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Demorou para engrenar, mas Thiago se tornou essencial e já manda no meio-campo do Liverpool

O meia teve uma primeira temporada muito acidentada (como todo o Liverpool), mas está cada vez mais adaptado e confortável no time de Klopp

Thiago foi contratado logo depois de ser um dos melhores jogadores da final da Champions League para o meio-campo de um time que havia conquistado o Campeonato Inglês com quase 100 pontos. Sua principal missão era dar uma dimensão diferente a um setor que se impunha na força física. Ele tinha os recursos: passe, domínio, visão, inteligência. Tudo foi um desastre no Liverpool em seu primeiro ano, mas agora, de volta à normalidade, ele está se fazendo essencial na perseguição dos Reds aos inéditos quatro títulos na mesma temporada.

Thiago foi formado na escola da posse de bola, cria de La Masia e contratado por Pep Guardiola para dar esse toque espanhol ao Bayern de Munique. Lesões o atrapalharam muito, mas ele conseguiu ser importante mesmo após a saída do catalão, a ponto de brilhar no último título europeu dos bávaros, contra o Paris Saint-Germain, na bolha de Lisboa. O Liverpool precisou desviar da sua política de contratações para trazê-lo, aproveitando que restava apenas um ano em seu contrato. Fez isso porque queria o que Thiago oferece.

Embora tenha aprendido a cultivar a posse de bola, o time de Jürgen Klopp controla a maioria das partidas de outra maneira. Imposição física, pressão, recuperação rápida, aceleração. A intenção com Thiago era ter uma alternativa, mas o problema em sua primeira temporada é que toda a base à qual ele acrescentaria desapareceu com o excesso de lesões. Não havia zagueiros em forma, os volantes tiveram que ser recuados. Ele próprio sofreu com problemas físicos, e o Liverpool penou para simplesmente se classificar à Champions League.

Temporada nova, vida nova. Thiago foi desfalque na virada do ano, mas nesta reta final, com jogo decisivo atrás de jogo decisivo, o que ele oferece ao Liverpool está ficando muito claro. Foi titular nos mata-matas contra a Internazionale e no jogo de ida com o Benfica, assim como nas últimas cinco rodadas da Premier League e na semifinal da Copa da Inglaterra contra o Manchester City. Foi destaque em muitas dessas partidas, inclusive nesta quarta-feira contra o Villarreal, pelo jogo de ida da semifinal da Champions.

O Liverpool sabe o que fazer contra equipes que marcam alto. Sabe sair da pressão, acelerar e atacar espaço. Mas e contra blocos baixos? É aí que entra Thiago. O Villarreal raramente adiantou as suas linhas. Deu tempo para Thiago pensar, ganhar ritmo e movimentar a bola de um lado para o outro. Existem questionamentos válidos à sua eficiência, mas do ponto de vista estético, é algo especial quando ele está nesses dias: passes de primeira para lá e para cá, viradas de jogo de três dedos, domínios e dribles curtos. E, além disso, ele também foi eficiente.

A maior parte do seu impacto acontece longe dos momentos mais agudos da jogada. Ele é o cara que limpa lá atrás, atravessa a primeira ou segunda linha de marcação e deixa os companheiros nas posições corretas. Contra o Villarreal, ele fez isso, como o jogador do Liverpool que mais tocou na bola e o terceiro que mais deu passes – 103, com 96% de aproveitamento. E fez um pouco mais também.

A melhor chance do primeiro tempo saiu de seus pés. Uma bomba de fora da área que pegou curva e acertou a trave de Géronimo Rulli, quase na forquilha. O lance do primeiro gol, que pode acabar sendo o mais importante da semifinal, começou com ele pela lateral esquerda. Botou na frente e deu um passe à direita, com a parte de fora do pé, para acionar Mané, que entregou a Henderson, responsável pelo cruzamento que desviou em Estupiñán e quase foi defendido por Rulli.

Thiago está se aproximando da forma que demonstrou nos seus últimos meses pelo Bayern de Munique. E isso levou até mesmo Jürgen Klopp a dar a famosa resposta aos críticos. “As pessoas estavam questionando se ele se adapta ao nosso futebol? Graças a Deus essas pessoas não tomam decisões. É mais importante que Thiago quis vir para cá e ele sabia como jogávamos. Ele é realmente uma pessoa do futebol e pensa muito sobre futebol. Ele sabia como jogávamos e sabia que se adaptaria e nós sabíamos também”, disse, semana passada.

Embora isso tenha demorado um pouco para acontecer, por diversas circunstâncias, Thiago parece finalmente adaptado ao estilo de jogo do Liverpool e à vida na Inglaterra, e está ficando claro que isso torna os Reds uma ameaça ainda maior.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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