Europa

Futebol escocês tem mais a perder que o inglês com a saída do Reino Unido da União Europeia

O povo britânico não irá esquecer a data histórica de 24 de junho de 2016. Foi divulgado o resultado do plebiscito, realizado na última quinta-feira em todo o território do Reino Unido, que tinha a finalidade de saber a opinião popular sobre a saída do país da União Europeia. Com 51,9% dos votos, o desejo de desvínculo com a mais importante união entre nações prevaleceu. Logo, daqui a aproximadamente dois anos o Reino Unido oficialmente não será mais membro do bloco comunitário (se não houverem reviravoltas até lá). E, querendo ou não, essa questão política e econômica pode acabar resvalando negativamente no futebol. Principalmente no escocês, que é o que mais sofrerá em decorrência desse “sim”.

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Ao longo dos últimos anos, o futebol na Escócia tem lidado com o equilíbrio de jogadores estrangeiros na principal divisão do campeonato nacional. No entanto, as novas e ainda incertas regras que serão solidificadas com o desligamento da União Europeia colocam atletas dos outros países da Europa sob ameaça. Agora, esses jogadores poderão ser submetidos a critérios mais rígidos relacionados à migração, inclusive tendo que servir a seleção de seus países por um certo tempo para poderem atuar na liga escocesa.

Por exemplo, diante da nova perspectiva, apenas o sueco Mikael Lustig, zagueiro do Celtic, sobreviveria em meio a 53 jogadores europeus e não-britânicos da União Europeia que atuaram no Campeonato Escocês na temporada passada. Ele é o único que conseguiria o visto, já que apenas ele se encaixa nas regras de licença de trabalho para estrangeiros, estabelecidas pelo governo britânico no ano passado. Com a saída do Reino Unido da União Europeia, jogadores dos outros 27 membros e de nações com acordos com o bloco comunitário passam a ter o mesmo status que sul-americanos e africanos, por exemplo.

Frente a essa situação, o futebol escocês teria que se contentar com talentos locais. E, convenhamos: da atualidade, quantos nomes escoceses de destaque conseguiríamos listar? Provavelmente um, no máximo dois, se formos perspicazes. Isso porque não é de praxe da Escócia revelar bons jogadores, e os que surgem serão ainda mais assediados pelos ingleses, já que todos (ainda) são britânicos. O seu principal campeonato nacional depende muito da contribuição de atletas de outras nacionalidades da Europa para se desenvolver.

A Premier League sofreria com o mesmo problema, porém o impacto no vizinho seria ainda maior. Há menos dinheiro na liga escocesa e a própria nação tem uma economia mais vulnerável que a inglesa. Talvez uma saída para essa questão seria investir nas categorias de base, mas é um projeto de longo prazo. É impossível pensar rápido e agir em um espaço de dois anos, que é quando deve entrar em vigor a decisão favorável ao Brexit (trocadilho que junta “Britain” com “exit”).

É importante dizer que a grande maioria do povo escocês votou “não” à saída do Reino Unido da União Europeia. Com o saldo desanimador para os escoceses, a primeira-ministra Nicola Sturgeon afirmou que pretende realizar um novo referendo sobre a independência da Escócia do Reino Unido, porque quer que os escoceses continuem ligados ao bloco europeu. Ou seja, a resolução do Brexit serviu para trazer à tona e fortalecer a questão separatista da Escócia. Pensando nessa possibilidade, e em um resultado favorável à independência, as chances para que o futebol escocês permaneça do jeito que era não são tão remotas assim, ainda que o desmembramento escocês do Estado britânico esbarre em muitos outros problemas.

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Nathalia Perez

Jornalista em formação trabalhando a favor de um meio esportivo mais humano. Meus heróis sempre foram jogadores de futebol, mas hoje em dia são muito mais heroínas.

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