Dirigente sugere apartheid no futebol, com setor segregado para negros no Estádio Olímpico de Kiev
O Estádio Olímpico de Kiev foi palco de uma cena de intolerância na última semana. Quatro torcedores negros foram agredidos nas arquibancadas durante a partida entre Dynamo Kiev e Chelsea, válida pela fase de grupos Liga dos Campeões. Caso investigado pela Uefa, diante das evidências de que ele teria sido motivado por racismo. Os quatro homens atacados apoiavam o clube ucraniano, assim como os seus agressores, e não contaram com a defesa nem mesmo dos outros presentes no setor.
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A resposta da entidade europeia sobre o episódio deve sair apenas em novembro. Entretanto, o administrador do estádio, ao invés de repreender os responsáveis pela brutalidade, sugere uma solução que contribuiria ainda mais para a segregação. Segundo o diretor do Estádio Olímpico, que é administrado pelo poder público ucraniano, as arquibancadas poderiam contar com um trecho separado apenas para os torcedores negros.
“Funcionários do estádio foram a esses rapazes e tentaram oferecer novos lugares, mesmo os mais caros, mas a nossa proposta foi ignorada”, afirmou Volodimir Spilchenko, sobre o caso de racismo na Champions. Logo após, o repórter questionou se a segregação poderia se tornar comum no Estádio Olímpico: “Não é uma má ideia. Nós estamos tentando criar um setor separado para evitar o racismo”.
Depois das declarações, a assessoria de imprensa do Estádio Olímpico afirmou que a segregação está fora de cogitação. Mas, independente da retificação oficial, o absurdo já estava cometido pela ideia repugnante. A “proteção” à vítima, neste caso, também serve como condescendência ao agressor. O futebol precisa ser uma ferramenta para combater o preconceito, não para fomentá-lo através da segregação, e é lamentável notar que este pensamento persista em quem faz parte do comando do futebol. Obviamente, a questão não se restringe apenas ao esporte, se estendendo a toda a sociedade – e de maneira escancarada no Leste Europeu. No entanto, o que deveria servir de exemplo de convivência e de punição aos racistas acaba se tornando um espaço para perpetuar a violência, sem tentar transformar preconceitos.



