Eurocopa

Lembra dele? Angelos Basinas, o volante que assombrou a Europa com a Grécia em 2004, faz 48 anos hoje

Basinas foi campeão pelo Panathinaikos, calou o Estádio da Luz e surpreendeu o mundo com a Grécia

Angelos Basinas era o tipo de jogador que todo o time precisava ter. Volante clássico, marcador, mas que sabia cadenciar o jogo quando necessário, ditava o ritmo da partida e tinha uma boa chegada no ataque, já que ao longo de suas 437 partidas, marcou 43 gols, além de ter dado 17 assistências, em 15 anos de carreira. Parou de jogar aos 34 anos defendendo o Arles-Avignon da França. Nesta quarta-feira (3), o ex-volante completa 48 anos e vamos relembrar as passagens mais marcantes do jogador, que surpreendeu a Europa e o mundo quando conquistou a Euro de 2004 com a Grécia diante de Portugal, em pleno Estádio da Luz, em Lisboa.

Revelado no Panathinaikos da Grécia, Basinas foi duas vezes campeão do Campeonato Grego, em 1996 e 2004, mesmo ano em que foi convocado pelo alemão Otto Rehhagel para a disputa da Eurocopa em Portugal. Muitos se lembrarão apenas da campanha que culminou com primeiro título europeu dos gregos, em um ano marcado por zebras, como o Porto campeão da Champions League e o Once Caldas vencendo a Libertadores, entretanto, a trajetória emblemática da Grécia já vinha desde a Eliminatória para a competição, com a equipe grega liderando o Grupo 6, o mesmo da Espanha e da Ucrânia.

Foram seis vitórias e dois empates e a consolidação de um estilo de jogo, pautado na forte marcação e um sistema de defesa quase intransponível. Neste esquema, Basinas atuava como meia esquerda, em um 4-3-3, ao lado de Katsouranis e Zagorakis, outros grandes nomes do futebol grego, que entraram para a história após o título da Eurocopa.

Categoria de Basinas e oportunismo de Charisteas ajudam a Grécia a conquistar a Europa

Basinas passou boa parte de sua carreira no Panathinaikos. Defendeu o clube grego por 11 temporadas e teve seu reconhecimento no cenário internacional após a participação histórica na Euro de 2004, disputada em Portugal. Mesmo a campanha brilhante nas Eliminatórias da Eurocopa não credenciava a Grécia como uma candidata ao título da competição, muito menos a passar de fase, tendo em vista que a equipe caiu no Grupo A da competição, ao lado dos donos da casa, da Espanha (que eram as grandes favoritas a passar na chave) e a Rússia.

Na estreia, um choque, não só para os portugueses, mas para o mundo da bola, já que a Grécia venceu por 2 x 1, em pleno Estádio do Dragão. Karagounis, em um chute de fora da área abriu o marcador logo aos sete minutos, e o próprio Basinas, em cobrança de pênalti, marcou o 2º gol grego, deixando os adeptos em estado de choque. Portugal ainda diminuiu com Cristiano Ronaldo, mas não foi o suficiente para evitar um capítulo histórico escrito pelos comandados de Otto Rehhagel.

Vale destacar que a geração portuguesa de 2004 era uma das mais talentosas, contava com lendas do futebol como Figo, Costinha, Cristiano Ronaldo, Deco, Maniche, Pauleta e era treinado por Luiz Felipe Scolari, atual campeão do mundo com a seleção brasileira em 2002. Após aquela vitória a Grécia empatou com a Espanha por 1 x 1 e perdeu para a Rússia por 2 x 1. Empatado no número de pontos com os espanhóis ao final dos três jogos, a Grécia seguiu fazendo história e passou para as quartas de final por conta do número de gols marcados.

A Grécia já tinha superado todas as expectativas ao desbancar a Espanha na primeira fase da Eurocopa. O adversário nas quartas de final seria a França, de Zidane, Henry, Trezeguet e companhia. Nem o mais otimista torcedor grego acreditaria na vitória e na classificação para uma histórica semifinal. Mas como no futebol nada é certo e nem sempre o favorito vence, a estilo de jogo dos gregos bloqueou toda e qualquer intenção de ataque dos franceses, que ainda viram Charisteas marcar um gol aos 19 minutos da etapa complementar e eliminar um dos favoritos ao título.

Conforme o time grego ia avançando, a alcunha de azarão foi sendo substituída por uma análise mais profunda e assertiva. A Grécia, apesar de ser um time defensivo, tinha uma geração muito talentosa, com nomes importantes como Giannakopoulos, Vryzas, Karagounis, Katsouranis. Atletas que após esta Eurocopa, assim como Basinas, que em 2006 trocou o Panthinaikos pelo Mallorca, foram jogar em outros centros do futebol do Velho Continente. Mesmo jogando de forma mais conservadora. O time grego sabia o que fazer com a bola e sabia sofrer, atacando nos momentos certos e sendo muito eficiente no ataque.

Neste sistema de jogo, Basinas tinha uma função importantíssima, de quebrar o jogo, cadenciar a partida quando o time era pressionado, além disso, o meia jogava como um autêntico camisa oito dos anos 80, segurando a bola e encontrando passes para os atacantes Charisteas e Giannakopoulos. Quando não conseguia contra-atacar, a Grécia apostava em sua forte bola aérea para tentar chegar com perigo. Foi assim, que os gregos venceram a forte República Tcheca de Nedved e Baros na semifinal e se classificou para a final daquela competição.

O adversário da decisão seria novamente o time português, que tinha entalado na garganta a derrota na abertura da Euro. Aos 11 minutos do 2º tempo daquela final, novamente o poder da bola aérea grega fez a diferença, com Basinas cruzando na entrada da pequena área e Charisteas fazendo o gol que deu o título da Eurocopa para a Grécia, calando Portugal e fazendo os críticos da bola repensarem muita coisa pelos prognósticos iniciais e pelas críticas ao estilo defensivo de Otto Rehhagel.

Sucesso na Grécia não se repetiu em outros times da Europa

Ao contrário do que muitos pensavam, Basinas não teve de longe o mesmo prestígio e destaque quando saiu do Panathinaikos. Contratado pelo Mallorca em 2006, o meia disputou apenas 84 partidas, marcando um gol e dando uma assistência. A partir deste momento, o que deveria ser um momento de ascensão em sua carreira, foi marcado por passagens sem brilho.

Basinas ainda voltou ao futebol grego para defender o AEK Atenas, mas disputou apenas 17 jogos, em seguida foi para o Portsmouth, em mais uma tentativa de melhorar seu repertório e rendimento em um grande centro do futebol internacional, mas disputou somente 20 jogos na Inglaterra. O ex-craque do Panathinaikos e da seleção da Grécia foi um jogador que conquistou um espaço enorme dentro de seu país, mas de certa forma decepcionou em outras ligas, tendo em vista o potencial que demonstrou na Euro de 2004.

 

Foto de Lucas de Souza

Lucas de Souza

Existe um ditado que diz que o bom filho a casa retorna não é? Pois bem, sou Lucas de Souza, redator e repórter do Futebol na Veia, de volta ao site após quatro anos, e agora redator do Trivela, um dos maiores portais de futebol do Brasil. Sou jornalista, especializado em Marketing digital e narrador do Portal Futebol Interior e também da RP2Marketing.
Botão Voltar ao topo