Eurocopa

13 jogadores que, apesar da eliminação na fase de grupos, saem da Euro com o moral elevado em suas seleções

Apontamos alguns destaques individuais dos times que se despediram do torneio ao final da fase de grupos

A Eurocopa se despediu de suas primeiras oito seleções ao final da fase de grupos. Se o futebol não foi bom suficiente à classificação, ainda assim cada equipe teve seus destaques individuais e jogadores que saem com moral elevado, mesmo que o desempenho coletivo não tenha sido dos melhores. Abaixo, apontamos 13 desses atletas. Há novatos que despontam por seus países e desconhecidos que podem até descolar uma transferência, mas também protagonistas que comprovaram sua importância e mantiveram as esperanças vivas graças ao seu talento. Confira:

Skriniar comemora (Foto: Uefa)

Milan Skriniar (Eslováquia)

Skriniar chegou à Euro 2020 com o status de ser o homem de referência da Eslováquia e cumpriu essa missão, oferecendo até um pouquinho mais. O beque seria também decisivo na vitória sobre a Polônia na estreia, não apenas por ajudar a anular Robert Lewandowski, mas também por marcar o gol que definiu o resultado. Manteria o nível diante da Suécia. O problema foi mesmo contra a Espanha, quando sua experiência seria insuficiente para evitar a goleada. De qualquer maneira, sai bem cotado e substitui de vez Marek Hamsik como principal face do futebol eslovaco. Se já vinha em alta na Internazionale, talvez motive interessados em sua compra, como o PSG.

Pandev deixa o campo sob muitas homenagens (Foto: Imago / One Football)

Goran Pandev (Macedônia do Norte)

Pandev é uma lenda para o futebol da Macedônia do Norte e sua mera presença na Eurocopa parecia um prêmio e tanto por sua história na equipe nacional. Ainda assim, o veterano de 37 anos conseguiu sair maior por aquilo que ofereceu ao time. Se os macedônios tiveram bons momentos mesmo com três derrotas, Pandev é uma das explicações. O capitão marcou o gol de empate contra a Áustria e incomodou bastante diante de Países Baixos / Holanda por seus passes. Parecia flutuar em campo naquele que era seu jogo de despedida da seleção. Deixaria o gramado ovacionado por companheiros e também pelo público na Johan Cruyff Arena. Agora, precisa decidir quais os próximos passos por clubes, ao fim de seu contrato com o Genoa.

Dimitrievski pega o pênalti contra a Ucrânia (Foto: Imago / One Football)

Stole Dimitrievski (Macedônia do Norte)

A Macedônia do Norte tinha mais qualidade do meio para frente, seja por Pandev ou por nomes como Enis Bardhi. O sistema defensivo passava longe de ser o setor mais confiável do time e, por isso mesmo, Stole Dimitrievski acabaria como um dos goleiros mais exigidos da fase de grupos. Não evitou a eliminação, mas deu conta do recado na medida do possível, seja para defender chutes ou mesmo para controlar o espaço aéreo ao redor da meta. Chegou a pegar um pênalti contra a Ucrânia, de Ruslan Malinovskyi. Aos 27 anos, tende a aparecer no Campeonato Espanhol durante a próxima temporada, já que foi o titular na meta do Rayo Vallecano durante grande parte da campanha do acesso – embora Luca Zidane tenha ganhado a posição na reta final.

Billy Gilmour, da Escócia (Foto: Imago / One Football)

Billy Gilmour (Escócia)

Eleito o melhor em campo contra a Inglaterra, Gilmour parece uma das melhores notícias para o futuro da Escócia. Aos 20 anos, o meio-campista não se intimidou com a responsabilidade de atuar no clássico de seleções mais antigo do futebol e conseguiu ditar o ritmo de sua equipe, que em certos momentos controlou os favoritos. Uma pena que sua mostra nesta Euro tenha se restringido aos 90 minutos em Wembley. Reserva contra a República Tcheca, o garoto pegaria COVID-19 e perderia o jogo decisivo contra a Croácia. Fez falta. É ver como será aproveitado pelo Chelsea, podendo se tornar uma peça mais frequente nos atuais campeões europeus.

O’Donnell, da Escócia (Foto: Imago / One Football)

Stephen O’Donnell (Escócia)

O protagonista da Escócia na Euro 2020 foi Andy Robertson. Porém, a Tartan Army também viu uma opção interessante tomar conta de sua lateral direita. O’Donnell tem 29 anos e defende o pequeno Motherwell. Naquela que talvez tenha sido a grande oportunidade de sua carreira, ele fez bom papel, mesmo ciente de suas limitações. Conseguiu fechar o lado e dar bons combates por ali. Protagonizaria até mesmo um lance curioso com Jack Grealish, em pancada quando o inglês vinha mostrando habilidade. Não evitou a sangria diante da Croácia, mas talvez arranje contrato com um clube maior. No máximo, passou pela base do Celtic.

Hradecky, da Finlândia (Foto: Imago / One Football)

Lukas Hradecky (Finlândia)

O camisa 1 da Finlândia pode ser considerado o melhor goleiro da fase de grupos da Eurocopa. Se a equipe manteve as esperanças até o último dia da competição, muito se deve a Hradecky. O talento do arqueiro não é desconhecido, considerando suas boas passagens por Eintracht Frankfurt e Bayer Leverkusen. Ainda assim, realizou uma Euro 2020 acima da média entre os colegas de posição, providenciando uma estreia digna aos finlandeses. O ponto alto seria o pênalti defendido contra a Dinamarca, que permitiu a vitória, mas também seguraria a Bélgica por um bom tempo, até a infelicidade do gol contra. Aos 31 anos, deixa o torneio como um personagem histórico do futebol de seu país.

