Europa

Por que o Galatasaray pode ser um dos times mais interessantes do futebol europeu em 2025

Gigante turco teve janela de alto nível e tem um dos trabalhos mais sólidos de toda a Europa no últimos anos

Um treinador com 79% de aproveitamento em três anos de clube. Uma equipe que não perde há 20 jogos e gastou cerca de 150 milhões de euros em transferências na última janela — e dois dos principais reforços foram de graça. Esse é o Galatasaray, um dos times que merece a atenção do público na temporada. Os turcos estreiam na Champions League nesta quinta-feira (18), diante do Frankfurt, fora de casa.

Buscando o tetracampeonato consecutivo da liga turca, o Galatasaray se reforçou com nomes como Leroy Sané e Ilkay Gündogan, e é possivelmente o time mais dominante das ligas “alternativas” da Europa. Os 13 gols marcados e apenas um sofrido nas quatro primeiras rodadas da Süper Lig ilustram isso.

Por outro lado, o gigante turco vai além dos reforços de renome que chegaram nesta janela. É um time que domina de forma equilibrada: muita posse de bola, mas também grande número de lançamentos, cruzamentos e dribles.

Por que você deveria acompanhar o Galatasaray? Pelos nomes…

Segundo levantamento do Centro Internacional de Estudos Esportivos (CIES Football Observatory), o Galatasaray foi um dos 10 times com o saldo mais negativo no que diz respeito a transferências em 2025: levando em consideração quem chegou e quem saiu, são 162 milhões de euros no vermelho.

Isso se dá principalmente pelas transferências de Victor Osimhen, que para ficar em definitivo, rendeu 75 milhões de euros ao Napoli. Nomes de potencial, como o defensor marfinense Wilfried Singo (30 milhões) e o goleiro Ugurcan Çakir (33 milhões) também fizeram parte dos altos gastos do time.

Leroy Sané, atacante do Galatasaray
Leroy Sané, atacante do Galatasaray (Foto: Imago)

Os principais nomes, no entanto, vieram de graça: Sané deixou o Bayern de Munique e Gündogan deu adeus ao Manchester City pelo seu time de infância. Mas antes mesmo da sua chegada, o elenco já contava com bons valores:

  • Mauro Icardi, que participou de 71 gols em 70 jogos nas suas duas primeiras temporadas no clube;
  • Baris Yilmaz, jovem promessa que, aos 25 anos, se consolidou como um dos grandes nomes do ataque do time. São três gols e uma assistência em dois jogos na temporada;
  • Gabriel Sara, um criador dinâmico que participou de 11 gols em sua campanha de estreia na temporada passada;
  • Jogadores rodados em grandes clubes que ainda desempenham em alto nível, como Davinson Sánchez (ex-Tottenham), Lucas Torreira (ex-Arsenal) e Mario Lemina (ex-Wolves).

E o nome que comanda tudo é possivelmente o menos conhecido. Okan Buruk está desde junho de 2022 no clube e, desde então, venceu todos os campeonatos turcos que disputou, além de uma Copa e uma Supercopa da Turquia.

São 158 jogos no comando do Galatasaray e expressivas 115 vitórias, 22 empates e apenas 18 derrotas, com 367 gols marcados e 155 sofridos. Como jogador, subiu na base do próprio Galatasaray e passou grande parte da sua carreira no clube.

- - Continua após o recado - -

Assine a newsletter da Trivela e junte-se à nossa comunidade. Receba conteúdo exclusivo toda semana e concorra a prêmios incríveis!

Já somos mais de 4.800 apaixonados por futebol!

Ao se inscrever, você concorda com a nossa Termos de Uso.

… e pela forma de jogar

Buruk leva a campo um 4-2-3-1 que conta com muita mobilidade e alternativas ofensivas. Roland Sallai, por exemplo, um ponta de formação, é o lateral-direito, enquanto Eren Elmali é outro lateral que também atua como ponta pela esquerda.

Torreira e Lemina formam a dupla de volantes que alternam seu posicionamento, Gabriel Sara é um camisa 10 dinâmico, os pontas trocam de lado com frequência e o centroavante é sempre bastante móvel.

A dinâmica dos meio-campistas é um ponto de atenção: os três têm liberdade para subir como meias, descer em apoio, atacar a profundidade e contam com grande entendimento para se compensarem no posicionamento:

  • Geralmente, o Galatasaray constrói em 4-2, com Torreira e Lemina como os apoios. Mas Sara também tem liberdade para descer perto dos zagueiros para ajudar na construção;
  • Quando o brasileiro desce, um dos dois volantes sobe, para manter a consistência do meio-campo. Geralmente Lemina ocupa o espaço de Sara no meio-espaço esquerdo e tem liberdade para infiltrar na área;
  • Pela ofensividade de Sallai, o húngaro sobe e é uma arma pelo lado direito, então o ponta, geralmente Akgun ou Sané, entra no meio-espaço direito como meia — e Torreira tende a abrir mais seu posicionamento para cobrir a subida do lateral.

