Champions League

Morata resgatou o mito do canterano da maneira mais penosa ao Real

O canterano sempre possuiu um significado especial para a torcida do Real Madrid. O garoto que cresceu dentro do clube e conseguiu se tornar protagonista em um time cheio de estrelas. O maior símbolo dessa paixão é Raúl. Acima da excelente qualidade técnica do espanhol ou de seus números impressionantes, estava também a mística do camisa 7 no Santiago Bernabéu. Só que o adeus do ídolo deixou uma lacuna. A espera de um Dom Sebastião que nunca apareceu. E, que de certa maneira, dói nos merengues com a eliminação na Liga dos Campeões. Pois justamente um canterano é que colocou a Juventus na final.

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Não dá para dizer que Morata seria um “novo Raúl” se continuasse no Bernabéu, longe disso. O garoto que passou seis anos, entre categorias de base e profissionais, teve as suas chances e, ainda que tenha feito seus gols, ficou em um nível abaixo de exigência. Tanto que acabou liberado à Juve sem remorso pelos madridistas. Ao contrário, os € 20 milhões pagos pelo italiano no atacante até pareciam caros, e geraram muitas críticas sobre a supervalorização do garoto, especialmente após suas boas atuações com a seleção espanhola sub-21. No fim das contas, o investimento valeu. Uma final de Champions paga, e com sobras.

Morata poderia ter feito mais que Chicharito se substituísse Benzema no segundo tempo? Não dá para saber. O “se” não existe no futebol. O certo é que o jovem de 22 anos, mesmo sem ter uma atuação exuberante, estava no lugar certo para colocar a Juventus em sua primeira final da Champions desde 2003. Aproveitou a bola desviada por Pogba para encher o pé e vencer Casillas. O gol que os bianconeri tanto precisavam no Bernabéu. Por respeito à antiga torcida, o atacante preferiu nem comemorar. A “Lei do Ex” é imperdoável.

A temporada de Morata na Juventus é boa, mas nada que salte tanto aos olhos. Ganhou a posição e vem marcando gols, mas em um ritmo bem abaixo de Tevez, por exemplo. Tem qualidade técnica, sem ser um goleador de primeira linhagem – tanto que as especulações sobre reforços ao ataque italiano na próxima temporada são grandes. Só que a todo bom goleador é preciso ter sorte. E o espanhol a teve, em um momento tão crucial para a Velha Senhora. Tão dolorido para aqueles que, um dia, apostaram na promessa como o canterano que vingaria como titular no Real Madrid.

Morata não muda o seu destino com esse gol. Pode até receber aplausos a mais, ainda que a percepção sobre o seu nível não mude tanto por um lance. O que se transforma é o futuro próximo de seus dois clubes. A Juventus volta a disputar uma decisão continental e recupera um prestígio que não sentia há anos. Já o Real Madrid, ainda que não se arrependa da venda, talvez pense um pouco mais sobre o trato com seus jogadores da base – que, muito além de Morata, reforçam outros clubes da Espanha e do resto da Europa. Emblemático que o maior elo entre os dois gigantes dentro de campo tenha sido justamente o fator decisivo.

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Equipe Trivela

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