Champions League

Do Rovers ao Tottenham, relembre o desempenho dos ingleses fora do Top 5 na Champions

Quando se pensa em Champions League, os clubes ingleses não costumam fazer parte das associações feitas tanto assim. Pelo menos não na era em que a fase de grupos foi inserida no torneio. Desde que o formato da competição foi modificado, em 1992, e ela começou a ser conhecida como hoje a chamamos, a Inglaterra só marcou presença em oito de suas decisões. Isto é, desde que o nome Copa dos Campeões foi abandonado, os times do campeonato mais acirrado da Europa (que acompanhou a transformação do torneio continental e também se tornou uma liga) só estiveram em oito das últimas 24 finais, tendo vencido apenas quatro.

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Entretanto, não foram só as equipes que compõem o agora Top Five que estiveram nas participações desde o início do modelo liga. Foram elas, sim, que chegaram às decisões. Em 2007/08, por exemplo, a final da Champions foi entre dois times da elite inglesa: Manchester United e Chelsea. Este, por sua vez, só veio a conquistar a Europa pela primeira vez em 2011/12, enquanto os Reds foram campeões na primeira ocasião e em 1998/99. Além desses, o Liverpool esteve pertíssimo da Orelhuda duas vezes nestes últimos anos. Mas só garantiu o triunfo em 2004/05, depois de uma reviravolta que até hoje é vista como um milagre. Relembre os times fora do “eixo” que estiveram na Champions League e como foram seus respectivos desempenhos.

Blackburn Rovers

rovers

A primeira grande surpresa inglesa na mais importante competição europeia entre clubes foi o Blackburn Rovers, um dos fundadores da Football League e dos mais tradicionais clubes da Inglaterra. Foi considerada inesperada a participação dos Blues na Champions porque antes de serem campeões da Premier League de 1994/95, a equipe de Blackburn não levantava a taça do campeonato inglês desde o início do século passado. Ou seja, foi uma grande zebra pelo tempo que os Rovers não venciam o torneio nacional e até mesmo um título. Quando chegaram à Champions League de 1995/96, tiveram o azar de cair no mesmo grupo que Spartak Moscou, Legia Varsóvia e Rosenborg.

Para a infelicidade do único time inglês da chave, a eliminação veio mais cedo do que o esperado. Isso porque, comparativamente à tradição e história dos Rovers, Rosenborg e Legia Varsóvia eram meros desconhecidos. Mas a equipe polonesa foi às quartas de final, enquanto o clube de Blackburn ficou para trás. E bem para trás mesmo. Depois de quatro derrotas, um empate e apenas uma vitória, os Blues não conseguiram escapar da última colocação do grupo. E para agravar a péssima fase que se instaurava a partir daquele adeus à competição, Alan Shearer, o queridinho da torcida, foi vendido ao Newcastle.

Newcastle United

BRITAIN SOCCER CHAMPIONS LEAGU

Por falar em Newcastle, os Magpies estiveram em duas edições desde a criação da liga. Em 1997/98, após ser vice-campeão da Premier League da temporada anterior, o time de Tyne and Wear entrou na Champions na fase preliminar, já que naquela época apenas o vencedor do campeonato ia direto para a fase de grupos. Nos playoffs, derrotou o Dinamo Zagreb por 4 a 2 no placar agregado, resultado que colocou o Newcastle na fase de grupos. Lá, se viu diante do Barcelona, PSV e do Dynamo Kiev. E não foi tão bem assim, apesar de na primeira rodada, no jogo contra a equipe blaugrana (e que jogão), tenha dado a impressão que, pelo menos, o segundo lugar na chave seria garantido. Mas foram três derrotas, uma vitória e um empate após essa partida, o que culminou na eliminação precoce.

Em 2002/03, lá estava o Newcastle de volta à Champions League. Dessa vez, conseguiu ir um pouquinho mais longe do que em 1998. O primeiro desafio era derrubar os bósnios do Zeljeznicar nas preliminares da competição, o qual os Magpies tiraram de letra, já que venceram os jogos de ida e volta tranquilamente. Na primeira fase de grupos, o Newcastle foi sorteado para estar no grupo E junto ao Dynamo Kiev (mais uma vez), Juventus e Feyenoord. Com três derrotas e três vitórias, os ingleses avançaram à segunda fase de grupos, na qual caíram no grupo A. Tanto no sorteio, quanto na eliminação, uma vez que os comandados de Bobby Robson não conseguiram ser melhores do que Barcelona, Internazionale e Bayer Leverkusen.

Leeds United

RADABE BASEGGIO BATTY

Dentre os times fora do Top Five que estiveram na Champions League, o Leeds, outro tradicionalíssimo da Inglaterra, foi o que voou mais alto. Depois de terminar a Premier League de 1999/00 na terceira posição, a equipe de Yorkshire enfrentou o Munchen 1860 nos playoffs da liga europeia do ano seguinte. Em casa, garantiu um placar de 2 a 1. Na Alemanha, também venceu por um gol de diferença e foi à fase em que a competição de fato começa. O grupo não era fácil e parecia que não ia dar para os Peacocks. Na chave, estavam apenas os fortes Milan e Barcelona. Além deles, o Besiktas. Mas o nome pesado e os títulos dos oponentes pouco importou, já que o Leeds se recuperou da goleada aplicada pelo Barcelona na primeira rodada e não perdeu mais até a segunda fase de grupos.

