Eurocopa

“Olhando para trás, não acho que deveríamos ter voltado a campo”, diz técnico da Dinamarca

Kasper Hjulmand elogiou o esforço dos jogadores, mas sugeriu arrependimento de ter voltado a campo para terminar a partida contra a Finlândia

O treinador da Dinamarca, Kasper Hjulmand, afirmou neste domingo que a sua equipe não deveria ter voltado ao gramado para disputar o restante da partida contra a Finlândia, no último sábado, após o colapso em que Christian Eriksen teve uma parada cardíaca, por volta dos 42 minutos do primeiro tempo.

Quando a Uefa anunciou que o jogo seria retomado cerca de duas horas depois de Eriksen desabar no gramado, já havia notícias de que ele estava consciente e em condição estável. Ainda assim, foi uma decisão que surpreendeu porque era difícil imaginar que os jogadores teriam condições psicológicas de jogar uma partida de futebol depois de quase perderem um amigo.

A entidade explicou que a partida foi retomada a pedido dos próprios jogadores. A Finlândia ganhou por 1 a 0, com Pierre-Emile Hojbjerg perdendo pênalti. Na entrevista coletiva posterior, Hjulmand afirmou que tinha sido melhor “tirar aquilo da frente”, mas, em uma segunda conversa com jornalistas neste domingo, sugeriu ter se arrependido daquela decisão.

“Olhando para trás, eu penso se poderíamos ter feito algo diferente”, afirmou, segundo a agência de notícias AP. “Porque quando olho para trás, eu honestamente acho que não deveríamos ter voltado a campo. Estou muito orgulhoso que os jogadores tenham se mobilizado e tentado. Foi um grande esforço. Mas eu fico com a consciência pesada por termos voltado ao gramado”.

Em outra resposta, publicada pelo jornal dinamarquês Tipsbladet, Hjulmand afirmou que tinha a sensação bem clara de que havia apenas duas opções: terminar o jogo no sábado ou disputá-lo novamente no domingo. Embora o próximo jogo da Dinamarca, contra a Bélgica, seja apenas na quinta-feira, a Finlândia voltará a campo na quarta para enfrentar a Rússia.

Tanto Hjulmand quanto o diretor da seleção, Peter Moller, negaram que tenha havido pressão da Uefa, que ainda não se esclareceu se deixou os jogadores dinamarqueses confortáveis para decidir quando a partida seria realizada, além dessas duas opções já citadas – a menos ruim e a ruim. “Acho que é totalmente relevante que posteriormente questionemos se foi a decisão certa”, disse Moller, também segundo o Tipsbladet.

Peter Schmeichel, na BBC, foi menos diplomático. “Algo terrível acontece e a Uefa dá aos jogadores a opção de voltar e disputar a partida, os últimos 55 minutos, ou o que quer que seja, ou voltar ao meio-dia (do dia seguinte). Que tipo de opção é essa? Não era uma opção. Foi uma decisão ridícula da Uefa e eles deveriam ter tentado organizar um cenário diferente e mostrar um pouco de compaixão, mas não o fizeram”, disse.

“Por que ao meio dia? Por que levar a grade da televisão e tudo isso em consideração? Por que meio dia? Isso foi ridículo e, sendo justo, o resultado do jogo é completamente irrelevante e tenho que ser muito honesto… nós obviamente tomamos a decisão de que, se os jogadores voltassem para jogar, seria apenas se Christian estivesse bem e quero dizer vivo e falando com os jogadores. Eles sabiam que ele estava ok”, completou o lendário ex-goleiro da Dinamarca e do Manchester United.

Outro ídolo dinamarquês, Michael Laudrup afirmou que foi injusto que os jogadores tivessem que tomar uma decisão pouco tempo depois de um episódio tão traumatizante. “A Uefa deveria ter dito: não jogaremos mais hoje à noite e depois vemos as possibilidades. Respeito que os jogadores tomaram a decisão em conjunto com os finlandês, mas, quando uma coisa dessas acontece, suas emoções estão no controle e você não tem a habilidade de tomar uma decisão importante. Alguém tinha que ter dito ‘pare’ e vamos ver. E com isso, quero dizer a Uefa. Jogar ao meio dia do dia seguinte não faz sentido. Vários jogadores não teriam dormido e teriam que acordar às 8h, ir ao Estádio Parken às 10h e jogar ao meio dia”, afirmou.

“Ele tinha ido”

O médico da seleção dinamarquesa, Morten Boesen, confirmou que Eriksen sofreu uma parada cardíaca. “Ele se foi. O quão perto estávamos de perdê-lo completamente? Não sei. Não tenho detalhes de por que isso aconteceu, mas tivemos que começar com uma massagem cardíaca. Com um choque de desfibrilador ele estava de volta. Foi bem rápido”, afirmou, segundo o site dinamarquês BT.

Boesen que a rapidez entre o colapso e o atendimento médico no gramado foi decisiva. “O tempo entre o que aconteceu e ele começar a receber ajuda foi o fator mais importante. E esse foi um tempo bem curto. Isso foi decisivo. Eles agora estão fazendo uma série de testes no hospital que podem nos dar algumas das respostas. Mas ele está acordado e respondendo perguntas claramente. Seu coração está batendo novamente”, acrescentou.

“Christian está preocupado conosco”

O técnico da Dinamarca também deu detalhes sobre uma conversa que teve com Eriksen. “Ele estava preocupado conosco. Ele não se lembra de muito do que aconteceu ontem (sábado) e perguntou como estava o time. É típico de Christian… foi bom vê-lo sorrir”, disse Hjulmand.

“Christian é uma grande pessoa. Ele disse que talvez tenha sido pior para nós do que para ele porque ele quer voltar aos treinamentos. Temos que ver se conseguimos nos reunir e jogar por Christian”, completou.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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