Champions League 2026/27

A concorrência fortaleceu-se para quebrar a hegemonia do trio de elite da Champions

Por Bruno Bonsanti

Quem será campeão da Champions League? Em meio à primeira rodada fase de grupos, qualquer previsão nesse sentido é precipitada. Mas, se você quiser arriscar, Barcelona, Real Madrid e Bayern de Munique são apostas seguras. O trio de elite da Europa conquistou as últimas quatro edições do torneio e tem seis títulos em oito temporadas. A presença de pelo menos dois deles nas semifinais é quase certa: nesse período, apenas em 2008/09 isso não aconteceu. Ricos, competentes e cheios de craques, são os times que dominam a principal competição de clubes do continente.

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Os dois intrusos que conseguiram quebrar essa hegemonia recente, o Chelsea e a Internazionale, não se classificaram para a atual Champions League. Mas não são eles que ultimamente andam tentando atrapalhar os gigantes. Borussia Dortmund, Atlético de Madrid e Juventus estiveram nas últimas quatro finais da competição e, junto com os milionários Paris Saint-Germain e Manchester City, tentarão frustrar os planos dos principais candidatos ao título. E os azarões, no geral, parecem estar mais fortes do que nunca.

Manchester City
David Silva: peça chave para o City de Guardiola (Foto: AP)
David Silva: peça chave para o City de Guardiola (Foto: AP)

A Champions League é a grande ambição do Manchester City, uma maneira de se firmar de vez entre os grandes do continente. No entanto, desde que os euros começaram a pingar em profusão no Etihad Stadium, a melhor campanha foi a da temporada passada, quando chegou às semifinais. Antes disso, nunca havia sequer passado das oitavas. Para ser mais consistente na Europa, foi atrás de um especialista. Guardiola chegou entre os quatro melhores em todas as vezes que disputou a competição.

Roberto Mancini e Manuel Pellegrini são bons técnicos, mas estão longe do patamar de Guardiola. O espanhol é criativo, revolucionário e está entre os melhores técnicos do mundo em todos os aspectos. Mais do que a manutenção da base e várias contratações interessantes, a confiança do Manchester City para se colocar como sério candidato ao título europeu está depositada nas habilidades do seu treinador, que já tem dois desses em casa.

No entanto, é preciso ter cautela, pois, nas últimas três temporadas, mesmo com um maravilhoso material humano em mãos, Guardiola não conseguiu levar o Bayern de Munique sequer a uma final de Champions League e deixou a torcida bávara com esse gostinho de decepção na boca, apesar de ter realizado um bom trabalho na Alemanha. Sua última decisão foi em 2011.

O elenco do Manchester City não perdeu nenhuma peça importante e foi reforçado com jogadores pedidos pelo técnico, como Gündogan, Nolito e Claudio Bravo, e jovens com potencial de formar uma espinha dorsal para o futuro: John Stones, Leroy Sané e Gabriel Jesus, que chega apenas em janeiro. Sob nova direção, David Silva tende a melhorar seu rendimento, mas o craque do time, por enquanto, vem sendo Kevin de Bruyne, brilhante nas seis vitórias dos Citizens em seis partidas nesta temporada.

Paris Saint-Germain
Sem Ibrahimovic, Di María assumirá protagonismo? (Foto: AP)
Sem Ibrahimovic, Di María assumirá protagonismo? (Foto: AP)

É verdade: o Paris Saint-Germain perdeu seu melhor jogador. Ninguém fez tantos gols pelo clube nos últimos anos quanto Ibrahimovic, atualmente no Manchester United, e sua saída será sentida, mesmo que ele não tenha brilhado muito na Champions League. Por outro lado, o time jogava em função do seu craque e, sem ele, ganha espaço para crescer coletivamente e deixar que outras estrelas floresçam.

O escolhido para organizar tudo isso foi Unai Emery, ex-técnico do Sevilla. Assim como o Manchester City, o Paris Saint-Germain foi atrás de experiência europeia na hora de definir o seu novo técnico. Emery não tem grandes trabalhos na Champions League, mas como ignorar o que fez na Liga Europa? Simplesmente ganhou as últimas três edições do torneio. Agora, diante de um desafio mais difícil, precisa mostrar que está preparado para dar um passo à frente.

O PSG, que parou nas quartas de final nos últimos quatro anos, também. Se perdeu seu principal craque, a estratégia no mercado de transferências foi não mexer muito na equipe. Trouxe Jesé, alternativa para o ataque, e Krychowiak, jogador de confiança de Emery. Além de Ben Arfa, talentoso jogador que ganha uma chance entre os grandes depois de ótima temporada pelo Nice. Na defesa, Thiago Silva segue com moral e, desta vez, terá Marquinhos ao seu lado mais frequentemente, já que David Luiz voltou para o Chelsea.

Assim como a Juventus, o PSG enfrenta uma situação curiosa. Por sobrar no Campeonato Francês, tem mais espaço de manobra para poupar os principais jogadores e chegar fresco na Champions League. Mas a pouca quantidade de jogos realmente competitivos cobra um preço. Está pouco acostumado com a tensão e a intensidade dos grandes duelos europeus, nos quais a qualidade técnica nem sempre é o bastante.

