Eurocopa 2024

Portugal encerra o sonho de Gales para realizar o seu próprio: está na final da Eurocopa

A campanha de Portugal não foi perfeita. Longe disso. Empatou os três jogos da fase de grupos, passou da Croácia com gol nos últimos minutos da prorrogação e precisou dos pênaltis para eliminar a Polônia. Mostrou um futebol pragmático, estático e pouco empolgante. Por exemplo, jogou menos que Gales nas primeiras cinco partidas, a grande surpresa na França. Mas, na hora certa, ao perceber a oportunidade, cresceu. Atropelou os galeses no segundo tempo, venceu por 2 a 0 e é o primeiro finalista da Eurocopa.

LEIA MAIS: Budweiser dá cerveja grátis para todo mundo que estiver em Gales no dia da semifinal

Portugal precisou encerrar o sonho de Gales para poder realizar o seu. Chega pela segunda vez à decisão do torneio europeu e buscará, contra França ou Alemanha, compensar a decepção de doze anos atrás, quando perdeu o título para a Grécia, em casa. Mas, desta vez, Portugal será a Grécia: joga já com um sentimento de dever cumprido pela campanha acima das expectativas, sem o medo de se defender e possivelmente contra os donos da casa.

O enfado que acompanhou a seleção portuguesa desde o começo do mês esteve novamente presente em Lyon. Portugal até controlou o jogo contra Gales, diferente do que vinha fazendo até aqui. Chances de gols, porém, foram escassas. Conseguiu um chute cruzado de João Mario e uma cabeçada de Cristiano Ronaldo. O craque do Real Madrid teve boa chance, mas subiu junto com a marcação, pressionado. Não cometeria esse erro novamente.

Gales sentia muito a falta de Ramsey. Apesar da aplicação e da vontade serem as mesmas de outros jogos, o ataque foi inofensivo e mal ameaçou Rui Patricio. Bale ficou sobrecarregado com a responsabilidade de decidir quase tudo sozinho. Forçou jogadas individuais, errou passes fáceis e somente em uma bela arrancada, desde a lateral direita até a entrada da área, conseguiu levar algum perigo. Mas chutou no meio do gol, para defesa tranquila do goleiro português.

Era uma partida “estudada”. Aquele cheiro de prorrogação tão comum aos jogos de Portugal estava novamente no ar. Seria bom para Gales também, que não atuava bem, se o jogo seguisse travado. Mas o craque apareceu. Em jogada ensaiada de escanteio, Cristiano Ronaldo subiu muito. Figurativamente, flutuou. Desta vez, não havia ninguém em volta quando soltou um míssil em linha reta, que Hennessey só conseguiu avistar quando olhou para trás.

 

Gales não teve tempo nem de reagir. Três minutos depois, o mesmo Cristiano Ronaldo arriscou chute cruzado de fora da área, e Nani interceptou, enganando o goleiro galês. De repente, o duelo equilibrado estava quase decidido. Gales passou a enfrentar seu maior desafio nesta Eurocopa e mostrou que havia gastado todos seus milagres.  Bateu no teto. Não conseguiu ser mais brilhante do que já havia sido.

E sentiu o baque. Portugal começou a passear. Tinha campo para o contra-ataque e enfrentava adversários nervosos, ansiosos, erráticos. Hennessey, principalmente. Soltou um chute de Nani aos pés de João Mario e não levou o terceiro por pouco. Em finalização de Danilo, deixou a bola passar e estava prestes a levar um frangaço quando se recuperou e a salvou em cima da linha. Bale continuava tentando, mas já era tarde demais.

Quem avançou na Eurocopa foi Portugal que, se não foi o time mais vistoso da competição, foi eficiente, soube administrar as suas partidas e, na hora certa, cresceu de rendimento para, enfim, transformar a carruagem de Gales em abóbora. Agora, que venha a decisão.

Bônus

Dois monstros.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo