Champions League

O ritmo perfeito dos maestros no meio-campo orquestrou a classificação do Real

As estrelas do Real Madrid, definitivamente, estão no ataque. Cristiano Ronaldo concentra os holofotes, Gareth Bale custou uma fortuna, Benzema desempenha um grande papel decisivo. No entanto, não dá para se menosprezar a qualidade existente em outros setores. Sobretudo no meio de campo. Se não há a mesma badalação, sobra talento no trato com a bola. E foi justamente a cadência do trio escalado por Zinedine Zidane que orquestrou os merengues a mais uma final de Liga dos Campeões. As atuações de Luka Modric, Toni Kroos e Isco foram fundamentais para a classificação diante do Manchester City.

Destaque em vários jogos da temporada, Casemiro surgiu como uma ausência sentida, mas não fez falta. Pelo contrário, sua saída do time titular até ajudou o Real Madrid. Não exatamente por qualquer deficiência do volante, longe disso, mas justamente porque a entrada de Isco se encaixou com a proposta do confronto diante do Manchester City. Contra um ataque rápido, os merengues trataram de trabalhar a bola. Para isso, ter Toni Kroos no controle a partir da faixa central foi essencial. Modric, por sua vez, contribuía com sua visão e inversões. E o substituto Isco se entregava iniciando o combate e ajudando na ligação com o setor ofensivo.

Durante todo o primeiro tempo, o Real Madrid gastou a bola. Esfriou o jogo do Manchester City rodando com passes, mesmo que não fosse tão agressivo na hora de concluir. Quando teve sua principal brecha, porém, os espanhóis encontraram as redes com Gareth Bale. Nada que tivesse necessariamente a participação dos meio-campistas, ainda que toda administração do time de Zinedine Zidane dependesse deles. Modric, em especial, voltava ao campo defensivo para ajudar na saída e manter a estratégia à risca. Era ajudado também pelo excesso de erros dos ingleses.

Já na segunda etapa, Modric poderia até mesmo ter se consagrado ampliando a vantagem, mas parou em milagre de Joe Hart. Kroos beirava a perfeição em seu trabalho de cadenciar o ritmo e esfriar qualquer ímpeto dos adversários. A posse esteve com o alemão em 9,1% do tempo de bola em jogo  – quase o dobro de qualquer um do City. Além disso, o camisa 8 acertou 85 dos 89 passes que tentou, com um aproveitamento assombroso de 96%. Que não tenha arriscado tanto, sua precisão botou os oponentes na roda.

Independente do coletivo fortíssimo dos merengues, é natural que as atenções se voltem ao ataque. Para alimentá-lo é que o time funciona e sobre ele que pesa o apelo midiático merengue. Todavia, dentro de campo, não se pode ignorar a funcionalidade dos demais setores. Keylor Navas, principalmente, ressaltou isso na atual temporada. E o meio de campo também mostrou a sua importância para decidir um jogo. Teste vital, especialmente para aquilo que o Real irá enfrentar em Milão na final. Com o Atlético de Madrid provavelmente postado ao redor de sua área, a maestria dos meias será mais do que necessária. Afinados, ao menos, eles estão.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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