Eurocopa

16 jogadores que, mesmo com a eliminação nas oitavas, individualmente deixaram suas marcas na Euro 2020

Ao final das oitavas, destacamos jogadores que saíram em alta da Euro 2020, mesmo que seus times tenham decepcionado

A Euro 2020 encerrou sua primeira fase de mata-matas nesta terça-feira e mais oito seleções se despediram do torneio. Algumas decepções ficaram, em especial pelas ex-campeãs que arrumaram as malas logo cedo – Portugal, França, Alemanha e Países Baixos. Todavia, não dá para falar que tudo foi perdido para essas equipes na Eurocopa. Mesmo com as campanhas frustrantes, alguns jogadores se valorizaram individualmente, sejam aqueles menos conhecidos que viraram protagonistas, sejam os destaques individuais que cumpriram seu papel. Assim, depois das menções a 13 atletas que saíram com moral da fase de grupos, listamos mais 16 futebolistas (dois por time) que individualmente se sobressaíram nos eliminados das oitavas.

Ward, de Gales (Foto: Imago / One Football)

Danny Ward

Danny Ward está na Premier League de maneira quase ininterrupta desde 2013/14 e você muito provavelmente não o viu jogar. O goleiro era reserva do Liverpool e também esquenta o banco no Leicester. Quando teve uma chance como titular, emprestado ao Huddersfield Town, conquistou o acesso na Championship. E o arqueiro aproveitou bem a vitrine na Eurocopa com Gales. Apesar da goleada sofrida diante da Dinamarca, foi um dos melhores da posição na fase de grupos e ajudou sua equipe na campanha satisfatória. Depois de ter perdido a posição para o veterano Wayne Hennessey em 2016, desta vez botou o medalhão na sua reserva e justificou a confiança. Aos 28 anos, apresentou qualidades para buscar seu próprio espaço em clubes.

Bale dá seu discurso após a eliminação de Gales (Foto: Imago / One Football)

Gareth Bale

A Euro 2020 de Gareth Bale acabou sendo bem abaixo do que viveu em 2016, quando levou Gales até as semifinais do torneio. Ainda assim, o camisa 11 sai como protagonista de sua seleção. A classificação aos mata-matas entra muito em sua conta, pela partidaça que fez diante da Turquia na fase de grupos. Não conseguiu ser constante como em outros tempos, reflexo do que se nota também nos clubes, mas permaneceu como referência técnica de uma equipe que perdeu forças em relação a cinco anos atrás. Se este pode ter sido seu último torneio internacional com os galeses, ao menos saiu com o dever cumprido do ponto de vista individual.

Grillitsch, da Áustria (Foto: Imago / One Football)

Florian Grillitsch

A Áustria não apresentou muito em suas duas primeiras partidas na Euro 2020. A equipe cresceu a partir da vitória sobre a Ucrânia, antes de dar trabalho para a Itália nas oitavas de final. E um dos motivos à melhora foi a entrada de Grillitsch no meio-campo. O volante virou titular diante dos ucranianos e deu mais consistência à cabeça de área, com eficiência na construção e solidez nos combates. Ajudou o coletivo como um todo. Aos 25 anos, esta foi sua primeira competição internacional e nem sempre pintou no 11 inicial quando convocado. Merece ser mais considerado não apenas pelo técnico Franco Foda, como dentro da própria Bundesliga, titular do Hoffenheim há quatro temporadas.

David Alaba, da Áustria (Foto: Imago / One Football)

David Alaba

A utilização de David Alaba na seleção da Áustria foi uma questão. O mais comum na equipe nacional era ver o camisa 8 escalado no meio-campo. Durante a Eurocopa, ele seria contido à linha defensiva. E teve uma influência enorme na classificação rumo às oitavas, especialmente por carregar os companheiros quando o jogo não fluiu tão bem. Como zagueiro ou como lateral, Alaba foi uma das principais fontes de organização e criação dos austríacos, ao lado de Marcel Sabitzer. Garantiu duas assistências e foi muito participativo. Contra a Itália não se deu tão bem, mas ainda assim quase fez estrago na jogada do tento anulado de Marko Arnautovic. Deu uma boa mostra de sua versatilidade, antes de se juntar ao Real Madrid.

Wijnaldum, da seleção holandesa (Imago / OneFootball)

Georginio Wijnaldum

A boa fase de grupos de Países Baixos passa muito por Wijnaldum. O meio-campista serviu de motor da equipe e impulsionou as três vitórias da Oranje, em especial por seu papel na ligação, aparecendo também para definir. Brilhou na emocionante partida contra a Ucrânia e também contribuiu bastante ao passeio diante da Macedônia do Norte. Faltou corresponder exatamente no jogo da eliminação, contra a República Tcheca, mas fica difícil botar em sua conta quando toda a equipe não foi bem. O capitão laranja chega ainda mais respaldado para consertar o meio-campo do Paris Saint-Germain na próxima temporada.

Dumfries comemora gol pela Holanda (Foto: Maurice van Steen/Imago/One Football)

Denzel Dumfries

Quando tinha apenas 17 anos, Dumfries defendeu a seleção de Aruba em duas partidas. No fim das contas, optaria por apostar em si no sonho de defender Países Baixos e sairia da Eurocopa como um dos melhores laterais direitos da competição. O esquema tático de Frank de Boer o ajudou, com toda a liberdade para subir como ala. Porém, não se nega também como o jovem de 25 anos agarrou bem a oportunidade. Foi muito efetivo e participou bastante dos lances mais agudos da Oranje. Seria decisivo nas vitórias contra a Ucrânia e contra a Áustria, mas mesmo contra a República Tcheca não se saiu mal, adiando os gols dos adversários. Destaque no PSV há três temporadas, esta parece uma boa chance se quiser sair da Eredivisie.

Orsic, da Croácia (Foto: Imago / One Football)

Mislav Orsic

Quem viu as boas participações do Dinamo Zagreb nas últimas competições continentais já conhecia o talento de Orsic. O ponta, afinal, acabou com o Tottenham na Liga Europa passada e antes já tinha maltratado a Atalanta na Champions. A impressão é de que poderia ter ganhado mais minutos na Euro 2020. Só entrou contra a Espanha e, bem, se a Croácia reviveu rumo à prorrogação, seus méritos são evidentes. O ponta esquerda mudou o jogo, com um gol e uma assistência. Aos 28 anos, seu mercado é mais limitado. Mas pode ao menos ser melhor aproveitado pela seleção, mesmo com a concorrência de Ivan Perisic pelo lado esquerdo. Disputou apenas dez partidas no nível principal com os croatas.

Perisic, da Croácia (Foto: MB Media/Imago/One Football)

Ivan Perisic

Da geração vice-campeã mundial em 2018, Perisic foi o mais decisivo para que a Croácia realizasse uma campanha digna na Eurocopa, por mais que a seleção tenha perdido forças nestes últimos três anos. Se Luka Modric exibiu uma pitada de seu talento contra a Escócia, o camisa 4 também brilhou naquela partida e já tinha mudado os rumos do empate contra a República Tcheca na rodada anterior. Uma pena que a COVID-19 acabasse brecando sua sequência, indisponível para encarar a Espanha nas oitavas. Somando fases finais de Eurocopa e Copa do Mundo, Perisic anotou nove gols e cinco assistências em 20 partidas. Diz muito sobre a maneira como dá seu máximo pela seleção. Aos 32 anos, ainda tem tempo para mais algumas aparições internacionais.

Emil Forsberg comemora o seu gol, de pênalti, que deu a vitória à Suécia (Imago / OneFootball)

Emil Forsberg

Forsberg é a referência técnica da seleção sueca faz algum tempo, sobretudo após a aposentadoria de Zlatan Ibrahimovic – independentemente da volta do centroavante. E se ainda faltava um grande torneio internacional ao meia esquerda, individualmente falando, a Euro 2020 preencheu essa lacuna. O camisa 10 gastou a bola, com quatro gols marcados, se tornando o maior artilheiro de sua seleção em uma única edição de Eurocopa. Mais do que isso, apresentou um repertório imenso na criação e na definição das jogadas, levando sua equipe a pender ao lado esquerdo. Comandou os triunfos sobre Eslováquia e Polônia. E ainda jogou demais na eliminação contra a Ucrânia, barrado pela trave duas vezes. Revitalizou seu nome nesta temporada para seguir como uma liderança da Suécia e também do RB Leipzig, aos 29 anos.

Alexander Isak (Foto: Imago / One Football)

Alexander Isak

Isak apareceu muito cedo para o futebol e alguns mais apressados começaram a classificá-lo como um “flop”. A Real Sociedad foi importante para sua afirmação em alto nível e a Euro 2020 mostrou como o ataque da Suécia terá bons recursos por um longo tempo. Combinando velocidade e agressividade, o jovem de 21 anos atormentou os marcadores durante vários momentos da competição. Curiosamente, não marcou um gol sequer, mas as duas assistências ressaltam um pouco mais seu valor. Uma pena que a dupla com Dejan Kulusevski só tenha pintado no fim da campanha, após seu parceiro contrair COVID-19 antes da estreia. Ainda assim, indicaram um caminho além do pragmatismo aos escandinavos, municiados também por Forsberg.

Paul Pogba (Foto: Imago / One Football)

Paul Pogba

Pogba é um craque que muitas vezes não aparece nos clubes. Pela seleção, em compensação, o meio-campista quase sempre nos faz questão de apresentar o talento que tem. E seria assim ao longo da Euro 2020, mesmo que a França tenha ficado devendo coletivamente. Pogba desfilou o melhor de sua classe na competição continental, com passes absurdos, dribles elegantes e um gol de placa no jogaço diante da Suíça. Mesmo saindo tão cedo do certame, é candidato à seleção do torneio – pelo menos entre os 22 melhores. Alguns dos lances mais empolgantes desta Eurocopa tiveram sua assinatura. É ver se tamanha vontade se reproduz também no Manchester United.

Benzema, da França (Foto: Norbert Scanella/Imago/One Football)

Karim Benzema

Benzema voltou à seleção da França como um acréscimo e tanto, depois de seu longo exílio da equipe nacional. A impressão era de que o veterano poderia elevar o patamar ofensivo dos campeões do mundo e, de fato, isso aconteceu. Ainda demorou a se encontrar, mas já decidiria contra Portugal. E a partidaça diante da Suíça tem um pouco mais de brilho por sua apresentação individual. O domínio no lance do primeiro gol representa bem o tamanho da técnica de Benzema. Se os planos dos Bleus se frustraram cedo, não foi culpa do centroavante, que mostrou como realmente a linha de ataque fica melhor com sua presença.

Robin Gosens, da Alemanha (Foto: Imago / One Football)

Robin Gosens

A campanha de Gosens, e da própria Alemanha, não foi constante na Eurocopa. Ainda assim, a maneira como debulhou Portugal na segunda rodada merece menção especial. As combinações com Joshua Kimmich nas alas acabaram sendo a principal arma da Mannschaft no torneio. E o destaque da Atalanta se apresentou aos seus compatriotas, que nunca o viram atuar na Bundesliga. Tinha feito um bom jogo contra a França também, mas acabou bem marcado no empate contra a Hungria e principalmente na derrota diante da Inglaterra. Aos 26 anos, tende a ser bastante especulado no mercado.

Havertz, da Alemanha (Foto: Imago / One Football)

Kai Havertz

Para quem decidiu a final da Champions, a Eurocopa nem vale tanto assim para a exposição de Havertz. Porém, aos 22 anos, o atacante acabou como um dos melhores da Alemanha em seu primeiro torneio internacional. Foi aquele que mais apareceu na linha ofensiva e salvou sua pele individualmente. O funcionamento do time contra Portugal dependeu muito de sua mobilidade, enquanto guardou seu tento também contra a Hungria. Já diante da Inglaterra, além de exigir a melhor defesa de Jordan Pickford, viu seus companheiros desperdiçarem os dois melhores lances – criados a partir dos passes do garoto. Até por sua idade, tem muito a crescer.

Renato Sanches, de Portugal (Foto: Imago / One Football)

Renato Sanches

Revelação da Euro 2016, Renato Sanches não cumpriu as expectativas ao redor de seu futebol nos últimos cinco anos. Todavia, a recuperação no Lille serviu para confirmar seu lugar na nova Eurocopa. E sua participação no torneio continental, de novo, seria positiva. O meio-campista ajudou a melhorar a equipe de Portugal, mesmo que o final da campanha tenha ficado aquém do título anterior. Deu bem mais gás e intensidade à faixa central, com participação decisiva diante da Hungria e uma ótima atuação contra a França. Também seria um dos melhores do time na eliminação para a Bélgica. Aos 23 anos, ainda tem tempo para ser mais regular.

Cristiano Ronaldo, em seu jogo do recorde (Foto: Imago / One Football)

Cristiano Ronaldo

A cobrança sobre um dos maiores jogadores da história sempre estará lá no alto e Cristiano Ronaldo não preponderou como sempre se espera diante da Bélgica. Contudo, o craque aproveitou a Euro 2020 para registrar mais alguns recordes. Virou o maior artilheiro da competição, o atleta com mais aparições e também com mais vitórias. Mais notável, ainda abocanhou a marca de maior goleador do futebol de seleções, igualando os 109 tentos estabelecidos por Ali Daei 15 anos atrás. Os pênaltis podem ter ajudado, mas os cinco gols registram seu melhor número numa única edição de Eurocopa. Ainda tem chances de terminar como artilheiro e, aos 36 anos, nem dá para duvidar que estará de novo em 2024. Sua parte ele fez, até mais que em 2016.

Mostrar mais

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo