Eurocopa 2024

A França avança com autoridade. A Islândia se despede sem manchar seu orgulho

Uma potência contra uma surpresa. A maioria no estádio contra a torcida mais vibrante. Apenas uma vaga na semifinal. França e Islândia fizeram um duelo de disparidades no Stade de France, o que se evidenciou desde os primeiros minutos. E, diante da qualidade dos Bleus, o conto de fadas nórdico chegou ao seu final. Os franceses cresceram na Eurocopa, com sua atuação mais voraz neste domingo, que se combinou com o desmoronamento da fortaleza defensiva islandesa. Ao final, a vitória por 5 a 2 garante o duelo da França contra a Alemanha na próxima fase. Dá moral, independente das fragilidades do adversário. Do outro lado, o que vale mesmo à Islândia é o orgulho. A campanha muito acima de suas possibilidades, ainda mais contra países maiores, de investimento no futebol incomparavelmente superior. A lembrança pelos dois gols contra a seleção da casa. E a simbiose entre um time e sua torcida, marcada na lembrança por muito tempo.

VEJA TAMBÉM: Quando a Islândia ficou a 20 minutos de barrar a consagração da França de Zidane na Euro 2000

Diante da suspensão de Kanté, Didier Deschamps manteve a postura ofensiva vista no segundo tempo contra a Irlanda. Natural, diante de um adversário que teoricamente vinha para jogar mais fechado. Moussa Sissoko entrou na meia direita, em um 4-4-2 com Griezmann novamente centralizado – onde funciona bem mais. Já Matuidi voltou a aparecer bem, algo que não aconteceu no outro esquema. E justamente ele iniciou a jogada do gol, com apenas 12 minutos. O volante deu um excelente lançamento para Giroud, que saiu na cara do gol e bateu por baixo de Halldórsson.

A Islândia não conseguia manter a consistência defensiva de outras partidas. E viu seu sonho ruir oito minutos depois, com o segundo gol francês. Griezmann cobrou escanteio com perfeição, para Pogba subir livre e completar de cabeça. Depois disso, os islandeses até tentaram sair para o jogo, trabalhando a bola no campo ofensivo. Não conseguiam criar. As melhores tentativas aconteciam nas bolas paradas e nas cobranças longas de lateral com Gunnarsson. Pouco para triunfar.

No final do primeiro tempo, o talento da França abriu goleada. Em boa trama, Giroud escorou de cabeça e Griezmann serviu Payet, em chute preciso para anotar o terceiro. Já o quarto gol, o mais bonito, nasceu em uma enfiada de Pogba a partir do campo de defesa. Giroud deu um belíssimo corta-luz, que atrapalhou a defesa islandesa. Deixou Griezmann livre, para dar um leve toque por cobertura contra Halldórsson.

Para a etapa complementar, a Islândia veio logo com duas alterações. E, mesmo que os franceses seguissem levando perigo, os nórdicos ganharam consistência. Em cruzamento de Gylfi Sigurdsson, Sightorsson completou para as redes e até deu alguma esperança. Logo dissipada quando Payet cobrou falta de longe e, diante da indecisão da torcida, Giroud marcou o quarto. Na sequência o centroavante foi substituído, como um dos melhores em campo.

Com o jogo resolvido, a França diminuiu o ritmo. Viu a Islândia crescer e dominar a meia hora final. Lloris operou um milagre para impedir o gol de Ingason. Já aos 39, segundo tento saiu, em cruzamento de Skúlason que Bjarnason cabeceou para o gol. Naquele momento, o que valia era o orgulho. Deu tempo ainda de Eidur Gudjohnsen entrar, uma homenagem àquele que acompanhou todas as transformações da seleção islandesa nos últimos 20 anos. Recebeu a braçadeira de capitão e os aplausos da torcida.

À Islândia, coube se resignar pela derrota. Mas sem abaixar a cabeça. A torcida não deixou de gritar por um instante sequer. Já ao final da partida, quando os jogadores abatidos foram agradecê-la, o afago ganhou forma nos aplausos firmes, no grito forte, na postura altiva. Voltarão para casa em uma enorme festa. Permanece a França. Agora, com um desafio imenso contra a Alemanha, e a oportunidade da revanche por aquilo que aconteceu na Copa de 2014, em partida equilibrada. Os Bleus precisarão de tanta seriedade quanto neste domingo. Todavia, a consciência de um jogo que se desenhará de uma maneira totalmente diferente. Uma batalha na próxima quinta.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo