o Real Madrid como um dos entusiastas, de uma Superliga apoiada pela Fifa – algo que a entidade negou.

O que é fato é que a Uefa negocia com os clubes mudanças para o formato da Champions League a partir de 2024, quando acaba o atual acordo que é assinado entre a entidade e as associações de clubes. Em maio de 2019, se falava em uma Champions League com 24 clubes fixos, acesso e rebaixamento, uma ideia apoiada pela ECA.

A associação de torcedores inclui grupos dos 200 clubes mais bem ranqueados na Uefa e vencedores de torneios europeus, com 15 da Premier League, além do Nottingham Forest, Bayern de Munique e outros 10 clubes da Bundesliga, Real Madrid, Barcelona e outros seis clubes e La Liga. Eles pedem que haja mais distribuição de receitas. “Embora a reforma seja necessária, ela não deve vir na forma de um ultimato de clubes ricos que buscam se beneficiar de uma crise de saúde pública sem precedentes”, diz a nota.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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