Na etapa seguinte, lá estavam a Lazio, o Anderlecht e o multicampeão Real Madrid. E, mais uma vez, os Whites foram valentes, terminando a segunda fase de grupos em segundo lugar, três pontos atrás dos merengues. Quando chegaram nas quartas de final, o caminho para os ingleses ficou um pouco mais sinuoso. O adversário era o Deportivo La Coruña, time que até 2000, era desconhecido na própria Espanha, mas que deu muito trabalho no jogo da volta. Em casa, o Leeds abriu três gols de vantagem na jornada rumo à semifinal da Champions. Porém, fora, os Herculinos pressionaram e fizeram 2 a 0. No agregado, ficou 3 a 2 para o Leeds, que milagrosamente chegou à última fase do torneio, mas não passou dela, uma vez que esbarraram no também espanhol Valencia (0 a 0 em casa e 3 a 0 na volta).

Everton

FERGUSON JOSICO GONZALO

O Everton, que é um dos maiores campeões ingleses (nove vezes – mais do que Manchester City e até o Chelsea), e só não está na elite do futebol no país porque não sabe o que é um título há mais de duas décadas, é outro time fora do Top Five que esteve presente na era Champions League. Na temporada 2004/05, os Toffees ficaram em quarto lugar na tabela da Premier League, o que assegurou à equipe de Liverpool uma vaga na fase preliminar da competição continental de 2005/06. Contudo, o Everton só entrou no torneio para passar vergonha. No primeiro jogo válido pelos playoffs, em pleno Goodison Park, o time azul de Merseyside foi derrotado pelo Villarreal de Diego Forlán, Juan Pablo Sorín e Juan Riquelme por 2 a 1. Aliás, este foi o placar tanto em casa, quanto no Madrigal.

O segundo jogo foi marcado por uma polêmica gigantesca envolvendo a arbitragem que é lembrada até hoje como uma das decisões mais equivocadas que juízes já tiveram. Quando a partida estava empatada em 1 a 1 e o Everton pressionava, mesmo com a pressão da torcida adversária, para marcar mais um gol e levar a decisão para a prorrogação. E conseguiu. Duncan Ferguson foi o autor do gol da virada, anotado de cabeça. Quer dizer, teria sido o gol da virada se o árbitro não tivesse o anulado, alegando que Marcus Bent, atacante do time inglês, havia cometido uma falta antes da bola ir parar no fundo da rede do Submarino Amarelo. Minutos depois, os anfitriões fizeram 2 a 1 e avançaram na Champions.

Tottenham Hotspur

Emmanuel Adebayor, Michael Dawson

Quem volta à Champions League agora, após seis anos sem visitar outros países europeus pela competição, são os londrinos do Tottenham. Na temporada que se encerrou em 2010, os Spurs ficaram a 16 pontos do campeão Chelsea na tabela da Premier League. Isto é, na quarta colocação. Chegando na UCL, o Tottenham não teve muita dificuldade para subir o primeiro degrau para chegar perto da Orelhuda. Venceu o Young Boys nos playoffs por um placar de 6 a 3 no agregado, o qual encaminhou o time inglês para a fase de grupos. No sorteio, os Spurs conheceram os oponentes que componhariam a chave junto com eles. E lá estava a então atual campeã da Champions, a Internazionale. Apesar disso, a equipe de Harry Redknapp foi afoito e ficou em primeiro lugar no grupo A, a um ponto dos nerazzurri. Porém, o sonho de conquistar a primeira Champions de sua história foi aniquilado nas quartas de final, fase em que o Tottenham foi derrotado pelo Real Madrid por 5 a 0 no agregado.

Esta temporada, junto ao estreante Leicester, o Tottenham faz sua segunda aparição na liga. A chave não é das mais difíceis, mas também não é nenhuma moleza. Levando em consideração a tropeçada história dos londrinos nas últimas rodadas da Premier League da temporada passada, é bom não subestimar e nem superestimar quem está nesta corrida pela taça. Além do Monaco, primeiro adversário dos Spurs, o grupo conta com o CSKA Moscou e o Bayer Leverkusen. Já as raposas de Leicestershire tentam escrever mais um capítulo heroico de sua história na primeira participação na Champions League. Para a história ficar ainda mais longa e interessante, o Leicester precisa sobreviver no grupo em que estão Porto, Club Brugge e Copenhage.

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Nathalia Perez

Jornalista em formação trabalhando a favor de um meio esportivo mais humano. Meus heróis sempre foram jogadores de futebol, mas hoje em dia são muito mais heroínas.

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