Eurocopa

Ser uma lenda não impede Buffon de vibrar como menino; pelo contrário, o torna ainda maior

Quem vê tamanha vibração em campo pode até imaginar um garoto em início de carreira, tentando aproveitar a Eurocopa para se firmar. Quem conhece Buffon, sabe que esta vontade é fundamental para mantê-lo entre os melhores goleiros do mundo há duas décadas. Para fazê-lo um dos melhores goleiros da história. O camisa 1 nem trabalhou tanto na vitória por 2 a 0 sobre a Bélgica, na estreia da Eurocopa. Fez uma grande defesa, no primeiro tempo, em chute de Nainggolan. Nem por isso dá para dizer que o goleiro não foi importante. A garra do veterano é contagiante. Saiu de campo, mais uma vez, como grande personagem da Azzurra.

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A fome de Buffon pela história é impressionante. Aos 38 anos, o goleiro nega os próprios prazeres para seguir em busca de suas ambições. Diminuiu o vinho e as massas, chega aos treinos antes de todo mundo. O “zelador do povo italiano”, como ele mesmo se define, almeja disputar a Copa do Mundo em 2018 para, aí sim, pendurar as luvas. Mas, antes disso, tem a chance de se eternizar ainda mais na Eurocopa. Começou aproveitando cada instante.

A raça de Buffon se evidenciou desde o hino, cantado a plenos pulmões. No primeiro gol da Itália, durante a etapa inicial, cerrou os punhos e socou o ar. Mas as melhores cenas ainda viriam no segundo tempo. Quando Lukaku saiu na cara do gol e o camisa 1 fechou o ângulo para que ele errasse o alvo, a bronca na defesa se ouviu de Lyon a Roma. Em outra bola perigosa na área, que ricocheteou nos zagueiros e chegou mansa, Buffon a segurou firme, vibrando e berrando em alívio. Já quando Graziano Pellè completou o placar, o capitão saiu em disparada até o ataque, para abraçar os companheiros.

E a simbiose de Buffon com a torcida se completou após o apito final, na comemoração. Os demais jogadores saudavam as arquibancadas, quando o menino de 38 anos atravessou o campo mais uma vez, correndo em alegria pura. Saltou e se agarrou no travessão, antes de tomar um tombo e cair dentro do gol. De lá, enfiou a cara nas redes, para gritar junto aos seus. Desta vez, eufórico pelo grande resultado.

Buffon se torna ainda maior por esta vibração. Mais exemplar aos seus companheiros, mesmo tendo feito tanto ao longo da carreira. Mais ídolo aos admiradores, indo além de tudo aquilo que já representa sob os paus. Se a emoção é parte fundamental na identidade cultural italiana, o capitão personifica esta noção. Por isso representa tanto aos seus conterrâneos, escancaradamente também um deles. Por isso os representa melhor do que qualquer outro. O goleiro é uma ópera dentro de campo. Sempre garante o espetáculo e muitas vezes termina em épico, para a glória da Azzurra.

 

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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