Champions League

Eliminação precoce é prestação de contas do futebol ruim do Manchester United

A quarta colocação na Premier League, a apenas uma vitória de alcançar o líder Leicester, é tão enganosa quanto poderia ser para o Manchester United. É incomum ver um time tão perto da briga pelo título nacional sofrer críticas tão duras quanto os Red Devils nas últimas semanas, mas completamente compreensível porque o nível apresentado pelo time de Van Gaal dentro das quatro linhas é mais condizente com uma posição intermediária na tabela do que com a colocação atual. Se em âmbito nacional o péssimo futebol da temporada ainda não cobrou sua conta, na Champions League a prestação veio cedo. Após a derrota por 3 a 2 para o Wolfsburg, nesta terça-feira, o Manchester United acabou eliminado da competição ainda na fase de grupos.

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Antes do pontapé inicial na Alemanha, a impressão era de que, apesar da péssima temporada até aqui, uma vitória e uma classificação às oitavas de final pudessem significar um início de mudança de sorte do time na temporada. Talvez aquele resultado-chave que, como mágica, catapulta um time. Em vez disso, o que se viu foi um time repetindo seus erros e tropeçando em sua própria ineficácia.

Aos dez minutos de jogo, Martial ainda deu esperanças de que a noite poderia ser diferente das demais para os Red Devils. O ataque vinha sendo o grande problema nas últimas partidas, mas o francês, aproveitando lindo passe de Mata, conseguiu abrir cedo o placar para os ingleses. A comemoração, entretanto, não duraria tanto.

A resposta do Wolfsburg foi quase imediata.Três minutos depois do tento de Martial, Naldo completou cobrança de falta e, com um desvio preciso, empatou para os Lobos. Melhor em campo, os alemães aumentavam sua fluidez e desenvoltura ofensiva a cada tentativa de chegada ao gol de De Gea, até que a ascensão na partida culminou no golaço da virada. Uma troca de passes rápida liderada por Draxler, que rolou para Vierinha, sozinho, empurrar para a rede e fazer 2 a 1, aos 29 minutos do primeiro tempo.

Com o resultado e o empate parcial do PSV contra o CSKA, o United passou boa parte do jogo eliminado, e mesmo a pressão de uma queda precoce na competição continental não alavancou o jogo dos ingleses, que se viam mais ameaçados de levar o terceiro gol do que de chegar ao empate. Eventualmente conseguiram, com Guilavogui, contra, aos 37 do segundo tempo. Mas, de maneira como só parece ser possível para times que, de fato, vivem fase terrível, uma sucessão de eventos sepultou de vez as esperanças dos Red Devils na Champions: gol de Naldo para fazer 3 a 2 aos 39 minutos, e tentos da virada do PSV, entre os 33 e os 40 minutos da etapa complementar.

Na Premier League, a péssima fase do Manchester United foi atenuada pelos tropeços dos rivais próximos na tabela e pela consistência defensiva do time, que sofreu apenas dez gols em 15 rodadas, é o melhor no quesito e ajudou a garantir uma invencibilidade atual de sete jogos na competição (apesar dos quatro jogos sem gol no período). O número, no entanto, engana, e por todas essas últimas semanas o time tem atrasado a prestação de contas com o futebol ruim praticado.

Dono da melhor média de posse de bola da Premier League, o Manchester United é também o time que mais toca para trás na competição; o que menos tenta passes para a frente, o segundo que menos troca passes no ataque. Boa parte desses últimos jogos, não só na Premier League, como também na Champions, foi um amontoado de nada. Uma insipidez incrível diante de todas as contratações feitas desde a chegada de Van Gaal ao Old Trafford, no início da temporada 2014/15 (mais de € 340 milhões).

No primeiro momento decisivo desta temporada em que a defesa não foi ao resgate, o time sem identidade, sem estilo de jogo definido, sem contundência no ataque e carente de protagonistas ofensivos, sucumbiu. A eliminação precoce na Champions é uma cobrança tardia de um futebol fraco que não demonstrava indício algum de progresso conforme as semanas passavam. O choque da queda talvez dê uma chacoalhada em Old Trafford – seja na tão dita filosofia de Van Gaal ou seja na direção do clube, que pode começar a pensar em um substituto para o holandês. Se a inércia das semanas anteriores seguir, é difícil prever o quão desastrosa pode ser a temporada do time.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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