Por que Griezmann, mesmo com atuação de gala, se incomodou com o Atlético após eliminar Barcelona
Atacante reclamou de jogo com a bola dos Colchoneros, apesar de avançar à semifinal da Champions League
Mesmo que muito celebrada a classificação do Atlético de Madrid à semifinal da Champions League nesta terça-feira (14), nem todo mundo ficou satisfeito com a atuação colchonera. Antoine Griezmann, um dos destaques na derrota por 2 a 1 para o Barcelona, não teve receio de falar do que não gostou na partida.
O francês se mostrou incomodado com a falta de controle da posse de bola pelo Atleti (terminou 71% aos Culés). O time da casa no Metropolitano tinha a vantagem de dois gols da ida e a perdeu em apenas 23 minutos.
— Não estivemos confortáveis com a bola. Não tivemos a calma necessária para jogar, mas, enfim, estamos nas semifinais — desabafou ao streaming “Movistar” após a partida.
É um discurso muito parecido com o que o atacante disse após a vitória por 2 a 0 na última semana. “Não fizemos nossa melhor partida com a bola, mas saímos satisfeitos. […] Acho que Simeone está irritado com a nossa atuação“, falou ao mesmo veículo.
A postura crítica de Griezmann servirá como lição ao Atleti na sequência da competição, tendo Arsenal ou Sporting na semifinal europeia — os ingleses venceram a ida, 1 a 0, e só precisam de um empate para avançar nesta quarta (15). Nem mesmo a atuação decisiva do camisa 7 em seus últimos momentos pelo clube conseguiu acalmá-lo.
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O papel decisivo de Griezmann na classificação do Atlético de Madrid
O Barça não temeu o Metropolitano lotado e pulsando e amassou o adversário nos minutos iniciais. Forçou erros na saída de bola, como no gol de Lamine Yamal logo aos três minutos, e criava com naturalidade em tramas de passe por dentro da defesa, exemplo no gol de Ferran Torres com toque em profundidade de Dani Olmo.
Juan Musso brilhou com defesas de handebol e impediu que a eliminatória acabasse antes que Ademola Lookman, com meia hora do primeiro tempo, desse o gol que mudou os rumos da partida.
A construção do gol foi característica: uma rápida troca de passes desde os zagueiros que contou com ataque nas costas da alta linha de defesa do Barcelona. O movimento de Griezmann foi decisivo para que o lance desse certo.
Como um atacante muito móvel em uma dupla com Julián Álvarez, o francês flutuou para o meio-campo, atraiu a marcação de Eric García e Marcos Llorente aproveitou o espaço para atacar em velocidade. O camisa 7 recebeu de Nahuel Molina e, de primeira, lançou para o meio-campista conduzir até a área antes da assistência ao nigeriano. A partir daí, a pressão adversária cessou.
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O papel do atacante, porém, foi visto além do campo. Ele era o ponto de equilíbrio em um time assustado com a pressão culé na parte inicial do jogo. Fora da área, distribuiu passes, toques de primeira e inversões de jogo importantes que trouxeram calma ao Atlético de Madrid.
Em uma delas, lançou Lookman na ponta esquerda e se projetou para a pequena área para receber o cruzamento. Só não marcou porque a defesa bloqueou a finalização. A vantagem culé nesse momento era de apenas um gol.
O pedido dele por mais calma após a partida foi para todo o resto do time, afinal, ele estava tentando fazer esse papel. Um lance ilustrou isso perfeitamente, já com o placar 2 a 1 no primeiro tempo. O time se preparava para outro ataque em velocidade, com Lookman em projeção, mas a bola veio para ele em um movimento parecido ao do gol.
Dessa vez, optou por driblar para trás, pois estava rodeado de adversários, e voltou aos zagueiros. Ele continuou no apoio, como um “volante”, recebeu de novo sob pressão e desafogou com um lançamento para o lado do campo. O atacante ainda apareceria no grande círculo para, novamente, inverter para o corredor contrário. Uma aula de como jogar pressionado e acalmar o jogo.
Sem a bola, Griezmann manteve a dedicação, padrão para um jogador que, mesmo muito técnico, ostenta a raça que é necessária para jogar pelo Atlético. Aos seis minutos do primeiro tempo, deu carrinho em Fermín López no meio-campo e um biquinho para dar o campo necessário a Álvarez correr em contra-ataque. O lance quase acabou em outro gol de Lookman.
Substituído após 75 minutos de um show, ouviu os aplausos de mais de 60 mil colchoneros.
Números de Griezmann contra o Barcelona
- 44 ações com bola
- 17 passes certos de 24 tentados
- 3 passes decisivos
- 1 grande chance criada
- 2 desarmes
- 3 duelos no chão vencidos
Fonte: “SofaScore”
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Francês busca Champions League e Copa do Rei nos últimos momentos em Madri
Maior artilheiro da história do Atlético, Griezmann deu o azar de não conquistar LaLiga pelo clube, pois ainda não estava lá em 2014 e defendia o Barcelona na outra taça nacional, em 2021. Ele só venceu Liga Europa e as Supercopas da Europa e Espanha, títulos que não são à altura de sua idolatria em Madri.
O francês terá essa reta final de temporada como sua “última dança”, pois já anunciou que defenderá o Orlando City a partir do meio deste ano. A Champions é o grande objetivo, claro, com confronto marcado para o fim do mês.
Mas, antes, tem a grande decisão da Copa do Rei, neste sábado (18), contra a Real Sociedad, competição que o Atleti não conquista desde 2013. É a primeira chance para tornar a despedida de um dos grandes ídolos dessa era dos Colchoneros ainda mais especial.