Champions League

Guia da Champions League 2021/22 – Grupo E: Bayern de Munique, Barcelona, Benfica e Dynamo Kiev

O Bayern parte da dianteira, e o Benfica tentará aproveitar a vulnerabilidade do Barcelona para causar uma surpresa

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Por que acompanhar

O grupo tem três campeões da Champions League, ainda que um deles não vença há muitos anos. Bayern de Munique, Barcelona e Benfica dividem a chave, complementada pelo campeão ucraniano Dynamo Kiev. Há um favoritismo claro para os alemães e catalães, mas há alguma chance de zebra, especialmente se o Barça continuar rateando como foi na temporada passada.

Teremos bons jogos ao longo do torneio, com o Bayern e o Barcelona abrindo a fase de grupos com um jogaço no Camp Nou e também a fechando, na sexta rodada. O que deve dar ares dramáticos se um deles precisar de algum resultado. Os dois esperam conseguir garantir a vaga antes disso.

Teremos também um confronto entre dois técnicos experientes em Benfica x Dynamo Kiev. Jorge Jesus, do Benfica, tem 67 anos, enquanto Mircea Lucescu tem 76. Dois treinadores experientes e muito vencedores localmente, mas que devem disputar a terceira posição para continuarem suas caminhadas europeias.

Um outro fator é que os dois favoritos, Bayern e Barcelona, estão em mudança. Os bávaros estão sob nova direção com o técnico Julian Nagelsmann, um jovem e promissor técnico, que é nascido na região. O Barcelona vive a era pós-Messi e precisa encontrar uma nova forma de jogar – e com Ronald Koeman, o que torna tudo mais difícil.

Títulos

Bayern de Munique: 6 (1973/74, 1974/75, 1975/76, 2000/01, 2012/13, 2019/20)

Barcelona: 5 (1991/92, 2005/06, 2008/09, 2010/11, 2014/15)

Benfica: 2 (1960/61, 1961/62)

Dynamo Kiev: nenhum

Retrospecto recente

Bayern de Munique

2020/21: Quartas de final
2019/20: Campeão
2018/19: Oitavas de final
2017/18: Semifinal
2016/17: Quartas de final

Barcelona

2020/21: Oitavas de final
2019/20: Quartas de final
2018/19: Semifinal
2017/18: Quartas de final
2016/17: Quartas de final

Benfica

2020/21: Preliminares
2019/20: Fase de grupos
2018/19: Fase de grupos
2017/18: Fase de grupos
2016/17: Oitavas de final

Dynamo Kiev

2020/21: Fase de grupos
2019/20: Preliminares
2018/19: Preliminares
2017/18: Preliminares
2016/17: Fase de grupos

Ambição

Robert Lewandowski, do Bayern de Munique (Imago/OneFootball)

Bayern de Munique

O Bayern mira o topo e tem time para chegar lá. Conquistou o título na temporada 2019/20, aquela que tivemos fase final em Lisboa, depois da paralisação por causa da pandemia. O elenco segue um dos mais fortes da Europa, com seus principais jogadores ainda por lá: Manuel Neuer, Joshua Kimmich, Thomas Müller e Robert Lewandowski. Os bávaros são favoritos ao primeiro lugar no grupo e também a ir até o fim do torneio.

Barcelona

Por mais que seja um dos clubes mais ricos e badalados do mundo, seria uma surpresa o Barcelona brigar pelo título da Champions. É claramente inferior a alguns dos principais concorrentes, a começar pelo companheiro de grupo, Bayern. Tem talento, bons jogadores, mas está em reconstrução. Assim, o objetivo é, primeiro, passar às oitavas de final; depois, chegar às quartas. Ir além disso exigirá muita competência e alguma dose de sorte.

Benfica

O sonho é avançar às oitavas de final e isso seria magnífico. Mas o objetivo realista é mesmo ir para a Liga Europa. É verdade que o Barcelona está em um momento de fragilidade, em reconstrução e sem Lionel Messi. Ainda assim, é um time melhor que o Benfica, que também não anda no melhor da sua forma, com desempenhos que não convencem. Sendo assim, se classificar às oitavas seria fantástico, mas ir para a Liga Europa já estaria de ótimo tamanho. Um quarto lugar, porém, seria ruim. A disputa é com o Dynamo Kiev.

Dynamo Kiev

Atual campeão ucraniano, o Dynamo Kiev quer sonhar, mas o grupo dificulta as coisas. A ambição é chegar à Liga Europa, onde pode ter alguma chance de ir além das oitavas de final. Brigar pela classificação é bastante improvável e mesmo a terceira posição deve ser bem difícil. Então, se chegar na Liga Europa, o time estará no lucro. Mais do que isso precisará de um pequeno milagre.

Ponto forte

Lucas Veríssimo, do Benfica (Foto: Divulgação)

Bayern de Munique

O Bayern é forte em todos os setores, mas um deles, em especial, promete muito na atual temporada: o meio-campo. O time tem uma combinação muito interessante nos titulares, com Joshua Kimmich, um jogador baixo, de muita técnica e inteligência, versátil e que dá ritmo ao time, e Leon Goretzka, um jogador também muito técnico, mas que é alto, usa muito a sua força e imposição física. É uma dupla bastante completa e que tem ainda a chegada de Marcel Sabitzer, que veio do RB Leipzig e deve fortalecer ainda mais esse setor. Ainda podemos falar de Jamal Musiala, que é um meia ofensivo, que pode ser atacante, que também compõe bem o setor. Uma das opções no banco ainda é Corentin Tolisso, que é de uma qualidade alta também.

Barcelona

Velocidade. O Barcelona tem jogadores velozes e é capaz de acelerar o jogo com os jogadores que tem. Seus dois laterais, Sergiño Dest e Jordi Alba, são incrivelmente rápidos. Os jogadores de meio-campo têm muita qualidade de passe, como Frenkie de Jong, Pedri e Busquets. No ataque, há Ansu Fati e Yusuf Demir, dois jovens que são ágeis e muito rápidos, além de Ousmane Dembélé, que tem nisso uma das suas grandes virtudes.

Benfica

O Benfica entra como um azarão, sonhando com a segunda vaga do grupo e torcendo por um desempenho irregular do Barcelona, o que é possível. O time tem problemas, mas um dos seus trunfos tem sido a boa defesa. O brasileiro Lucas Veríssimo tem ido bem e tem nomes experientes ao lado, como Jan Vertonghen e Nicolas Otamendi. Algumas vezes, o técnico Jorge Jesus tem usado três zagueiros, o que muda um pouco a configuração. O time alterna entre quatro e três defensores.

Dynamo Kiev

No Campeonato Ucraniano, o Dynamo Kiev se destaca tanto no ataque quanto na defesa. Na Champions, com times de nível mais alto, o que mais será exigido será a defesa. Na temporada passada, foram 26 jogos e só 15 gols sofridos na liga local, com 59 marcados. Foi o melhor ataque e a melhor defesa. No início da temporada atual, com sete jogos disputados, são 22 gols marcados e só dois sofridos. Em cinco dos sete ficou sem ser vazado. Nos outros dois, levou apenas um gol. Um dos motivos do sucesso é o zagueiro Illia Zabarnyi, de apenas 18 anos, o mais jovem a defender a seleção ucraniana na Eurocopa, em jogo contra a Holanda.

O craque

Memphis Depay, do Barcelona (Foto: Imago / One Football)

Bayern de Munique: Robert Lewandowski

Há muitos bons jogadores no Bayern, mas é impossível não destacar Robert Lewandowski. Vencedor de prêmios individuais em 2020, o polonês segue com uma imensa fome de gols. Sua forma segue excepcional e nesta temporada ele já tem dado toda a pinta que manterá o ritmo: são cinco jogos na temporada e OITO gols. Se olhamos para a temporada passada, foram 40 jogos e 48 gols. A sua capacidade de colocar a bola na rede é uma das maiores do mundo atualmente, se não for a maior. Apostar que ele fará gols é quase tão certo quando a luz do sol no Rio de Janeiro. Raramente não acontece.

