Champions League

Uefa preparou antecipadamente comunicado culpando torcedores por atraso na final da Champions em Paris

Atraso na partida foi previsto pela entidade e já tinha culpado antecipadamente os torcedores do Liverpool, meses antes do jogo

A Uefa preparou comunicado culpando os torcedores pelo atraso na final da Champions League meses antes do jogo acontecer, segundo informou reportagem do Guardian. O jogo em Paris foi atrasado e o comunicado culpava o “atraso dos torcedores” por isso. Como se viu já no dia, esse foi o menor dos problemas que resultaram no caos nos arredores do Stade de France, onde foi realizado o jogo.

O comunicado deixou torcedores do Liverpool furiosos, já que milhares deles foram colocados em filas caóticas fora do estádio, mesmo tendo chegado três ou quatro horas antes do início da partida. Aproximadamente 15 mil torcedores do Liverpool foram colocados em uma fila que formava um gargalo perigoso em um posto de controle de ingressos, depois tiveram acesso negado em catracas fechadas por comissários e policiais.

A polícia de Paris direcionou os torcedores do Liverpool por uma rota que era conhecida pelos seus perigos ao menos desde 2016 e isso envolveu colocar em um funil milhares de pessoas em uma passagem subterrânea embaixo da avenida A1. Havia um risco de esmagamento com tantas pessoas em um espaço pequeno – algo que traumatiza a torcida do Liverpool desde Hillsborough.

Torcedores do Liverpool, que pagaram até £ 600 pelos ingressos, sofreram ainda tiveram que lidar com violência policial, incluindo uso de spray de pimenta e gás lacrimogêneo, além de ataques criminosos de franceses locais, com roubos acontecendo enquanto os torcedores estavam na fila.

Segundo o Guardian, o comunicado foi preparado ainda na fase de planejamento do jogo pela Uefa, como uma razão provável para ser usado em caso do início do jogo ter de ser adiado. Ao final da partida, a Uefa fez um segundo comunicado, desta vez culpando “milhares de torcedores” na entrada de torcedores do Liverpool com ingressos falsos, outro ponto desmentido depois.

É importante lembrar que a final inicialmente estava marcada para acontecer em São Petersburgo, na Rússia, e foi mudada em fevereiro para Paris, após a invasão russa à Ucrânia. Desta forma, o planejamento teve que ser de improviso. O planejamento foi feito ainda em fevereiro para a final e o Stade de France foi o escolhido para receber a final, justamente por ser uma cidade e um estádio acostumado a grandes eventos. Em junho, o chefe de polícia da França admitiu erros da entidade na condução da final da Champions League chamando de “fracasso” por parte das autoridades.

Ian Byrne, deputado inglês que estava no jogo e é torcedor do Liverpool, criticou a Uefa por tudo que aconteceu na final. “Acho realmente chocante e horrível ouvir que a Uefa – a confederação das federações nacionais de futebol da Europa, incluindo a Federação Inglesa, tinha um comunicado preparado previamente culpando os torcedores, como uma explicação padrão para o atraso no início do jogo. Fazer isso com torcedores do Liverpool, depois de tudo que passamos, é terrível. Nós precisamos de respostas completas sobre como essas decisões foram feitas”.

Dois dias depois da final, a Uefa anunciou uma “revisão independente”, que produzirá um relatório até o fim de novembro. No dia 3 de junho, a organização do jogo pediu “desculpas sinceras” aos espectadores “que teve que experimentar ou testemunhar eventos assustadores e angustiantes na preparação para a final da Uefa Champions League, que deveria ter sido uma celebração do futebol europeu de clubes”.

Resta saber o que essa revisão independente mostrará. Falta à Uefa mais autocrítica e mais transparência para explicar todas essas decisões. Ter preparado o comunicado previamente culpando os torcedores é estranho, considerando que a Uefa deveria se preparar é para evitar os problemas, e não desculpas como essa de culpar torcedores.

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.

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