Candidato a melhor goleiro da Euro 2020, Sommer manteve a Suíça viva o máximo que conseguiu
O goleiro de 32 anos fez oito defesas na prorrogação e ainda pegou um pênalti, apesar da eliminação contra a Espanha
Uma partida morna e que parecia sob controle da Espanha pegou fogo em um intervalo de dez minutos, a partir do gol de empate de Xherdan Shaqiri e da expulsão de Remo Freuler. A meta suíça passou a ser bombardeada, e se os helvéticos conseguiram chegar aos pênaltis foi por causa do seu goleiro. Yann Sommer ainda defendeu uma cobrança e manteve a sua seleção no páreo o máximo que conseguiu, embora não pudesse fazer nada para evitar a eliminação.
Sommer, aos 32 anos, está entre os mais experientes da seleção suíça. Acompanhou a geração de Shaqiri e Xhaka ao longo da última década. Foi o goleiro do vice-campeonato europeu sub-21 em 2011 e ganhou a posição de Diego Benaglio a partir da Copa do Mundo de 2014. Foi naquela época também que se transferiu do Basel para o Borussia Monchengladbach para se tornar um dos goleiros mais regulares da Bundesliga.
Desde que se tornou o protetor da meta helvética, Sommer tem acumulado boas exibições nas grandes competições, mas esta tem sido especial. Mesmo eliminado, é candidato ao melhor goleiro da Euro 2020 pelas suas atuações desde a terceira rodada da fase de grupos. Se não teve muito trabalho contra o frágil ataque galês na estreia e não conseguiu evitar a vitória da Itália, foi decisivo contra a Turquia, vitória que garantiu a Suíça nas oitavas de final.
Fez cinco defesas no grande thriller contra a França em Bucareste, mas, principalmente, defendeu o pênalti de Kylian Mbappé que assegurou a maior vitória da sua geração. Mas tudo aperitivo. O prato principal chegou nesta sexta-feira, quando realizou dez defesas, oito (!) somente na prorrogação, e ainda defendeu a cobrança de Rodri na disputa final. Não contou, porém, com a precisão dos seus colegas, que erraram três batidas seguidas.
Nem todas as defesas foram espetaculares. A maioria, porém, mostrou muita confiança e senso de posicionamento de Sommer, como em uma batida de Oyarzabal pela direita, na cabeça de Sergio Busquets, após cobrança de escanteio de Dani Olmo na primeira trave, ou em um chute mascado de Gerard Moreno da entrada da área.
Outras três foram mais especiais. Aos seis minutos, espalmou com a ponta dos dedos da mão esquerda a bomba de fora da área de Jordi Alba. Depois, Gerard Moreno pegou a sobra de uma dividida entre Oyarzabal e Ricardo Rodríguez e encheu o pé à queima-roupa. Sério: muito à queima-roupa. Sommer conseguiu espalmar com as duas mãos. Ainda voou para espalmar a batida colocada de Oyarzabal do bico direito da grande área que tinha endereço certo.
Nos pênaltis, comemorou quando Sergio Busquets mandou a primeira cobrança na trave. Após Fabian Schär desperdiçar sua batida, defendeu o chute de Rodri para manter a Suíça em vantagem, mas Manuel Akanji e Ruben Vargas perderam dois pênaltis em sequência.
Quando Oyarzabal foi à marca do cal para a batida decisiva, o único fiapo de esperança que sobrava no torcedor suíço era devido ao seu goleiro. Havia feito tantas defesas incríveis ao longo da partida que havia uma pequena chance de um milagre, mas o jogador da Real Sociedad cruzou com firmeza de perna esquerda, e Sommer pulou para o outro lado.
Tudo bem. Não dá para cobrar mais de Sommer. Enquanto pode, fez tudo ao seu alcance para manter a Suíça viva na Eurocopa.
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