Eurocopa

Seja qual for a posição, a influência de Alaba sobre a Áustria nesta Eurocopa é evidente

Depois de duas partidas como zagueiro, Alaba entrou na lateral e mais uma vez se destacaria na vitória da equipe

A Áustria não conquistava a classificação para a segunda fase de uma Eurocopa ou de uma Copa do Mundo desde 1982. Os austríacos vinham sob certas expectativas em algumas dessas aparições internacionais, mas nada suficiente para convencer. A campanha na Euro 2020 não é daquelas que enchem os olhos, mas o time dirigido por Franco Foda conseguiu realizar sua melhor atuação exatamente no jogo mais importante do Grupo C, o confronto direto com a Ucrânia. De novo, para que David Alaba se provasse como um diferencial. Desta vez como lateral, o camisa 8 seria um dos melhores em campo e providenciou a assistência que valeu o triunfo por 1 a 0 em Bucareste.

Não há muitas questões quanto ao protagonismo de Alaba na seleção da Áustria. Por mais que o time atual tenha outros bons jogadores, em especial Marcel Sabitzer, ninguém se equipara à trajetória vitoriosa ou mesmo à capacidade técnica do camisa 8. Por isso, Alaba costuma ser um coringa na equipe nacional. Muitas vezes seu talento é melhor aproveitado no meio-campo e foi assim que ele jogou em boa parte de suas aparições pelo país. Geralmente entra como volante, mas até como ponta ou armador ele atuou nestes 12 anos com a equipe principal. Não à toa, sua produção ofensiva com os austríacos é maior do que no Bayern. Anotou 14 gols e 19 assistências em 84 aparições pela seleção, contra 33 tentos e 55 assistências em 431 partidas pelos bávaros.

No meio-campo, Alaba contribuiu com quatro gols e três assistências em oito partidas durante a classificação para a Euro 2016. Foi o cara de um time que parecia interessante naquele qualificatório. A campanha dos austríacos no torneio, entretanto, seria decepcionante e a equipe fechou a fase de grupos na lanterna de sua chave. Já nas Eliminatórias para a Euro 2020, a influência de Alaba seria mais tímida por conta das lesões. Ainda assim, quando o camisa 8 esteve em campo, foi ajudando na armação pela meia esquerda. E desta forma que o capitão se manteve durante toda a preparação à competição continental, sem ocupar outros setores.

Quando a Eurocopa começou, o técnico Franco Foda tinha outras ideias, porém. Preferiu usar Alaba feito um líbero, como o zagueiro central numa linha de três jogadores na defesa. Por lá, o camisa 8 tinha todo o campo à sua frente e conseguiria armar o time a partir de seus lançamentos. Deu certo diante da Macedônia do Norte, um adversário mais frágil. O capitão teve liberdade também para avançar e deu a assistência para o segundo gol, o que desempatou o placar durante os minutos finais. Porém, diante de Países Baixos / Holanda, os austríacos fariam uma atuação bem abaixo e não produziriam muito ofensivamente. Hora de mudar Alaba, tímido naqueles 90 minutos em Amsterdã.

Para o duelo decisivo contra a Ucrânia, a Áustria veio formada num 4-2-3-1. Alaba aparecia na lateral esquerda, a posição principal de sua carreira, mas menos explorada na seleção. O talento do camisa 8, ainda assim, é perceptível em qualquer parte do campo. De novo, ele teria um papel essencial para organizar a equipe e também criar oportunidades aos companheiros. Cobrou o escanteio que valeu o gol de Christoph Baumgartner logo aos 21 minutos. Mas seria também o principal garçom do time, numa partida em que os austríacos foram muito melhores ofensivamente que os ucranianos, desperdiçando chances mais claras. Seja qual for do setor, Alaba conseguiu desequilibrar a favor de seu time.

Pelo futebol apresentado até o momento, é difícil imaginar a classificação da Áustria nas oitavas de final diante da Itália. Contudo, se existem esperanças de que os austríacos intimidem os italianos, elas partem dos pés de Alaba. E a utilização do camisa 8 acaba sendo um ponto-chave ao técnico Franco Foda. Mais atrás, ele pode ser mais influente na organização de um time que jogará defensivamente, e já mostrou como pode tirar coelhos da cartola aos companheiros. Mas, adiantado ao meio-campo, as oportunidades para o capitão ajudar na criação ou na conclusão são maiores. O ponto é que os austríacos são mais bem servidos no meio que na defesa.

Independentemente do resultado nos mata-matas, essa Euro 2020 serve para referendar um pouco mais o peso que Alaba tem ao país. Aos 28 anos, só faltam 20 jogos para que ele se torne o jogador que mais vezes defendeu a equipe nacional. Tem uma influência clara nas raras aparições internacionais que a Áustria consegue. E se faltava um desempenho mais condizente à história do time nas últimas décadas, a classificação às oitavas da Euro 2020 faz mais jus que os fiascos nas duas aparições anteriores no torneio continental. Mesmo que não seja um desempenho tão estrondoso assim, pelo menos já merece o rótulo como a “Áustria de Alaba”.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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