Conference League

O Bodo/Glimt impôs uma humilhação gigantesca sobre a Roma: 6×1 sem piedade e com muita qualidade

A Roma começou o jogo com reservas, o que não diminui a forma como o Bodo/Glimt surrou os italianos na Noruega

O Bodo/Glimt vive um franco crescimento nos últimos anos. Durante a temporada passada, os aurinegros já tinham chamado atenção dos italianos, quando deram trabalho ao Milan nas preliminares da Liga Europa. O clube conquistou pela primeira vez o Campeonato Norueguês em 2020, com recorde de pontos, e também se candidata ao bicampeonato neste final de 2021. Já na Conference League, a equipe registra sua primeira participação na fase de grupos de um torneio continental, e para ganhar as manchetes dos jornais na Itália com um feito imenso nesta quinta. O Bodo/Glimt simplesmente humilhou a Roma dentro do Estádio Aspmyra, com uma goleada por 6 a 1. Além do placar impactante, chama atenção a qualidade de diversos gols, ressaltando como os noruegueses são bem treinados. Os aurinegros fizeram o time de José Mourinho, recheado de reservas, parecer um catado. Foi a primeira vez na carreira que o português sofreu seis gols num mesmo jogo.

Tudo bem que Mourinho escalou uma equipe praticamente reserva na Noruega. Rui Patrício e Roger Ibañez eram os únicos do time titular que também começaram o duelo contra a Juventus no final de semana, enquanto os principais destaques do elenco ficavam no banco. Porém, nada disso serve para diminuir o baile do Bodo/Glimt – já que a maioria dos gols aconteceu com os astros dos giallorossi já em campo. A equipe dirigida por Kjetil Knudsen se caracterizou por um futebol extremamente ofensivo na conquista do último Campeonato Norueguês. Os aurinegros marcaram 103 gols em 30 rodadas, embora a média tenha caído na atual campanha. E se Jens Petter Hauge despontou no último ano, se transferindo ao Milan, outros talentos aproveitaram a vitrine contra a Roma. O atacante Erik Botheim, de 21 anos, foi o principal pesadelo dos italianos, com dois gols e três assistências. Ola Solbakken, Patrick Berg e Alfons Sampsted, todos com 23 anos, também fizeram bons papéis.

O Bodo/Glimt teve um início de jogo já arrasador. Tanto é que abriu dois gols de vantagem logo cedo. Numa linda troca de passes pela direita, aos oito minutos, Sondre Fet serviu e Erik Botheim apareceu na área para concluir. Os aurinegros moíam a Roma, com Rui Patrício trabalhando para evitar uma situação pior. Porém, o goleiro não teria o que fazer aos 20. Em mais um lance envolvente, Patrick Berg aproveitou o espaço na entrada da área e mandou um chutaço na gaveta. A Roma só acordou depois disso, descontando aos 28. Num belo lançamento de Amadou Diawara, Carles Pérez passou nas costas da zaga e mandou para dentro. Entretanto, não que a reação dos giallorossi tenha gerado tantas chances assim.

Na volta para o segundo tempo, José Mourinho fez três alterações, mandando a campo Bryan Cristante, Eldor Shomurodov e Henrikh Mkhitaryan. As trocas pouco adiantaram, já que o Bodo/Glimt marcou o terceiro aos sete minutos. Alfons Sampsted escapou da marcação na linha de fundo e rolou para mais um de Botheim. Mourinho ainda acionou Tammy Abraham e Lorenzo Pellegrini, o que não adiantou. Os noruegueses eram bem mais agressivos e, depois de um momento morno do jogo, abriram a goleada depois dos 26. Os contra-ataques eram fatais, também pela maneira como a defesa da Roma era extremamente passiva.

O quarto gol aproveitaria uma avenida no campo defensivo da Roma. Botheim enfiou a bola e Ola Solbakken escapou da marcação, antes de dar um toque de muita categoria na saída de Rui Patrício. Aos 33, o Bodo/Glimt marcou também o quinto. Mesmo caído, Botheim lançou a bola sentado e Amahl Pellegrino definiu cruzado, no canto. E a jogada até pareceu se repetir dois minutos depois, para o sexto tento. Desta vez Pellegrino deu a assistência e Solbakken até driblou Rui Patrício, antes de definir às redes vazias. Os romanistas pareciam desnorteados. Depois disso, os anfitriões tiraram o pé, antes de comemorarem muito ao apito final. A noite é histórica no norte da Noruega.

Independentemente do destino do Bodo/Glimt na Conference League, este é um resultado para marcar a ascensão recente do clube e a qualidade do futebol apresentado para esse impulso. É bem provável que outras promessas dessa equipe despontem em centros maiores da Europa e o crescimento vai resultar na inauguração de um novo estádio em breve. Já a Roma sai com mais uma humilhação continental (em currículo tão recheado delas), mas esta um tanto quanto singular pela diferença de orçamento entre os clubes. A coletiva de Mourinho certamente terá um show. O Bodo/Glimt lidera o Grupo C, com sete pontos, um a mais que a Roma. CSKA Sofia e Zorya Luhansk completam a chave.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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