Champions League

Sterling fez valer seu preço e comandou a virada fulminante que deu ao City a liderança

O Manchester City parecia ter jogado fora a oportunidade de terminar na liderança de seu grupo na Champions League. A derrota para a Juventus em Turim era compreensível, mas dava a impressão que os ingleses seriam lançados aos leões nos mata-matas. Afinal, bastava um empate dos bianconeri contra o eliminado Sevilla na última rodada para que o time de Manuel Pellegrini terminasse em segundo. Não tão fácil. Visando ainda a Liga Europa, os espanhóis venceram por 1 a 0. E os Citizens buscaram a primeira colocação, em virada emocionante contra o Borussia Mönchengladbach no Estádio Etihad. Pesou o papel decisivo de Raheem Sterling e Wilfried Bony, essenciais na construção dos gols rumo à vitória por 4 a 2.

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Muito se discutiu sobre o valor pago por Sterling. Mesmo em um mercado inflacionado, o investimento no inglês parecia exorbitante. Porém, a importância que teve nesta terça ao menos responde parte das críticas. Obviamente, ainda não vale toda a fortuna, mas já ajuda bastante o City na Liga dos Campeões. Da mesma forma, Bony, que ainda demorou a render em seu primeiro semestre – prejudicado por uma malária, revelada apenas meses depois. Para o bem dos Citizens, os dois responderam de maneira contundente nesta terça. Desde que o time voltou a participar regularmente do torneio continental, em 2011/12, nunca havia conquistado a liderança de sua chave. Agora já sabe que escapará do Barcelona, seu algoz nas duas últimas temporadas, e de outros favoritos que aumentariam a pressão em Manchester logo nas oitavas.

Sterling começou demonstrando o seu papel primordial aos 16 minutos, na construção do primeiro gol. O camisa 7 deu ótimo passe de calcanhar para David Silva fuzilar e abrir o placar. Em um ataque extremamente leve escalado por Manuel Pellegrini, também com De Bruyne compondo o trio de frente, Sterling era quem mais aparecia na definição, fazendo a função de falso 9 – ainda que o sistema não tenha funcionado no primeiro tempo, especialmente diante de duas chances desperdiçadas pelo aniversariante do dia. Depois de bater o Bayern de Munique no final de semana, o Gladbach virou o jogo em Manchester. Korb aproveitou a trama bem trabalhada para empatar, enquanto Raffael deu leve desvio para anotar o segundo.

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O desespero bateu no Manchester City na volta do intervalo. E o time passou a apresentar uma postura bem mais agressiva, arriscando bastante. Contudo, apenas quando o ataque passou a ficar mais encorpado, com as entradas de Jesus Navas e Wilfried Bony, é que a nova virada saiu. Explorando bastante as jogadas pelas pontas, o time de Manuel Pellegrini marcou três gols em menos de seis minutos, com Bony também assumindo o protagonismo. O centroavante deu leve desvio para Sterling no segundo tento, enquanto o fez jogadaça para o terceiro. E o marfinense ainda pôde deixar o seu logo na sequência, depois de boa tabela entre Kolarov e Sterling na ponta esquerda.

É lógico que a primeira colocação não livra o Manchester City necessariamente das pedreiras. O Paris Saint-Germain, por exemplo, é um adversário em potencial neste momento. E escapar dos principais rivais logo de cara também não é garantia de vida longa na Champions. Entretanto, depois de tantas passagens relativamente curtas pelo torneio nos últimos anos, os Citizens precisam de uma boa campanha. Que não seja rumo ao título, que ao menos justifique os altos investimentos, de impacto praticamente nulo no continente até o momento.

Além disso, a primeira posição é importante para amenizar o clima em Manchester. A equipe convive com as oscilações recentes, sobretudo na Premier League. Este é o momento de colocar ordem na casa, diante da maratona que se promete em dezembro, para não perder espaço na liga e voltar ainda mais forte à Champions. De certa maneira, a liderança conquistada nesta terça serve para elevar a confiança. Dar um prêmio extra ao elenco qualificado que os Citizens têm, mas cujos resultados andam aquém das expectativas.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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