O’Shaughnessy, da Finlândia (Foto: Imago / One Football)

Daniel O’Shaughnessy (Finlândia)

A Finlândia dependeu muito de seus defensores para causar impacto na Eurocopa. O’Shaughnessy era um nome um tanto quanto desconhecido que pôde receber o reconhecimento internacional. O zagueiro de 26 anos defende o HJK Helsinque, um dos clubes mais tradicionais da liga local. Em 270 minutos de Euro, ganhou a fama que não conseguiria na equipe da capital. Trancou o lado esquerdo da defesa contra a Dinamarca e também se saiu bem diante da Rússia. A boa estatura auxiliou o bom aproveitamento no jogo aéreo. Com experiência em clubes como Metz, Brentford e Midtjylland, talvez descole uma nova passagem no exterior.

Müldür, da Turquia (Foto: Imago / One Football)

Mert Müldür (Turquia)

Pouquíssimo se salvou da malfadada campanha turca na Eurocopa. Müldür foi uma rara exceção. Se o time ainda cogitou derrotar a Suíça na última rodada, o trabalho do lateral esquerdo foi essencial. Reserva nos outros dois jogos, o defensor ganhou a posição e logo mostrou a que veio. Deu mais ofensividade ao time e exigiu três defesas difíceis do goleiro Yann Sommer, sem medo de chutar. Num dos lances, ainda quase marcou um gol espetacular, ao arrancar do campo de defesa. O curioso é que o jovem de 22 anos estava improvisado, já que costuma atuar como lateral direito no Sassuolo, onde acumula duas boas temporadas.

Safonov, da Rússia (Foto: Imago / One Football)

Matvey Safonov (Rússia)

Igor Akinfeev é um goleiro importante na história da Rússia mais por sua longevidade do que exatamente por sua qualidade. Mesmo sendo um dos heróis na Copa do Mundo de 2018, nunca foi dos mais confiáveis na posição. O veterano se aposentou da equipe nacional e Safonov indica um futuro mais seguro. O jovem de 22 anos é titular do Krasnodar e usa até a braçadeira de capitão. Começou a Euro como reserva e, depois de entrar no lugar de Anton Shunin, se saiu muito melhor. Não teria muito trabalho contra a Finlândia e, mesmo goleado pela Dinamarca, evitou um saldo pior – sem culpa nos gols adversários. Tem bom potencial.

Lewandowski, da Polônia (Foto: Imago / One Football)

Robert Lewandowski (Polônia)

Lewandowski parece até um corpo estranho nesta lista, mas merece ser citado. O centroavante esteve entre os melhores de sua posição na Euro, mesmo com um desempenho coletivo bem fraco da Polônia. Se o time seguiu com chances até o fim, isso se deve à forma como o craque carregou os poloneses ao longo da fase de grupos. Foram três gols e algumas chances desperdiçadas que poderiam ter rendido até mais. E desta vez Lewa foi além, ao puxar contra-ataques sozinho e dar passes para os colegas. Aos 32 anos, talvez não tenha mais tantas chances nas grandes competições. E se não tinha rendido na Euro 2016 ou na Copa de 2018, quando a cobrança já era enorme, sai com uma produtividade condizente ao seu alto nível nesta Eurocopa.

Kozlowski, da Polônia (Foto: Imago / One Football)

Kacper Kozlowski (Polônia)

Kozlowski nem conseguiu apresentar muito na Euro 2020, mas fez o suficiente para entrar nos livros de história da competição continental. Aos 17 anos, o meio-campista quebrou o recorde de mais jovem a disputar um jogo pelo torneio, que Jude Bellingham tinha estabelecido também nesta edição. O fenômeno despontou cedo nas seleções de base e também vem de boa temporada com o Pogon Szczecin no Campeonato Polonês. A vitrine da Eurocopa talvez auxilie num salto maior. O fato de ter se recuperado de um acidente de automóvel meses atrás torna sua ascensão ainda mais fantástica.

Sallai, da Hungria (Foto: Imago / One Football)

Roland Sallai (Hungria)

Dentre as oito seleções eliminadas, a Hungria foi a que certamente apresentou o melhor futebol. Roland Sallai tem grande papel nisso, ao liderar a ofensiva magiar. O atacante de 24 anos vinha de uma boa temporada com o Freiburg e excedeu as expectativas, formando uma dupla muito azeitada com o veterano Ádám Szalai. Jogando como segundo atacante, Sallai caía pelos dois lados e foi um incômodo constante às três favoritas do Grupo F. Deu assistências contra França e Alemanha, além de causar pesadelos em Portugal até que os adversários matassem o jogo no final. Muito rápido e inteligente, talvez mereça mais consideração ao voltar para a Bundesliga, onde costuma entrar como ponta direita.

Nagy, da Hungria (Foto: Imago / One Football)

Ádám Nagy (Hungria)

A Hungria se caracterizou por um trabalho abnegado no meio-campo, protegendo bem sua defesa, mas tinha qualidade também por ali. Nagy acabou se tornando referência no setor, ainda mais diante da ausência de Dominik Szoboszlai. O volante era importante para organizar sua equipe e também para ajudar seu ataque, assim como por seu papel na contenção. O gol contra a França surgiu numa inversão de bola do volante, que foi muito bem ainda contra a Alemanha, seja para trancar a cabeça de área ou para ligar o ataque em velocidade. Aos 26 anos, não tem tanto mercado quanto o companheiro András Schäfer, autor do segundo gol diante dos alemães. Ainda assim, talvez possa buscar um destino maior que o Bristol City.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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