Eurocopa

Quando tá valendo, tá valendo: Itália carimbou a Bélgica e abriu Eurocopa com vitória e vibração

“Quando tá valendo, tá valendo”. A frase de Ronaldinho depois do confronto com o São Paulo na Libertadores de 2013 (que perdeu do mesmo tricolor paulista no último jogo da primeira fase e depois eliminou os paulistas com duas vitórias, uma delas por goleada) pode ser aplicada tranquilamente neste jogo entre Itália e Bélgica. A Itália teve uma convocação questionada, com justiça, pela imprensa italiana. Chegou à França sem apresentar um futebol convincente. Enquanto isso, a Bélgica, mais uma vez, chega com alguns bons jogadores, mas, novamente, precisando mostrar serviço. O que se viu em Lyon foi uma Itália melhor, mais organizada, que conseguiu ser perigosa. Mais do que isso. Mortal. Mostrou jogo coletivo, união, um time que parece muito unido. Foi assim que a Azzurra venceu por 2 a 0 e deixou a impressão que pode complicar. foi isso que se viu na comemoração dos dois gols. Foi uma Itália vibrante, mas também que sabe jogar, ao seu modo, e bem.

LEIA MAIS: Guia da Trivela da Eurocopa 2016

A Itália tem como fama ter defensores de alto nível e mesmo esta seleção convocada por Antonio Conte, contestada como foi, mantém esta característica. Conte manteve a linha defensiva da Juventus, com três zagueiros do time bianconeri: Andrea Barzagli, Leonardo Bonucci e Giorgio Chiellini. Estava ali, na linha defensiva, que tinha ainda o goleiro Gianluigi Buffon, a maior concentração de talento da Itália. E isso faria diferença.

A diferença da seleção italiana dos últimos anos, e esta especificamente, para as de alguns anos atrás está no ataque. Não há um grande talento. Não há Baggio, Del Piero, Totti ou mesmo um Cassano. Não há Balotelli, grande nome do time na última Eurocopa, em 2012. Na partida desta segunda-feira em Lyon, Conte iniciou o jogo com Éder, brasileiro naturalizado italiano, e Graziano Pellè no ataque. Chegando ao ataque, Antonio Candreva e Emanuele Giaccherini.

Se a criação de jogadas no meio-campo não era das melhores, o que a Itália conseguiu foi fazer foi explorar os lados do campo para chegar ao campo de ataque e usar os lançamentos longos jogadores lá de trás que têm qualidade. É o caso de Leonardo Bonucci. Foi dele o lançamento longo, da linha do meio-campo, para Giaccherini, nas costas da zaga belga. O meio-campista dominou e tocou para marcar 1 a 0, aos 32 minutos do primeiro tempo.

A Itália era melhor no jogo, criava mais chances e chegava com mais perigo. A Bélgica ameaçou em chutes de fora da área, mas a Itália era quem chegava com mais perigo em alguns cruzamentos e nas jogadas pelos lados do campo. Giaccherini se infiltrou com perigo algumas vezes. Pellè conseguiu fazer o pivô no ataque.

O time soube jogar a partida bem, o tempo todo, aproveitando os espaços no segundo tempo, enquanto a Bélgica passou a atacar mais. Ao contrário do primeiro tempo, conseguiu criar chances, algumas delas ótimas, mas a Itália ora teve competência para impedir os ataques, ora sorte, como em um lance de Origi, que errou a cabeçada.

Os belgas tentaram, mas não contaram com um bom jogo de seus principais jogadores, notadamente Kevin De Bruyne, Eden Hazard e Romelu Lukaku – que perdeu um gol em uma chance clara, frente a frente com Buffon. Com a Bélgica no ataque, a Itália conseguiu encaixar alguns bons contra-ataques e, com a entrada de Ciro Immobile, conseguiu levar muito perigo. Foi em um dos lances com ele que saiu o segundo gol, já no final do jogo.

Depois de receber a bola com espaço, Immobile conduziu a bola e abriu na direita para Candreva, que tinha espaço aberto para chutar. Ele não chutou, mas levantou com uma cavadinha para Pellè, livre no segundo tempo, finalizando de voleio para estufar as redes. Gol da Itália aos 48 minutos do segundo tempo, selando a vitória.

Ao contrário do que se esperava, a Itália não ficou só se defendendo. Dividiu a posse de bola com a Bélgica (55% para os belgas, 45% para os italianos), chutou 11 vezes a gol contra 18 dos belgas. Curiosamente, a Azzurra acertou o alvo nos chutes duas vezes. Nas duas, o resultado foi bola na rede. Mas dizer que a Itália só foi eficiente é pouco. O time trabalhou bem coletivamente, soube rodar a bola e explorar os espaços que a Bélgica deu ao longo do jogo.

A Itália deu uma boa demonstração que pode ser uma equipe bastante perigosa. O time tem bons nomes, ainda que o ataque não seja brilhante. Giaccherini, um jogador que fracassou na Inglaterra, conseguiu novamente se encontrar no Bologna, que defendeu nesta temporada, e na seleção. Immobile fez algo parecido. Sem ir bem nem no Borussia Dortmund e nem no Sevilla, voltou ao Torino, conseguiu lugar na Eurocopa e entrou durante o jogo muito bem.

A Bélgica, porém, precisará mostrar mais futebol. Em 2014, na Copa do Mundo, foram cabeças de chave do grupo, se classificaram e foram até as quartas de final, mas o futebol não foi grande coisa. Na Eurocopa, estreou sem mostrar o talento que seus jogadores têm. Se não começar a mostrar, a briga por uma vaga na próxima fase pode ser ameaçada.

LEIA MAIS SOBRE A EUROCOPA

Mostrar mais

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo