Eurocopa

Wenger vê França “superfavorita” para a Euro e aponta Inglaterra e Bélgica como principais concorrentes

Ex-técnico do Arsenal descartou zebras e apontou Itália e Espanha como equipes que podem correr por fora na briga pelo título

Por tudo o que construiu em sua carreira como treinador, sobretudo ao longo dos 22 anos à frente do Arsenal, Arsène Wenger é uma voz sempre procurada pela imprensa europeia para dar seus pitacos sobre grandes torneios. Desta vez, o ex-técnico e hoje chefe de desenvolvimento global do futebol da Fifa foi questionado sobre as chances da França na Eurocopa, que começa em três dias (11). Para Wenger, ainda que existam concorrentes fortes, a seleção francesa é “superfavorita” para levar o torneio.

O ex-treinador dos Gunners apontou o sucesso recente dos Bleus, campeões do mundo em 2018 e vice-campeões da Euro em 2016, como lastro para o favoritismo neste ano. “Sabemos que temos o potencial, sabemos que somos superfavoritos e que há poucos times com o mesmo potencial que a seleção francesa. Já somos campeões do mundo, então sabemos que podemos vencer. Isso nos faz superfavoritos para a Euro”, opinou, em entrevista à RMC Sport.

Wenger indica, no entanto, duas outras seleções que têm crescido nos últimos anos e contam com gerações talentosas como fortes candidatas à conquista – acrescentando ainda uma terceira opção um tanto questionável: “Ao mesmo tempo, há alguns adversários que não podemos negligenciar. Especificamente no centro da Europa, como a Bélgica, a Inglaterra e talvez a Holanda”.

Se Bélgica e Inglaterra vêm de uma Copa do Mundo positiva, em que alcançaram as semifinais e disputaram entre si o último lugar no pódio (com vitória belga), a Holanda vive um momento de baixa, com dificuldades em encontrar seu melhor futebol desde a saída de Ronald Koeman para o Barcelona e a chegada de Frank De Boer ao comando. Para piorar, os holandeses não poderão contar com Virgil van Dijk, que sequer foi convocado já que ainda se recupera de lesão de longa duração, e, mais recentemente, Donny van de Beek, cortado do grupo nesta terça-feira (8) também por causa de uma contusão.

Sem citar Portugal, que para muitos também aparece como um dos favoritos graças ao imenso talento de seu elenco e aos triunfos recentes da Euro em 2016 e da Liga das Nações em 2018/19, Wenger acrescenta duas equipes tradicionais que, para ele, correm por fora: “Acho que os países do sul europeu estão um pouco menos armados, como a Espanha e a Itália. Mas a Itália sempre pode surpreender em uma grande competição”.

Por fim, Wenger descartou surpresas como a Dinamarca de 1992 e a Grécia de 2004. “Os países do norte da Europa, como Finlândia, Dinamarca ou Suécia, acho que não. Os países do leste, um pouco mais ao leste da Europa, como a Eslováquia, a Macedônia do Norte e a República Tcheca, também não. A disputa ficará no coração da Europa.”

Além da experiência vencedora, um dos trunfos da seleção francesa é a sua profundidade de elenco de dar inveja. A equipe, que já transbordava talento, acrescentou ainda Karim Benzema, um dos principais nomes do futebol europeu de clubes nos últimos anos, ao seu plantel depois de cinco anos e meio de afastamento por questões extracampo. Se, por um lado, é excelente ter tantas opções, por outro, Wenger alerta para possíveis dificuldades de gestão.

“Queremos sempre uma riqueza no elenco. Acho que, nas partidas mais difíceis, em que o duelo está muito parelho, é ótimo ter um banco tão forte. Mas, ao mesmo tempo, isso traz um problema de seleção, de contentar os jogadores que esperam jogar e não jogam. E depois, para o treinador, ao mesmo tempo ele se pergunta se constrói uma equipe titular fixa ou se gira o time em função dos pontos fortes e fracos do adversário, utilizando seus atacantes nos jogos em que eles podem ser mais eficazes. Por exemplo, temos bons atacantes centrais, bons pontas, e às vezes pode ser melhor jogar com jogadores centralizados, alguns pelos lados, cruzando a bola. Então será necessário tomar muitas decisões que não são fáceis”, avaliou.

Didier Deschamps terá nesta terça-feira (8) uma última oportunidade de fazer testes antes do início da Eurocopa. A França enfrenta a Bulgária em seu amistoso final de preparação e estreia na Euro em 15 de junho, contra a Alemanha. A participação dos Bleus no grupo de morte se completa com duelos contra Hungria (19) e Portugal (23).

Mostrar mais

Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo