Eurocopa

Num jogo em que o ataque da Suíça brilhou, a tranquilidade foi garantida pela atuação de Sommer

Sommer realizou quatro grandes defesas no primeiro tempo e também seria responsável direto pelo triunfo

Xherdan Shaqiri, com todos os motivos, recebe os louros pela atuação contra a Turquia na terceira rodada da Euro 2020. Marcou um golaço e foi o protagonista que se espera na seleção, como não tinha aparecido nas partidas anteriores. A grande exibição da Suíça, no entanto, teve outros tantos destaques. Granit Xhaka comandou o meio-campo, Steven Zuber deu muito mais força ao lado esquerdo, até mesmo Haris Seferovic entregou o que tanto se pedia. Porém, se a vitória por 3 a 1 se sustentou, também há grandes méritos do goleiro Yann Sommer. O veterano teria uma noite praticamente perfeita sob os paus. Acumulou defesaças e permitiu que seus companheiros construíssem o triunfo.

Sommer está entre os jogadores mais experientes da seleção da Suíça. Aos 32 anos, o goleiro soma 64 partidas pela equipe nacional. Sua história imponente, porém, começa na base. O arqueiro passou por todas as categorias e viveu seu ápice no Campeonato Europeu Sub-21 de 2011. Numa equipe que também incluía Xhaka e Shaqiri, os suíços não tomaram um gol sequer na caminhada até a decisão. Apesar da derrota para a Espanha de Thiago Alcântara e David de Gea na final, o vice apresentava o potencial daquela geração entre os helvéticos – e de seu próprio camisa 1, que também usava a braçadeira de capitão.

Sommer ganhou sua primeira convocação à seleção principal em 2012. Esta Eurocopa é sua quarta competição internacional pelo país, a terceira consecutiva, depois de ganhar a posição antes pertencente a Diego Benaglio após a Copa do Mundo de 2014. E o camisa 1 justifica tal confiança. Mantém a segurança e é capaz de operar seus milagres, ainda que oscile em alguns jogos. Não à toa, manteve-se à frente de outros concorrentes em atividade na Bundesliga, como Roman Bürki ou Marwin Hitz. Chegou à Euro 2020 como uma natural liderança por sua história.

O momento também favorece Sommer. Revelado pelo Basel, o arqueiro defende as cores do Borussia Mönchengladbach desde 2014 – quando foi o escolhido para suprir a venda de Marc-André ter Stegen ao Barcelona. O suíço manteve a titularidade dos Potros desde então e é um dos principais responsáveis pelos bons desempenhos da equipe na Bundesliga. Já são quase 300 partidas nestes sete anos com os alvinegros. Foi eleito pela própria liga como o melhor goleiro da temporada 2019/20 e por três vezes esteve entre os cinco melhores da posição na pontuação da revista Kicker. Também foi eleito o jogador do ano na Suíça em 2016 e em 2018.

As premiações de Sommer, aliás, apontam como o goleiro costuma se dar bem nas grandes competições. Suas condecorações não foram à toa, especialmente pelo ótimo desempenho que teve na Euro 2016, eleito inclusive o melhor em campo contra a França na fase de grupos. Se em ambos os torneios a Suíça alcançou as oitavas de final, o goleiro teve sua responsabilidade. E não seria diferente na Euro 2020, com muitos dos companheiros mais reconhecidos já em declínio. Sommer, pelo contrário, continuou em alta com o Gladbach e ganhou ainda mais rodagem nas competições continentais. Entre suas proezas dos últimos anos, esteve o duelo pela Liga das Nações com a Espanha em que defendeu dois pênaltis de Sergio Ramos.

Nesta Euro, Sommer não evitou a derrota contra a Itália e também não apareceria tanto diante de Gales, apesar de uma grande defesa durante o primeiro tempo. Foi contra a Turquia que o goleiro seria mais exigido. E faria a diferença antes mesmo que seus companheiros abrissem o placar. Dois minutos antes do gol de Haris Seferovic, o camisa 1 impediu que Kaan Ayhan marcasse pelos turcos. O meio-campista mandou um míssil de fora da área e o veterano estava lá, bem colocado para espalmar o tiro venenoso. Só depois disso é que seus colegas iniciariam o triunfo.

Ainda assim, o primeiro tempo garantiu uma boa vantagem à Suíça graças a Sommer. O goleiro travou ainda um duelo particular com Mert Müldür, lateral esquerdo que foi um dos principais escapes da Turquia. Os turcos não tinham problemas para finalizar e arriscavam muito de fora da área. Sommer estava sempre presente. Realizou uma defesa difícil de mão trocada contra Müldür, pouco antes de Shaqiri ampliar com seu golaço. Depois, Müldür pararia no paredão outras duas vezes. Primeiro num míssil de fora da área, naquela que talvez tenha sido a defesa mais difícil de Sommer. Logo após, num belíssimo lance individual, no qual o arqueiro frustrou o adversário.

Durante o segundo tempo, Sommer não conseguiu evitar a pintura de Irfan Can Kahveci. E a verdade é que o goleiro se tornou mais um espectador, num jogo em que a Suíça se mostrava bem mais interessada em atacar. Ugurcan Çakir também operaria seus milagres do outro lado, mesmo tomando o segundo tento de Shaqiri. Entretanto, passaria longe de ter a mesma influência de Sommer, considerando a maneira como este transformou um jogo potencialmente difícil aos suíços em um triunfo de boa vantagem para pleitear uma vaga entre os melhores terceiros colocados.

A continuidade da Suíça na Eurocopa ainda depende dos outros grupos. A equipe tende a avançar sem tantas responsabilidades, como um dos times menos badalados dos mata-matas. Mas há um bom goleiro para sustentar as esperanças dos helvéticos. Foi isso o que Sommer conseguiu em Baku. Quem sabe, para brilhar na sequência do torneio e até abocanhar mais um prêmio de jogador do ano no país. Seu desempenho nas grandes competições ajuda a construir sua importância à história da seleção.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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