A dupla de volantes ainda é responsável por variar a segunda fase de construção do time: no 3-1-5-1 de Buruk, ora Lemina se posiciona entre os zagueiros e Torreira se mantém como apoio único, ora o uruguaio abre como terceiro zagueiro pela direita com Lemina sendo o volante.

Captura de Tela 2025-09-11 às 12.01.29
Padrão de movimentação do Galatasaray nas primeiras rodadas da temporada (Foto: Tactical/Board)

Ataque móvel, talentoso e versátil

Mais do que uma construção dinâmica e com variações, Buruk montou um ataque que lhe dá diversas possibilidades: pontas que jogam dos dois lados, laterais muito ofensivos que chegam à linha de fundo e infiltram na área e atacantes com grande capacidade de descer e atacar as costas da defesa.

A mobilidade dos centroavantes é um dos principais trunfos do modelo de jogo. Baris, que foi o titular no início da campanha, se destacou como um jogador que incansavelmente infiltrava no limite da última linha defensiva, sempre deixando os zagueiro apreensivos. E assim, inclusive, marcou mais de uma vez.

gol galatasaray
A versatilidade do Galatasaray: com espaço, Sara encontra Baris infiltrando nas costas da defesa para marcar (Foto: Reprodução/beIN Sports)

Osimhen, por sua vez, é um dos grandes atacantes do mundo atacando a profundidade. É alto, rápido e forte o suficiente para vencer defensores na corrida, principalmente em ataques rápidos vindo das laterais. Marcou assim seu primeiro gol da Super Lig na temporada.

osimhen gol
Gol de Osimhen reforça padrões do Galatasaray (Foto: Reprodução/beIN Sports)

Há muita troca de posição no ataque do gigante turco. Muito disso é interpretativo: há o espaço, então o jogador o ocupa para estar em melhores condições de receber o passe. Por outro lado, há uma clara regra de ocupação de espaços racional — se um companheiro saiu para infiltrar numa faixa livre do campo, outro o cobrirá.

Entre as principais trocas de posição, o Galatasaray tem, por exemplo:

  • Os pontas Sané e Akgun trocando de lado com frequência entre si;
  • Pontas e laterais alternando a ocupação da amplitude e do meio-espaço — por padrão, o lateral fica pelo lado, mas há variação constante;
  • Sara tem bastante liberdade para criar: ora desce quase como volante, ora abre pelo lado para o lateral entrar, às vezes ataca a profundidade sem a bola;
  • Baris ocasionalmente abre como ponta-esquerdo, e quem estiver na ponta geralmente o cobrirá como “camisa 9”.

Defesa sólida e pressionante, mas sem “maluquice”

O Galatasaray sofreu um gol nas quatro primeiras rodadas do Campeonato Turco. Claro que há uma diferença de nível entre os gigantes do país e os demais concorrentes, mas, ainda assim, há também uma consistência defensiva impressionante.

Por padrão, o time de Buruk não pressiona tão alto e a todo custo, mas mantém a sua linha de defensores bem alta e perto da linha de volantes. A ideia, na maioria dos casos, é impedir a progressão adversária por dentro.

Há momentos em que o time pressiona mais forte, principalmente nos tiros de meta adversários. A ideia se mantém: as linhas vão subir e tentar impedir passes curtos desde os zagueiros, mas a prioridade é que a bola não chegue aos apoios no meio-campo.

Torreira é o volante mais “clássico” nesse sentido: é crucial para perseguições individuais e constantemente incomoda o jogador a quem está pressionando. No entanto, a pressão individual do Galatasaray como time não se perdura por muito tempo se não houver sucesso nos primeiros combates.

Ainda assim, o time vai buscar se defender em 4-4-2 com bloco alto, com Sara ao lado do centroavante, mais à frente. Um fator curioso de Buruk é que ele prioriza mais fechar espaços no meio do que manter a estrutura — dessa forma, os jogadores poderão quebrar a linha para seguir os adversários e impedir que haja progressão pelo corredor central.

Lemina e Torreira, por exemplo, estão sempre sufocando os meias adversários no meio, e isso faz com que os pontas ocupem regiões mais centrais no momento defensivo, justamente para fazer a cobertura desse espaço. Ocasionalmente, isso libera espaço pelas laterais, que são menos priorizadas.

É um time repleto de talento e grandes variações no ataque e solidez defensiva — isso sem contar que Gündogan e Singo, que devem ser titulares, sequer estrearam. Ainda há margem para evolução e o Galatasaray pode finalmente competir com grandes equipes na temporada 2025/26.

Galatasaray v SS Lazio – Pre-Season Friendly
Osimhen e Leroy Sané no Galatasaray. Foto: IMAGO
Foto de Guilherme Ramos

Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo