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A Juventus derrubou o improvável e o Real Madrid para decidir a Champions em Berlim

A última vez que um time italiano chegou à final da Champions League, ela aconteceu no estádio Santiago Bernabéu. Foi em 2010, quando a Internazionale eliminou o Barcelona em pleno Camp Nou para ser campeão em Madri diante do Bayern de Munique. Cinco anos depois, o estádio Santiago Bernabéu novamente faz parte do finalista italiano. Desta vez, a Juventus de Buffon, Chiellini, Pirlo, Vidal, Pogba e Tevez conseguiu segurar o empate por 1 a 1 com o Real Madrid na capital espanhola, depois de vencer por 2 a 1 em casa, e alcança a final da Champions League mais uma vez, mesmo atuando contra um time mais forte. As chances da Juventus pareciam poucas quando os semifinalistas foram definidos. Em campo, a Juventus fez valer o seu bom e, principalmente, eficiente futebol para alcançar a final pela oitava vez na sua história.

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O Real Madrid é um time melhor, com mais recursos, mas os desfalques igualaram um pouco mais o confronto. A falta de Modric foi sentida pelo time espanhol nos dois jogos. A Juventus, por sua vez, tem nesse setor, o meio-campo, a sua maior qualidade. Com a volta de Pogba, mais ainda. Os quatro do meio-campo italiano, com Pirlo, Marchisio, Pogba e Vidal mostrou ter qualidade, mesmo com Pirlo em um dia apagado e Pogba sem o melhor de suas condições físicas. Tevez, sem fazer um grande jogo, conseguiu segurar a bola em poucos lances isolados. Morata também não apareceu tanto, mas nem importa muito: ele fez o gol da classificação.

Precisando vencer a qualquer custo, o Real Madrid entrou forte em campo e criou uma chance com menos de um minuto de jogo, com Bale. Foi uma demonstração do que viria no primeiro tempo. Bale ainda arriscaria um outro chute de fora da área, com endereço, e obrigaria Buffon a fazer uma grande defesa. Benzema teve chance, Cristiano Ronaldo também. Mas foi em um lance polêmico que saiu o primeiro gol.

Aos 22 minutos de jogo, James tabelou com Cristiano Ronaldo e entrou na área. Chiellini o tocou e o árbitro Jonas Eriksson marcou pênalti, para revolta dos jogadores do clube italiano. Cristiano Ronaldo cobrou e marcou 1 a 0. Àquela altura, o Real Madrid era quem mais atacava. A Juventus não conseguia jogar. Ainda que com pênalti controverso, o Real Madrid pareceu fazer por merecer o gol.

O intervalo não esfriou o Real Madrid, ao menos nos primeiros minutos. O time merengue tentou pressionar para chegar ao segundo gol e foi perigoso. Logo, porém, a pressão arrefeceu e a Juventus passou a ter chances. Rondando o campo de defesa do Real Madrid, a Juventus parecia ter uma ordem expressa para não chutar. Mesmo quando tinha chance, não arriscava.

Isso até que Marchisio recebeu uma bola pouco à frente da intermediária ofensiva e mandou uma bola para o gol, mas a bola passou perto. O gol, porém, veio de uma história que o futebol insiste em reviver. Em uma falta do lado direito, aos 12 minutos, Pirlo cruzou, a zaga tirou, mas a bola voltou para a área, onde Pogba conseguiu o cabeceio e a bola sobrou para Morata, no meio da área. Ele pegou pelo alto, chutou para baixo, e empatou o jogo. Assim como no primeiro jogo, Morata, camisa 9 da Juventus, marcou o gol contra a equipe que o revelou. Este um gol importantíssimo.

O gol, claro, mudou o jogo. A Juventus passou a usar o tempo a seu favor, mantendo a posse de bola e tentando fazer os minutos. O Real Madrid, ao contrário, passou a pressionar, já em um modo de quase desespero. E as chances vieram. Bale, duas vezes, quase marcou, em cruzamentos de James e Real Madrid. Com espaço para contra-atacar, a Juventus pouco aproveitava. Aceitou a pressão, e ela veio.

O Real Madrid buscava o gol que levaria o jogo à prorrogação, mas não encontrava um protagonista para decidir a seu favor. Quem mais teve chances foi Bale, que aparecia mais no jogo. O time merengue precisava de alguém para decidir. Precisava de Cristiano Ronaldo, que fez um segundo tempo muito apagado. Dos 23 chutes a gol do Real Madrid no jogo, sete foram de Bale, o mais ativo em campo. Benzema, que fazia um bom jogo, acabou substituído no segundo tempo por Chicharito. O francês voltava de lesão e não tinha condições de jogo por 90 minutos. Mas, considerando que este era o jogo mais importante da temporada, tinha que arriscar até que não tivesse mais condições.

A pressão foi abafada e a Juventus tentava segurar a bola. Com o passar dos minutos, o desespero tomou conta do Real Madrid. A Juventus parecia sentir, a cada minuto, a cada bola afastada, a cada bola para fora do ataque merengue, que a final estava mais próxima. A classificação do time que parecia o menos forte entre os semifinalistas mostrou-se possível. Ganhar do Barcelona parece muito difícil neste momento, mas lá nas quartas de final, quando foram definidos os finalistas, a chance da Juventus ir à final também não parecia grande. O Barcelona chegará à capital alemã como favorito, mas duvidar da Juventus seria uma loucura.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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