Juventus
Allegri terá que encaixar as novas peças da Juventus (Foto: AP)
Allegri terá que encaixar as novas peças da Juventus (Foto: AP)

Atual pentacampeã italiana, nada interessa tanto à Juventus, neste momento, quanto o título da Champions League. A movimentação no mercado de transferências comprova isso. Por que mais ela se esforçaria tanto para melhorar um time que já é tão superior aos outros do país? E, sem entrar na questão dos preços, a Velha Senhora teve uma janela espetacular. O grande nome foi evidentemente Gonzalo Higuaín, mas Pjanic e Daniel Alves também a fazem subir de patamar. Benatia, Pjaca e Lemina reforçam o elenco para aguentar as duas frentes sem problemas.

A saída de Pogba é significativa, mas o clube reforçou-se muito bem para supri-la, acrescentando qualidade a outros setores, como o ataque e a lateral direita. Pjanic, com outras características, tende a compor o meio-campo com Khedira e Marchisio (quando o italiano voltar de lesão). Caso Higuaín mantenha-se no nível que apresentou no Napoli, ninguém sentirá falta de Morata. Em termos de material humano, a Juventus está mais bem servida que em tempos recentes.

Resta saber se será o suficiente para pelo menos repetir a campanha de 2014/15, quando eliminou o Real Madrid nas semifinais e encarou o Barcelona na decisão. Tudo dependerá de como Allegri encaixar as novas peças no esquema com três zagueiros. Até agora, tudo certo no Italiano, com três vitórias em três jogos. Vale notar, também, que alguns jogadores importantes estão envelhecendo. Chiellini (32), Barzagli (35) e Marchisio (30) já estão no segundo tempo da carreira. Buffon (38), então, nem se fala.

Borussia Dortmund
Tuchel tem material em mãos para reconstruir um Dortmund ainda mais forte? (Foto: AP)
Tuchel tem material em mãos para reconstruir um Dortmund ainda mais forte? (Foto: AP)

Finalista de 2012/2013, ainda sob o comando de Jürgen Klopp, o Borussia Dortmund está no começo de um novo ciclo. Thomas Tuchel está apenas no seu segundo ano de trabalho no Signal Iduna Park e já mostrou a que veio. O Dortmund foi um dos melhores times da última temporada, mesmo disputando a Liga Europa, com um ataque rápido e devastador. Foi vice-campeão alemão e retornou à Champions League. O melhor de tudo é a percepção de que ainda tem muito espaço para evoluir.

O torcedor amarelo e preto já está acostumado com o vai e vem de jogadores importantes, mas a saída de três pilares da equipe ao mesmo tempo incomoda bastante. E nos três setores: Hümmels abandonou a defesa, Gündogan deixou o meio-campo para trás e Mkhitaryan desfalcou o ataque. Impossível a equipe não sentir suas ausências.

Por outro lado, o elenco ganhou em quantidade e em promessas para o futuro, característica habitual das contratações do Dortmund. Dembélé, Rode, Raphäel Guerreiro e Emre Mor foram bons achados. Mas o presente também foi reforçado, com o retorno de Mario Götze e a chegada de Schürrle, dois jogadores da seleção alemã. A reposição foi bem feita. Resta saber quanto tempo demorará para Tuchel concretizar a reconstrução.

Caso a transição de técnicos do Bayern de Munique abra um vácuo para outro clube disputar de verdade o título da Bundesliga, o Borussia Dortmund aparece como o principal candidato. Pode se atrapalhar se tiver que lutar em duas frentes na reta final da temporada, mas é certamente muito melhor do que ser coadjuvante. E o grande objetivo na Champions League é esse: ser protagonista. Ser campeão.

Atlético de Madrid
O Atlético de Madrid não perdeu ninguém importante e ainda trouxe bons nomes, como Gameiro (Foto: AP)
O Atlético de Madrid não perdeu ninguém importante e ainda trouxe bons nomes, como Gameiro (Foto: AP)

Ninguém de fora do trio de elite chegou mais perto de ser campeão europeu nos últimos quatro anos do que o Atlético de Madrid. Chegou muito, muito perto. Ficou a um minuto do título em 2013/14 e perdeu o caneco nos pênaltis, dois anos depois. As duas vezes para o Real Madrid. É uma história dolorosa demais para os colchoneros. Vamos deixá-la para lá.

O importante é que o Atlético segue candidato a chegar longe na Champions League. E com uma novidade: não perdeu nenhum dos seus principais jogadores na janela de transferências. No português claro, Griezmann ficou. De mais relevante, apenas Vietto e Kranevitter foram para o Sevilla. Enquanto isso, a lateral direita ganhou o bom Vrsaljko, destaque da Serie A pelo Sassuolo. Os experientes Gaitán e Gameiro reforçam imediatamente o poder de fogo da equipe.

E o Atlético de Madrid precisa mesmo de mais folga nas suas vitórias, principalmente em jogos menos complicados. Tentar guardar energia para os eventuais grandes duelos contra Real, Barça e Bayern. Sua grande força está na dedicação, na intensidade e na disciplina tática, com lampejos de brilhantismo de Griezmann, Koke e outros jogadores. Ninguém aguenta correr tanto 50 ou 60 vezes por temporada.

De qualquer maneira, os colchoneros não apenas seguem muito fortes como se reforçaram, na tentativa de finalmente conquistar o título europeu que escapou tantas vezes.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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