Governo dificulta a contratação de treinadores estrangeiros pelos clubes russos
Atualizada às 15h50 de 30 de outubro: a primeira versão desta nota dizia que a lei proibia técnicos estrangeiros de trabalharem na russa, mas ela apenas dificulta. Foi essa a primeira interpretação da imprensa do país, mas, da mesma forma como nós erramos, eles também podem se equivocar. Corrigimos e pedimos desculpas pelo engano.
O futebol russo foi pego de surpresa com uma lei publicada no site de legislações do país, uma espécie de Diário Oficial. Em 21 de setembro, o Ministério dos Esportes publicou um documento que dificulta a vida dos treinadores estrangeiros na Rússia. De acordo com a interpretação de juristas do país, o imposto para esses profissionais será maior do que o dos nativos, podendo variar de 13% a 30%, em casos de clubes que utilizam dinheiro público.
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Curiosamente, a regulamentação nº 892 só vale para os clubes, e não para a seleção, que até recentemente era comandada pelo italiano Fabio Capello (hoje, é pelo russo Leonid Slutsky). Igor Cherevchenko (Tajiquistão), André Villas-Boas (Portugual), Vadim Skripchenko (Belarus), Oleg Kononov (Belarus), Franky Vercauteren (Bélgica), Ruslan Agalarov (Uzbequistão) e Valery Chaly (Ucrânia) são os técnicos da elite que não são russos e sofrerão com essa medida, quando ela for efetivamente implementada.
O Ministério dos Esportes já estava por trás da decisão, no final de junho, de reduzir o número de jogadores estrangeiros que podem atuar ao mesmo tempo por um time de sete para seis. Na época, o português Villas-Boas, técnico do Zenit, foi um dos que mais criticaram essa ideia. “O novo formato se tornará o fim do desenvolvimento do futebol russo”, disse o apocalíptico ex-treinador do Chelsea. “É a pior decisão possível. É o fim do futebol”.
Essa nova lei terá ainda mais impacto nos treinadores porque os clubes vão pensar duas vezes antes de contratar estrangeiros. Esse tipo de nacionalismo faz ainda menos sentido com técnicos porque prejudica a troca de ideias e o aprendizado de novos métodos de treinamento. Nenhum dos principais treinadores europeus é russo e essa não parece ser a melhor maneira de mudar esse cenário.



