Europa

Federação Turca toma primeiras decisões contra árbitros envolvidos em apostas

Escândalo revelou que 371 de 571 árbitros profissionais tinham contas em casas de apostas e 152 desses apostavam regularmente; jogadores também são alvos

A Federação Turca de Futebol (TFF, na sigla local) abalou as estruturas do esporte nacional ao anunciar na última segunda-feira (27) uma investigação sobre a arbitragem no país. A razão era que 371 de 571 árbitros profissionais tinham contas em casas de apostas, sendo que 152 desses apostavam regularmente.

Agora, quatro dias depois, vieram as primeiras ações contra os juízes envolvidos. Nesta sexta (31), a Comissão Disciplinar de Futebol Profissional (PFDK), da TFF, suspendeu 149 juízes e bandeirinhas em penas entre oito e 12 meses. Desses profissionais, sete são da chamada “divisão superior”, que significa que apitam jogos da primeira e segunda divisão.

Ainda há uma investigação adicional em andamento sobre três árbitros dessa categoria superior, incluindo Zorbay Küçük, que comanda partidas da Superliga. Ele alega que não apostava e registrou uma queixa-crime porque supostamente suas informações teriam sido roubadas para criar uma conta em uma bet.

As suspensões ocorreram com base em artigo do regulamento disciplinar da Federação Turca de Futebol que proíbe qualquer pessoa direta ou indiretamente envolvida em atividades do esporte de participar de apostas.

A arbitragem é uma profissão de honra. Qualquer um que manche essa honra… jamais voltará a fazer parte do futebol turco — disparou o presidente TFF, Ibrahim Haciosmanoglu, na última quinta (30).

As críticas aos árbitros na Turquia é ainda mais forte do que acontece no Brasil, com direito a agressão de presidente a profissional do apito em 2023 e abandono de campo após decisão polêmica. José Mourinho, quando técnico do Fenerbahçe entre 2024 e 2025, era um ferrenho crítico da arbitragem.

José Mourinho, então técnico do Fenerbahçe, reclama com assistente turco em partida em 2024
José Mourinho, então técnico do Fenerbahçe, reclama com assistente turco em partida em 2024 (Foto: Imago)

O número impressionante de árbitros apostando no futebol turco

No anúncio de segunda, Haciosmanoglu revelou um número assustador da quantidade de apostas feitas pelos árbitros. Dos 152 que apostavam regularmente, sete árbitros principais e 15 assistentes apitavam partidas da primeira divisão.

Ainda dentro desse número total, dez profissionais fizeram mais de 10 mil apostas, sendo que um deles, sozinho, bateu 18.227 “bets”. Mais 42 fizeram ao menos 1000 apostas cada um. A investigação, porém, ainda não apontou se os árbitros apostaram em partidas que apitaram.

— Como federação, temos que começar por limpar o nosso próprio quintal — disparou o mandatário do futebol turco.

O Ministério Público de Istambul, junto da TFF, da polícia local e do Conselho de Investigação de Crimes Financeiros (MASAK), abriu uma investigação para apurar manipulação de resultados, crime com pena de um a três anos de prisão e multa de 20 mil na moeda local.

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Mais de 3 mil jogadores também estão na mira das investigações

Ibrahim Haciosmanoglu, presidente da Federação Turca de Futebol
Ibrahim Haciosmanoglu, presidente da Federação Turca de Futebol (Foto: Imago)

Após parte da investigação dos árbitros caminhar, Haciosmanoglu anunciou em entrevista à emissora “CNN” que agora os jogadores estão na mira por apostas esportivas e já foram identificados mais de 3 mil possíveis infratores.

— Esperávamos encontrar 15 árbitros envolvidos, mas o número cresceu. Agora temos 3.700 jogadores na lista. A Procuradoria já fez um comunicado. Haverá uma investigação mais detalhada. Os relatórios da MASAK serão examinados, e possíveis ligações ilegais serão investigadas — disse.

O presidente da federação destaca que o que é fora da lei é apostar e muitos atletas podem ter um perfil em uma bet apenas para assistir aos jogos.

— Ter uma conta de apostas, por si só, não é crime. Muitos apenas acompanham as partidas por lá. Mas apostar ativamente é ilegal, e nossos comitês aplicam as punições cabíveis — finalizou.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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