Eurocopa 2024

Goleiro da Espanha gera polêmica ao criticar Mbappé após posicionamento politíco

Craque francês se posicionou contra extrema-direita na França, mas Unai Simón não concordou com a fala do atacante

O atacante Kylian Mbappé se mostrou uma forte voz contra o extremismo político na França ao dar uma declaração no último domingo (16) sobre as eleições no país.

Craque de uma geração, o camisa 7 da seleção francesa destacou como os mais jovens podem mudar os rumos da nação frente a um avanço da extrema-direita no parlamento europeu. Discurso reforçado pelo colega Marcus Thuram e pelo técnico da França sub-21, Thierry Henry.

Porém, obviamente o assunto divide opiniões. A imprensa trouxe o debate para coletiva de imprensa de Unai Simón, goleiro titular da seleção da Espanha, que não concordou com o que disse Mbappé.

Simón acredita que jogadores deveriam só falar sobre futebol

É um discurso comum nas redes sociais. Quando uma pessoa, de uma área fora da política, se posiciona sobre um assunto que causa polarização, diversos perfis dizem que tal personalidade deveria ficar restrita ao assunto que trabalha e não apontar suas preferências políticas.

Foi exatamente esse caminho que Simón buscou trazer. O arqueiro detalhou que Mbappé tem muita repercussão no mundo pela sua figura e, por conta disso, deveria focar apenas no futebol, deixando assuntos políticos para outras “pessoas e entidades”.

— Kylian é uma pessoa que tem muita repercussão no mundo, na sociedade, nós jogadores temos muita repercussão. É um tema político, acho que muitas vezes temos a tendência de opinar muito sobre temas que não sei se deveríamos opinar ou não. Sou jogador de futebol, me dedico ao futebol e acredito que só deveria falar sobre assuntos esportivos e deixar os políticos para outras pessoas e entidades — afirmou Unai Simón.

O que disse Mbappé e demais figuras francesas sobre as eleições?

Os ideais da extrema-direita na França tem como foco um forte discurso contra imigração no país.

Mbappé, Thuram e Henry, o trio que se posicionou sobre o assunto nos últimos dias, são filhos de imigrantes e têm raízes em Camarões e Guadalupe, respectivamente. Até por isso, se justifica o que disseram.

Thuram, atacante da Internazionale, foi o primeiro a falar sobre o assunto, ainda no sábado (15).

Ele disse que “é preciso lutar para evitar” uma vitória do partido Reagrupamento Nacional (RN), da líder da extrema-direita Marine Le Pen, nas eleições legislativas antecipadas na França pelo presidente Emmanuel Macron, em 9 de junho.

Penso que a situação é triste e muito grave. Temos que dizer a todos para irem votar e que lutem diariamente para evitar uma vitória do RN — detalhou o atacante.

Mbappé reforçou o discurso do companheiro de seleção e deixou claro seu apoio aos valores de “tolerância, respeito e diversidade”.

O craque agora do Real Madrid também detalhou que a França se encontra em uma situação sem precedentes, exaltando a importância do público jovem na luta contra o extremismo.

— Estamos num momento crucial na história do país. Você tem que saber resolver as coisas e ver suas prioridades. Somos cidadãos acima de tudo, não devemos estar desligados do mundo. Estamos numa situação sem precedentes. Quero me dirigir a todos os franceses e, em particular, à geração jovem. Vemos que os extremos estão às portas do poder. Temos a possibilidade de mudar tudo.

— Espero que minha voz seja transmitida o máximo possível. Precisamos nos identificar com valores de tolerância, respeito, diversidade. Cada voz conta. Espero que façamos a escolha certa e tenhamos orgulho de vestir esta camisa novamente no dia 7 de julho. Compartilhamos os mesmos valores de Marcus [Thuram]. Estou com ele. Estamos num país onde há liberdade de expressão. Ele deu a sua opinião e eu estou do lado dele – finalizou Kylian.

Henry endossou o que disse a dupla e apoiou a importância de votar contra os pensamentos extremistas.

— Eu definitivamente sei para onde vamos. Só para dizer que compartilho tudo o que foi dito sobre o assunto que vocês conhecem bem, se entrarmos na política. Compartilho o que foi dito pelos jogadores e pelo técnico. O que pode bloquear os extremos é votar, então, vão votar! Pessoalmente sou contra tudo que divide — disse Thierry.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.
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