Barcelona: Memphis Depay

Sem dúvida alguma, o grande nome do Barcelona é Memphis Depay. O holandês é inteligente, é capaz de criar jogadas e finalizar, sabe aproveitar os espaços e será, de fato, o substituto de Lionel Messi em termos de função. Será o grande criador de jogadas, a referência do time e já mostrou isso nos primeiros jogos pelo novo clube. É o nome para saber se o Barcelona irá longe ou não.

Benfica: Darwin Núñez

Aos 22 anos e com um desempenho interessante, Darwin Núñez é um nome para se apostar no Benfica. O atacante ganhou espaço e pode ser um dos destaques nesta temporada. Formado pelo Peñarol e contratado em 2020, o atacante de 1,87 metro teve uma primeira temporada para se adaptar. E promete. Na temporada passada, fez 44 jogos, com 14 gols, mesmo tendo iniciado apenas 19 das 30 rodadas que fez pela liga. São três jogos até aqui no Campeonato Português desta temporada, com dois gols marcados.

Dynamo Kiev: Vitaliy Buyalskyi

Vitaliy Buyalskyi, aos 28 anos, é o grande nome do Dynamo Kiev. O ucraniano é formado na base e está no time principal desde 2014. Na temporada passada, foi um dos grandes destaques do time campeão, com nove gols em 35 jogos, além de nove assistências. Meia ofensivo, é um criador de jogadas, normalmente atua centralizado e eventualmente chega na área para finalizar. Se o time joga no 4-2-3-1, ele é o meia central; se ele recua um pouco, joga em um 4-3-3, com ele mais próximo aos outros meio-campistas.

Mister Champions

Thomas Müller, do Bayern de Munique (PIERRE-PHILIPPE MARCOU/AFP via Getty Images/One Football)

Bayern de Munique: Thomas Müller

Thomas Müller é o jogador do Bayern com mais jogos na Champions League. Pudera: são 13 temporadas na principal competição do continente pelo Bayern. No total, são 124 jogos, com 48 gols marcados. Apesar de ter vivido altos e baixos no clube, voltou a ser importante e é um jogador titular dos bávaros e dois títulos conquistados, em 2012/13 e 2019/20.

Barcelona: Gerard Piqué

Gerard Piqué é o jogador com mais minutos de Champions League em campo. O zagueiro, de 34 anos, é quem mais vezes disputou o torneio em todo elenco blaugrana. São 119 jogos em 16 temporadas diferentes. Sergio Busquets também tem 119 jogos, com um pouco menos de minutos e três temporadas a menos. Ele não é o capitão do time pelo mesmo motivo que tem mais experiência que Busquets, em certo aspecto: ele saiu em 2006 e jogou pelo Manchester United. Inclusive foi campeão pela equipe inglesa, como reserva, em 2007/08. Ainda conquistou outros três títulos pelo Barcelona. É o mister Champions do Barça.

Benfica: Nicolás Otamendi

O jogador mais experiente em Champions League no elenco dos encarnados é Nicolás Otamendi. O zagueiro, de 33 anos, fez 56 jogos no torneio em toda a sua carreira, em oito temporadas. Disputou-o por Porto, Manchester City e agora Benfica. É um dos mais experientes de todo o elenco dos benfiquistas e tem vantagem significativa em número de jogos para o segundo a jogar mais vezes o torneio, o meio-campista Pizzi e o lateral direito André Almeida, ambos com 37 jogos.

Dynamo Kiev: Denys Garmash

O nome mais experiente em Champions League no time do Dynamo Kiev é Denys Garmash, 31 anos, que tem 20 jogos pela competição (contando apenas da fase de grupos em diante). O meio-campista segue como uma figura importante da equipe. Formado na base, chegou a ser emprestado por um curto período de tempo, mas o técnico tem aproveitado o jogador, que fez seis jogos até aqui na liga ucraniana.

A contratação

João Mário, do Benfica (Foto: Pedro Fiuza/Imago/One Football)

Bayern de Munique: Dayot Upamecano

Dayot Upamecano chegou para ser titular e destaque na defesa do Bayern. Vindo do RB Leipzig, o zagueiro vem sendo um destaque há algum tempo e oferece velocidade, força física e bom jogo aéreo. Aos 22 anos, é um zagueiro para liderar a defesa dos bávaros por anos a fio. O francês é um nome para ficar de olho inclusive na seleção francesa, porque a sua qualidade deve chamar a atenção.

