As Eliminatórias da contarão com uma grande novidade: Gibraltar disputará a primeira competição de sua história. O território britânico na península ibérica foi reconhecido pela Uefa no ano passado, quando disputou sua primeira partida oficial – um comemorado empate por 0 a 0 com a Eslováquia. E não pense que os gilbratarinos estarão na competição apenas pela oportunidade. Aquela velha máxima de ‘o importante é competir’ não vale nada para eles. Já que Platini aumentou o número de vagas na Eurocopa de 16 para 24 times, por que não buscar uma delas?

“É realmente um momento histórico para nós e o fim de uma longa jornada. Muita gente percebeu que tudo isso é real quando fomos sorteados no grupo da . Não estamos mais vivendo em uma bolha. É lógico que vai ser duro, mas não estamos indo só para jogar. Estamos na competição e, para nós, será excelente chegar na repescagem. Esse é o nosso objetivo. Você não pode apenas chegar e jogar, tem que ter uma meta. E a nossa é o terceiro lugar da chave”, analisou Allen Bula, o técnico da equipe nacional.

A seleção de Gibraltar existe desde 1923 e, mesmo não reconhecida, disputou competições marginais – os Jogos das Ilhas, dos quais foram campeões em 2007. De qualquer forma, a oficialização representou uma mudança e tanto para a equipe nacional. Que, por isso mesmo, começou a correr atrás de jogadores ligados de alguma forma com o território, já que dificilmente seria possível montar um elenco minimamente competitivo apenas com sua população de 30 mil pessoas. Entre os fisgados está Danny Higginbotham, veterano da Premier League que é neto de uma gibraltarina.

No Grupo D, os gibraltarinos terão pela frente adversários de pesadas: Alemanha, , Polônia, Escócia e Geórgia. Os três primeiros estavam na última Eurocopa e os alemães também são os maiores campeões do torneio, com três títulos. Já a Escócia fará um duelo peculiar: seleção mais antiga da história ao lado da Inglaterra, ainda há vários escoceses entre os habitantes de Gibraltar, por conta do controle britânico. Vale ressaltar que apenas os dois primeiros colocados têm vaga direta na Euro, enquanto o terceiro disputa um mata-mata.

E problema tão grande quanto o imposto pelos tradicionais rivais ou pelo elenco enxuto será a falta de uma casa em seu próprio solo. O Estádio Victoria não tem estrutura suficiente para receber os jogos da Uefa e, por isso mesmo, a federação gibraltarina está construindo o Estádio Europa Point, com capacidade para 10 mil pessoas. A conclusão está prevista para 2016, a tempo de servir para as Eliminatórias da Copa, mas não para as da Eurocopa. Enquanto isso, Gibraltar mandará seus jogos no Estádio do Algarve, em Portugal, famoso também por ser um ‘elefante branco’ da Euro 2004.

Com tantas barreiras, ainda é possível que Gibraltar consiga a classificação? Bem, o primeiro passo para isso é ter confiança. E, sem dúvidas, ela não falta a Allen Bula.