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No quintal de sua antiga casa, Euro se desenha especial para Sterling, autor do gol da vitória da Inglaterra

Sterling nasceu na Jamaica, mas cresceu a 900 metros de caminhada de Wembley - onde pode disputar quase toda a Euro 2020

Na prática, a Inglaterra deve disputar a Eurocopa em casa. Caso seja a primeira do grupo, o que foi bem encaminhado com a vitória sobre a Croácia na primeira rodada, jogará todas as suas partidas, menos as quartas de final, em Wembley. E isso torna a competição muito especial para um jogador em particular: Raheem Sterling.

Sterling nasceu em Kingston, na Jamaica, e se mudou para a Inglaterra quando tinha cinco anos. Cresceu nos arredores de Wembley. Não à toa, uma das suas tatuagens, no braço esquerdo, é um garoto olhando para os lendários arcos do estádio onde neste domingo ele marcou o primeiro gol da campanha inglesa na Eurocopa de 2020.

“Eu era de Wembley. Eu vivi em Wembley. Eu vivia em um moradia pública até minha mãe conseguir uma casa em Wembley. Dos oito aos 14 anos, eu vivi em Wembley”, afirmou, em 2019, quando comprou 550 ingresso da semifinal da Copa da Inglaterra entre o seu Manchester City e o Brighton para crianças da escola que frequentou naquele bairro.

“Não era o local mais chique, mas, para mim, era um local inacreditável. Era ótimo crescer lá. Tinha muita área verde, onde havia árvores e eu costumava comer maçãs. Minha escola era a cinco minutos de caminhada. Havia alguns garotos desagradáveis, mas eu não vivia em um bairro muito difícil”.

Em março de 2018, Sterling publicou em seu Instagram, antes de a Inglaterra enfrentar a Itália, uma foto destacando a casa onde morava e outra com o estádio onde, segundo ele, “sonhava em jogar”. As localizações estão separadas por 900 metros de caminhada – e isso tendo que dar uma voltinha. Seu primeiro jogo pela seleção inglesa em Wembley foi em 2014, quando ainda era uma revelação do Liverpool, em amistoso contra a Dinamarca.

Sterling foi titular de Gareth Southgate na primeira partida da Inglaterra na Eurocopa. A decisão se justificava mais pelo retrospecto recente do atacante pela seleção do que pela temporada que teve pelo seu clube. Foi a mais apagada desde que chegou ao Manchester City. Terminou-a em baixa. Mal atuou nas quartas e nas semifinais da Champions League. A sua escalação desde o começo na decisão contra o Chelsea foi uma surpresa de Pep Guardiola – e não deu lá muito certo.

Sob o comando de Southgate, no entanto, ele tem sido muito confiável. Agora, marcou onze vezes e deu sete assistências nos seus últimos 15 jogos pela Inglaterra, que ganhou todas as partidas em que o ponta deixou o seu nome no placar. Foi escalado pela esquerda, com Phil Foden pela direita, em um quarteto ofensivo que também contou com Harry Kane e Mason Mount.

Não foi a sua melhor partida. No primeiro tempo, pareceu um pouco nervoso. Recebeu algumas bolas em boa posição na grande área, mas hesitou na hora de chutar. Mas não desperdiçou a melhor chance, no começo do segundo tempo, quando recebeu o passe de Phillips e ficou cara a cara com Livakovic. Não foi a melhor finalização da sua carreira, mas suficiente para colocar a bola na rede e garantir a vitória.

Sterling tem moral com Southgate e retribui a confiança sempre que entra em campo. A menos que a Inglaterra vacile contra Escócia e Tchéquia, depois de ganhar o jogo teoricamente mais difícil do grupo, ele deve disputar quase uma Eurocopa inteira no quintal da sua antiga casa. E com chances de ser campeão, embora a França ainda seja uma favorita destacada neste começo de competição. Não fica muito mais especial do que isso.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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