A final da Champions que redefiniu os rumos de Bayern e Atlético de Madrid
Algumas partidas costumam redefinir a história. E poucas delas servem de exemplo melhor do que a final da Copa dos Campeões de 1973/74. A decisão entre Bayern de Munique e Atlético de Madrid tem papel primordial para recontar a trajetória de ambos os clubes a partir de então. Enquanto os alemães se afirmaram como uma potência continental, os espanhóis precisaram conviver com o franco declínio de quem figurava com maior frequência entre os grandes de seu país. Um jogo-chave das copas europeias que volta à tona 42 anos depois, com o primeiro reencontro oficial dos clubes, na semifinal da atual edição da Liga dos Campeões.
VEJA TAMBÉM: Estas são as semifinais da Champions League 2015/16
A final no Estádio de Heysel era a primeira em três anos que não contava com o Ajax. O Atlético de Madrid avançou em uma campanha segura, invicto e com três vitórias fora de casa, eliminando pesos pesados como Estrela Vermelha e Celtic. Do outro lado, o Bayern vinha bem mais inconstante. Só superou o Atvidaberg nos pênaltis, sofreu para passar pelo Dynamo Dresden (4×3 e 3×3), perdeu na Bulgária para o CSKA Sofia e teve um pouco mais de calma apenas na semifinal, ante do Újpest. De qualquer maneira, não dava para desconfiar muito do time que servia de base para a seleção alemã ocidental, campeã da Eurocopa dois anos antes.
As potências, porém, não conseguiram se resolver no tempo normal. Os 90 minutos iniciais arrastaram o 0 a 0 à prorrogação, quando as emoções realmente foram intensas. Craque do Atleti, Luis Aragonés venceu Sepp Maier em uma cobrança de falta e ia garantindo a taça a seis minutos do final. Só que o destino não seria nada benevolente com os colchoneros naquele dia. Conhecido como o limpa-trilhos de Beckenbauer, Hans-Georg Schwarzenbeck ganhou caminho livre para avançar a partir da defesa. E resolveu arriscar o chute de longa distância, por mais que sequer seus companheiros acreditassem em suas qualidades para isso – como admitiu o próprio Paul Breitner, que se lamentou ao ver o zagueiro preparando o arremate. Todavia, a bola defensável do alemão acabou aceita pelo goleiro Miguel Reina, com a visão encoberta, a sete segundos do fim. Sem disputa de pênaltis, a igualdade em 1 a 1 forçava o jogo-extra para dois dias depois. Empate com jeito de derrota para os espanhóis.
Então, pesou a superioridade técnica do Bayern diante do evidente cansaço do Atlético. Os bávaros engoliram seus adversários, entregues no reencontro: 4 a 0, com três gols anotados no segundo tempo. O técnico Juan Carlos Lorenzo precisou trocar duas peças importantes no ataque, Ufarte e Irureta, enquanto Udo Lattek manteve o seu 11 inicial intacto. Gerd Müller e Uli Hoeness se encarregaram do serviço, com dois gols de cada, em lances nos quais a falta de motivação dos rojiblancos se evidenciou. E, assim, a taça caiu nos braços de Beckenbauer pela primeira vez. Uma virada espetacular que certamente elevou o moral da Alemanha Ocidental rumo à conquista da Copa do Mundo, dois meses depois.
Naquele momento, um título da Champions reafirmaria a grandeza do Atleti perante Real Madrid e Barcelona. Os merengues haviam multiplicado suas conquistas a partir dos anos 1950, mas os blaugranas só tinham uma taça de La Liga a mais que os colchoneros até o início da temporada. Enquanto Cruyff recolocava os blaugranas no topo da Espanha após 14 anos, os madrilenos pararam no tempo. Aquele trauma marcou o fim de um ciclo vitorioso, que raras vezes se repetiria no Calderón. Desde então, somente com Simeone os rojiblancos conseguiram se estabelecer em nível competitivo com os dois gigantes de maneira duradoura – além dos títulos nacionais esparsos em 1976/77, o canto do cisne nos anos 1970, após renovação marcante no elenco, e em 1995/96.
Por outro lado, o Bayern de Munique subiu de patamar. Manteve-se no topo da Europa por três anos, ainda que internamente contasse com a concorrência do fortíssimo Borussia Mönchengladbach. Consagrou sua geração de ouro como uma das melhores da história, a última tricampeã europeia, em anos primordiais para se recontar a força do clube. Uma chance que o Atlético desperdiçou por conta de sete segundos.
O passado de fracasso do City
Por sua vez, o duelo entre Real Madrid e Manchester City já aconteceu em uma edição recente da Liga dos Campeões. As duas equipes se cruzaram no “grupo da morte” de 2012/13, logo após o retorno dos Citizens ao título da Premier League. E os merengues contribuíram para a queda dos ingleses logo na primeira fase, lanternas da chave que ainda contava com Borussia Dortmund e Ajax. Na primeira rodada, um jogaço no Bernabéu com cinco gols nos últimos 25 minutos. Por duas vezes o City esteve em vantagem no placar, mas Benzema e Cristiano Ronaldo buscaram a virada após os 42 do segundo tempo. Já no reencontro, o empate por 1 a 1 foi a pá de cal para a eliminação dentro do Etihad. Mais recentemente, também se enfrentaram em amistoso na Austrália, na pré-temporada de 2014/15. Diante de 100 mil espectadores em Melbourne, o Real goleou por 4 a 1.