Barcelona: Memphis Depay

Se Depay é o grande craque do Barcelona, é também a grande contratação do time. Chegou sem custos de transferência depois do fim do seu contrato com o Lyon e já mostrou por que valeu a pena. Aos 27 anos, está no auge da carreira e tem tudo para ser a referência desse time. Até aqui, são três jogos e dois gols marcados, com uma assistência. Seu nível de atuação tem sido animador para os torcedores.

Benfica: João Mário

João Mário foi uma contratação bastante controversa. O meio-campista foi campeão português jogando pelo Sporting, o clube que o formou. Aos 28 anos, vive o auge da sua carreira e tem qualidade para ser destaque do time no meio-campo. Já chegou jogando e tem ido bem na nova casa. Os sportinguistas certamente não estão felizes, mas o meia tem chance de não só conquistar a torcida encarnada, como também uma vaga no elenco de Portugal pensando na Copa 2022.

Dynamo Kiev: Eric Ramírez

Um toque sul-americano. Eric Ramírez foi a principal contratação do Dynamo Kiev. Aos 22 anos, o venezuelano é uma aposta interessante dos ucranianos. Ele veio do Dunajska Streda, da Eslováquia, onde fez 17 gols em 35 jogos. Com o bom desempenho, foi levado a Kiev, onde terá uma missão um tanto mais difícil. Até aqui na temporada, vai bem: dois jogos, um gol e uma assistência.

O técnico

Jorge Jesus, do Benfica (Imago / OneFootball)

Bayern de Munique: Julian Nagelsmann

Julian Nagelsmann tem idade de veterano, mas dos gramados, não como técnico. Aos 34 anos, ele já está no seu terceiro clube na carreira depois de ótimos trabalhos no Hoffrenheim e no RB Leipzig. Nascido na Baviera, realiza o sonho de treinar o gigante da região, que é também um colosso mundial. Seu estilo de jogo segue a linha de toda a escola Red Bull: ofensivo, fluido e que costuma apostar em jogadores muito técnicos em todos os setores do campo. Há muita expectativa sobre ele. Será que ele consegue entregar o que se espera?

Barcelona: Ronald Koeman

Ronald Koeman é uma lenda do Barcelona e foi o autor do gol do título do primeiro título de Champions em 1991/92, naquela icônica final contra a Sampdoria. Seu trabalho como técnico, porém, é bastante questionável. O holandês não conseguiu ainda tirar um grande desempenho do time. Na temporada passada, teve uma arrancada que parecia destinada ao título, mas o que vimos foi o time derreter e ficar longe da disputa no final. É o ponto fraco do Barcelona: o treinador tem mais nome como jogador do que pelo seu trabalho até aqui, que não parece trazer o que se espera de um time como o Barcelona – e a contratação de Luuk de Jong, a pedido dele, é um exemplo disso.

Benfica: Jorge Jesus

Jorge Jesus voltou ao Benfica depois de fazer história pelo Flamengo, mas a primeira temporada foi uma decepção. O time passou longe da disputa pelo título e teve que se contentar com a classificação às fases preliminares da Champions. Avançou fase a fase e chegou à fase de grupos. O técnico é questionado e, aos 67 anos, quer mostrar que pode fazer bonito. O principal objetivo é o título da liga local, mas a glória na Europa também é importante, até para tirar a zica que está com o clube. O treinador, porém, precisa de um pequeno milagre para conseguir isso na Champions. Na Liga Europa, porém, tem chance.

Dynamo Kiev: Mircea Lucescu

Mircea Lucescu é um dos técnicos mais experientes da Europa. Aliás, ele é, efetivamente, o mais velho a dirigir um clube na Champions League – recorde batido por ele na temporada passada e que será batido novamente. Ídolo no Shakhtar, ele chegou sob imensa desconfiança da torcida. Dias depois de ser apresentado, entregou o cargo. Sua demissão não foi aceita pelo clube, que insistiu e o manteve por lá. Terminou campeão. Tentará continuar fazendo bonito pelo Dynamo Kiev.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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