O que Rodri traria ao Real Madrid no aspecto tático e comportamental do jogo?
Agora sob comando de Mourinhos, Merengues ganham força para ser próximo destino do meia do Manchester City
Rodri é um dos grandes assuntos do mercado de transferências na última semana. Após conquistar a Copa do Mundo com a Espanha e ser eleito o melhor jogador do Mundial, o meio-campista passou a levantar dúvidas sobre sua continuidade no Manchester City, já que possui apenas mais um ano de contrato com o clube atual. Assim, o Real Madrid entrou no páreo pelo jogador.
O jornalista David Ornstein, do “The Athletic”, informou na última sexta-feira (24) que os Merengues decidiram entrar no circuito para garantir a contratação de Rodri. O volante, por sua vez, já relutava em renovar seu vínculo com o City e sonhava com uma ida para o Santiago Bernabéu. No primeiro momento, algumas dúvidas foram levantadas quanto a uma possível transferência de Rodri para o Real Madrid.
Vai e vem, rumores e transferências do Real Madrid na janela
A primeira ressalva dos Blancos estava no aspecto físico, sobretudo pela oscilação do espanhol durante a última temporada depois de se recuperar de grave lesão no joelho. O contraste do jogo de Rodri com o que José Mourinho prega em suas equipes era uma outra dúvida que pairava em Valdebebas. Porém, a trajetória na Copa do Mundo tratou de encerrar estes debates e mensurou o que o capitão da seleção de Luis de la Fuente pode agregar ao Real Madrid.
Rodri pode resgatar algo perdido desde Kroos
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A possível contratação de Rodri acaba por evidenciar uma carência do Real Madrid desde a aposentadoria de Toni Kroos. Apesar do protagonismo de Luka Modric, o alemão era o termômetro dos diferentes treinadores que estiveram no comando merengue desde 2014, quando Kroos chegou ao Bernabéu. O icônico camisa 8 era um organizador desde a saída de bola e acabava por ditar o ritmo da construção dos Blancos, oferecendo “pausas” necessárias em determinados contextos dos jogos.
Assim, desde que decidiu deixar o futebol, em 2024, o Real Madrid perdeu o equilíbrio e o caráter de dominância que notabilizou o grande auge, em termos de conquistas, do clube neste século. Toni Kroos deixou os Merengues e, curiosamente ou não, as duas temporadas desde então não tiveram títulos relevantes. Mesmo que tardio e, de certa forma, acidental, o diagnóstico blanco apontou para Rodri como solução, mesmo com um treinador como José Mourinho.
O português se notabilizou por colocar em prática nos seus times um jogo mais direto e objetivo com posse. Em toda a sua carreira, a exceção foi justamente na sua passagem pelo Real Madrid, quando teve Xabi Alonso como seu pilar de meio-campo. Portanto, Rodri tende a ser o elemento de continuidade das “Eras” de Xabi Alonso e Toni Kroos.
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A influência tática de Rodri
Rodri têm por essência a organização a partir do jogo posicional. O meio-campista é, geralmente, o primeiro construtor a tocar na bola a partir da primeira fase de criação. É ele quem vai baixar para receber dos zagueiros e iniciar um processo mais agudo com posse para acessar zonas mais próximas do gol adversário.
Ao mesmo tempo que centralizará a circulação da bola em seus serviços, posicionando-se como um organizador, Rodri oferece grandes capacidades para passes mais verticais, quebrando linhas ou buscando lançamentos visando a amplitude dos extremos.
Outra dinâmica que o espanhol poderá agregar e, consequentemente, beneficiar os meias ofensivos e atacantes é a sua capacidade em temporizar a posse para atrair uma espécie de pressão adversária, que culminará em espaços mais escancarados na entrelinha.
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Este cenário tende a acontecer muito no Real Madrid de Mourinho, já que conta com atacantes extremamente eficazes no ataque à profundidade, o que acaba por induzir a linha de defesa rival a não subir tanto. A partir disso, o volante se notabiliza pela boa resistência física e giro natural para os dois lados, utilizando também sua perna não dominante.
Ou seja, Rodri pode trazer maior organização à construção do Real Madrid, irá impor um caráter mais dominante ao time naturalmente e, inclusive, será vital no fator comportamental. Durante os últimos dois anos, uma das grandes críticas aos Merengues estava no excesso de verticalidade, associada justamente às características de suas opções para o setor.
Apenas Modric e Arda Güler tinham esse viés de organização nos últimos anos no elenco Merengue, mas não eram ou são jogadores de base de jogada. Aurélien Tchouaméni é mais um distribuidor do que alguém que centraliza a construção em si. Portanto, o jogo esteve muito pautado em Kylian Mbappé e Vinicius Júnior. A expectativa com Rodri é por mais equilíbrio.