Eurocopa

A imagem do dia na Euro 2020: Whisky a go-go

Para quem se classificou em terceiro como a Tchéquia, um sonho a mais não faz mal

Depois de classificar para a fase de mata-mata da Eurocopa, a República Tcheca sabe que um sonho a mais não faz mal. O time mais imprevisível e bizarramente eficiente da competição derrubou mais um, e dos grandes. A Holanda se despediu neste domingo em seu primeiro teste eliminatório, apanhando da bola e falhando miseravelmente em dois lances cruciais. 

Apesar da superioridade implícita contra a Tchéquia, a Holanda precisava de meios para provar que merecia continuar no torneio. Mas assim como contra a Áustria, quando se viu sem tanto espaço, sofreu e se isolou sem criatividade. Já se sabia que os tchecos iriam jogar por uma ou duas bolas de perigo, e conforme o tempo passava, a equipe de Frank de Boer mostrou sua falta de recursos e de um plano adequado para a partida de oitavas de final em Budapeste, na Puskás Arena.

Talvez o mais preocupante de tudo para esta geração da Holanda é que, se sobram talentos, falta um comandante que saiba explorá-los da melhor forma. E isso quer dizer, obrigatoriamente, que De Boer não é esta pessoa. Escalar mal faz parte. Mas mexer mal ou com atraso diz muito sobre a visão que se tem do jogo. 

Técnico nenhum dá preleção ou se planeja esperando que seu zagueiro cometa um gesto de extrema burrice ao meter a mão na bola após um tropeço. E obviamente também não há como esperar que, diante da melhor chance do jogo, apenas com o goleiro na frente, seu centroavante decida por um drible displicente em vez de arrematar ao gol para abrir o placar.

A Holanda impressionou na primeira fase, é verdade, mas o mata-mata traz outra dinâmica, uma cruel dinâmica em que os erros crassos são sempre punidos. Ainda mais contra um adversário fechado e que concedia poucas finalizações como a Tchéquia. Nessa festa com gelo e Cuba Libre, os tchecos sentiram na pele aquela energia quando, em superioridade numérica, aproveitaram para abrir o placar com Tomas Holes, de cabeça. A casa holandesa desmoronou completamente com o gol inaugural.

De Boer evidenciou sua incapacidade ao não alterar nenhuma dinâmica tática ou de postura no time. Trocou seis por meia-dúzia e assistiu em pé à dança conduzida pelo camisa 10 Patrik Schick, que perguntava “Do you wanna dance?” junto à bandeira de escanteio. Quase no fim da festa, Schick sacramentou a eliminação da Laranja. A noite passou num segundo, o tempo voou feito uma canção.

E o holandês? O holandês não pode ver a Tchéquia pela frente, que já vai passando o CPF para colocar na nota da compra. Em 1976, a Laranja caiu para a então Tchecoslováquia, na Euro, com nove em campo, quando já se preparava para uma revanche contra a Alemanha. Não aconteceu, 3-1 para os tchecoslovacos. Em 2004, primeira fase, uma virada memorável para a equipe de Pavel Nedved, Tomas Rosicky, Jan Koller e agregados, por 3 a 2. Hoje, em 2021, certas coisas continuaram iguais. Há quem pense que o resultado foi inesperado, uma zebra, um acidente. Mas ele estava bem escrito há muito tempo…

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Felipe Portes

Felipe Portes é editor-chefe da Revista Relvado, zagueiro ocasional, ex-jornalista, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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