Champions League

No último dérbi do Calderón, torcida do Atleti vibrou, acreditou e cantou mesmo depois de chorar

Um placar agregado de 4 a 2. Um minuto para o final do segundo jogo. Do último jogo do Atlético de Madrid no Vicente Calderón pela Champions League. O último dérbi de Madri lá. Um dilúvio repentino. Uma porção de gotas que caíam sobre o estádio e iam levando a alma de cada torcedor presente ali nas arquibancadas e outros setores destinados aos fãs do Atleti para dentro de campo, desaguando em cada jogador e no técnico. Um resultado esperado, assim como a reação espetacular de uma torcida que é absolutamente apaixonada pelo time que acompanhou naquele lugar em tantos momentos. Um sentimento inenarrável, que deu forças para os colchoneros tentarem novamente em 2016 e não desistirem nesta quarta-feira, mesmo com uma desvantagem de três gols marcados pelo Real Madrid na partida de ida, no Santiago Bernabéu. E isso ainda não resume o que a torcida rojiblanca protagonizou neste dia de Champions.

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Embora não tenha sido algo inédito ver os torcedores do Atlético de Madrid demonstrando um apoio incondicional à equipe colchonera, foi impressionante e muito bonito ver as últimas demonstrações desse sentimento no local que foi palco de todo tipo de emoção para o Atleti e seus apoiadores desde 1966. Foi incrível ouvir 55 mil vozes se sintonizadas e ecoando no Calderón até o fim. E depois do fim. O árbitro sinalizou o final do jogo, e ali estava o Atlético diante de mais uma derrota na competição europeia para o principal rival. A torcida rojiblanca, no entanto, continuou cantando como se outra partida estivesse prestes a começar em instantes, e esta, por sua vez, desse chance para os colchoneros tentarem outra vez. Se manteve firme como o time que foi o coração de cada fanático em campo nos últimos anos, mesmo sendo derrubada. O estádio pulsava e fazia jus ao seu nome com tantos gritos de apoio e tanta energia transpassada de pessoa para pessoa ali presente e que levava o Atleti na camisa e dentro do peito, mesmo depois do choro.

Os torcedores rojiblancos deram mais um show nos mais de 90 minutos que o time lutou em campo. O show desta quarta, porém, foi o de despedida do estádio que passará a se localizar apenas nas memórias de quem um dia ali esteve, e, por isso, foi um espetáculo diferente de todos os outros no mesmo lugar. Com direito a mosaico respondendo a coreografia ensaiada pelos merengues presentes no Santiago Bernabéu no jogo de ida (a torcida do Real exibiu um bandeirão escrito “me digam como vocês se sentem”, e a resposta dos torcedores do Atleti foi: “orgulhosos de não sermos vocês”) e um fortíssimo temporal, a torcida deu adeus ao Calderón de maneira honrosa, acreditando no time como sempre faz, ao passo que estendeu sua mão para a equipe mais uma vez.

Depois da eliminação nesta semifinal, muitas incertezas pairam o vestiário colchonero. Simeone sai? Se sim, quem assumirá a equipe madrilenha? Que cara ela terá? Griezmann fica? Quais atletas devem sair? Mas o mais importante de tudo é imutável: a torcida continuará saudando e apoiando o time em todas as circunstâncias. “Até a última gota de sangue”, como dizia a faixa esticada pelos colchoneros em homenagem de arrepiar aos jogadores e comissão técnica na porta do hotel que estavam concentrados. Até a última gota de chuva. Até depois de mais uma despedida.

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Foto de Nathalia Perez

Nathalia Perez

Jornalista em formação trabalhando a favor de um meio esportivo mais humano. Meus heróis sempre foram jogadores de futebol, mas hoje em dia são muito mais heroínas.
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