Champions League

O que tornou a semifinal decepcionante foi a assustadora apatia do Manchester City

Por Bruno Bonsanti

O primeiro jogo já havia sido enfadonho, mas havia uma justificativa estratégica. O Real Madrid não corria riscos para decidir a vaga em casa, e o Manchester City, se não sofresse gols, poderia especular um empate, uma prorrogação ou uma disputa de pênaltis na Espanha. São posturas que fazem sentido, embora não sejam muito divertidas. A segunda partida foi uma variação apenas um pouco melhor desse cenário, o que acabou sendo decepcionante para os espectadores. E a culpa foi da apatia dos ingleses.

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O Manchester City acertou um chute a gol durante os 90 minutos da partida mais importante da sua história. Poderíamos fazer o caso de que o problema foi a falta de pontaria, mas teríamos que brigar com os números: no total, foram apenas cinco finalizações, em direção à baliza de Navas ou para fora. A melhor chance foi uma bola na trave atirada por Fernandinho.

Quem mais simbolizou a falta de alma do Manchester City durante a partida, foi Yaya Touré. Craque do time no título inglês de dois anos atrás, o marfinense vem há tempos jogando muito abaixo do que pode e tudo indica que sairá do clube quando a temporada acabar. Criou uma polêmica incompreensível antes da Copa do Mundo, quando seu agente afirmou à imprensa que ninguém no clube havia desejado feliz aniversário ao jogador – e Touré corroborou as palavras do empresário -, arranhando o clima com a diretoria e o vestiário.

Acabou substituído por Pellegrini aos 16 minutos do segundo tempo sem ser sombra do jogador que um dia conseguiu ser. A maioria dos passes saiu para o lado, não deu um chute gol, não criou uma chance, não tentou um cruzamento, não roubou nem interceptou uma bola, e se você quiser usar o português claro, não fez nada durante uma hora dentro de campo.

Ao mesmo tempo, Sergio Agüero não acerta uma finalização na Champions League há cinco partidas. Passou zerado nos dois jogos contra Real Madrid, em todo o confronto com o PSG e na última partida diante do Dínamo Kiev. O argentino é o principal jogador do time, o mais decisivo, o mais incisivo, o mais perigoso e um bom termômetro para sentirmos a temperatura da equipe. Nesta quarta-feira, tentou o gol uma única vez, já no final da partida. Não acertou um drible.

Com Agüero e Touré em dias péssimos, Navas muito bem marcado, e David Silva machucado, Kevin de Bruyne teve que tentar fazer quase tudo sozinho, e a vida da defesa do Real Madrid foi bastante facilitada. Não espanta que as parcas ameaças tenham saído dos pés dos volantes. Esse vídeo mostra didaticamente como os comandados de Pellegrini não tinham muita ideia do que fazer.

 

Mas mais do que atuações individuais o grande problema foi a postura. Não foi errar: foi não tentar. O Real Madrid controlou o jogo sem nenhum problema, tanto que se sentiu confortável com apenas 1 a 0 no placar, sendo que um gol do Manchester City eliminaria os espanhóis no Bernabéu. O City nunca acelerou o jogo, não conseguiu sequer esboçar aquela pressão desesperada nos últimos minutos, com bolas alçadas na área de qualquer jeito, chutes de longe e até mesmo faltas um pouco mais duras que derivam da ansiedade.

Ansiedade? Só pelo apito final.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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