Champions League

Copa não ofereceu opção tão avassaladora à Bola de Ouro quanto Cristiano Ronaldo

Não houve surpresas: Cristiano Ronaldo conquistou sua terceira Bola de Ouro. Por mais que alguns fãs ainda defendessem o talento de Messi e que o peso de Manuel Neuer na conquista da Copa do Mundo o referendasse, o português manteve o seu favoritismo para ser eleito o melhor jogador do mundo. Pudera, em um ano no qual conseguiu ser ainda mais fantástico, ao anotar 61 gols em 60 partidas oficiais. E no qual finalmente ajudou o Real Madrid a erguer o seu décimo título na Champions League, em uma edição na qual, de quebra, ainda quebrou o recorde de gols em uma única edição do torneio.

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Quando Cristiano Ronaldo faturou a Liga dos Campeões, o prêmio já se encaminhava a ele. Só surgia um caminho possível para derrubá-lo: a Copa do Mundo. A importância enorme do torneio havia confirmado o melhor do mundo da Fifa de 1990, quando o prêmio foi criado, a 2006. Tanto que a vitória de Messi em 2010 acabou sendo vista por muitas pessoas como injusta – e Wesley Sneijder, que não ficou nem entre os três melhores, era o preferido de muitos após liderar a Internazionale na Champions e a Holanda até a final do Mundial.

Cristiano Ronaldo esteve longe de ser tão decisivo na Copa de 2014 quanto foi pelo Real Madrid. No entanto, nem mesmo as excelentes atuações de Robben lhe valeram a Bola de Ouro da competição – outra vez, o nome de Lionel Messi pareceu ter mais importância na escolha da Fifa. Além do mais, o holandês sequer apareceu entre os três finalistas do prêmio de melhor do ano, embora pudesse cavar uma vaguinha no lugar de Messi ou de Neuer. E o craque merengue tratou de destoar ainda mais no segundo semestre, plenamente recuperado das lesões que o atrapalharam na vinda ao Brasil.

A vitória de Cristiano Ronaldo em 2014 é bem mais compreensível que a de Messi em 2010, e plenamente justa depois de tudo o que fez na Champions. O camisa 7 não esteve bem no principal torneio do quadriênio, mas fez por merecer no resto do ano. E seu título acaba reforçando a compreensão sobre o peso da Copa. O torneio ainda tem um valor gigantesco, e grandes jogadores se confirmam na história graças a ele. Mas, para ganhar a Bola de Ouro, é preciso mais do que ser protagonista do campeão do mundo.

Neuer jogou demais no Mundial. Mas dá para contestar se ele foi mesmo o melhor jogador da Alemanha na competição – Kroos ditou o ritmo do meio-campo, Schweinsteiger jogou demais na final, Müller foi implacável no ataque e Lahm acabou sendo o termômetro do time. Por mais que represente demais para a evolução dos goleiros, Neuer não sobrou tanto quanto Oliver Kahn na Copa de 2002, por exemplo. Apesar das atuações fundamentais contra Argélia e França, não sobrou tanto em um coletivo tão forte.

VÍDEO: Pela Bola de Ouro, fãs de Cristiano Ronaldo “atacaram” a casa de Platini com 61 bolas

Mais ou menos como aconteceu com a Espanha, em 2010. Apesar do título da equipe de Vicente Del Bosque, o protagonismo difuso se espalhava entre aqueles que ditavam o ritmo do tiki-taka, como Xavi e Iniesta. Bem diferente da liderança de Matthäus em 1990 e de Cannavaro em 2006, da superação de Ronaldo em 2002 ou do poder de decisão de Romário em 1994 ou de Zidane em 1998.

A terceira Bola de Ouro de Cristiano Ronaldo o iguala a Cruyff, Platini e Van Basten. E ressalta que, para ser o melhor jogador do mundo no ano, não é preciso vencer a Copa do Mundo – e o espetáculo do camisa 7 na Champions e no Campeonato Espanhol, deixa isso bem evidente. Por outro lado, também mostra que nem sempre é preciso de um craque acima dos outros mortais para se conquistar o Mundial. Por mais que jogar bem a Copa ainda seja um passo importante para se eternizar entre os melhores da história.

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Equipe Trivela

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