Europa

Em crise, futebol grego está paralisado por falta de segurança aos árbitros

A pausa para os jogos de Data Fifa foi longa, e apenas neste final de semana os campeonatos nacionais europeus voltam à ação. Maioria deles, pelo menos. Na Grécia, os torneios seguem parados, mas por outro motivo. Após o ataque ao ex-árbitro e hoje vice-presidente do comitê de arbitragem do país, Christoforos Zagrafos, a Federação Grega de Futebol se recusou a designar árbitros para a rodada deste fim de semana, e as três divisões principais foram paralisadas até segunda ordem.

VEJA TAMBÉM: Real e Microsoft vão criar plataforma para revolucionar interação com torcedor

Na sexta-feira, 14, Christoforos Zografos foi atacado por dois homens enquanto saía de casa, pela manhã, e teve que ser levado ao hospital. Com efeito quase imediato, a Federação Grega de Futebol suspendeu no mesmo dia as partidas da rodada que se iniciaria neste sábado, alegando que enquanto não sentir que a segurança dos árbitros possa ser garantida não retomará as competições.

Em resposta à atitude tomada pela federação, Dimitri Agrafiotis e Stratos Sopilis, presidente e vice-presidente, nesta ordem, da liga grega pediram demissão, embora haja um entendimento de que a dupla o tenha feito por estar sob investigação por causa de um esquema de manipulação de resultados.

Desde 2011, quando foi deflagrado um esquema de manipulação de partidas que resultou no rebaixamento de duas equipes – Volos e Kavala – e na expulsão de diversos árbitros, os clubes da liga têm estado sob investigação. Há suspeitas de que o presidente do Olympiacos, Evangelos Marinakis, esteja envolvido. De acordo com o promotor do caso, “o presidente de um clube da Super Liga e seus associados próximos abordaram e tentaram usar policiais, juízes, políticos e outras figuras poderosas para seus próprios fins, como parte do planejamento e da organização de seu time”. Presidente do AEK Atenas, Dimitris Melissanidis liderou uma campanha para que o governo investigasse o mandatário do Olympiacos, segundo ele “o chefe de uma máfia ligada ao futebol”.

Já Marinakis aponta o dedo de volta para Melissanidis, sugerindo que o presidente do AEK, após ter o pedido por uma arbitragem específica para uma partida negado, tenha orquestrado o ataque ao vice-presidente do comitê de arbitragem, Christoforos Zografos.

Enquanto toda essa troca de farpas e acusações segue, a federação justificadamente não sente segurança suficiente para designar os árbitros para as partidas, até pelo histórico de incidentes similares (Zografos é o terceiro árbitro atacado na Grécia nos últimos dois anos). Os torcedores, que nada têm a ver com isso, ainda veem o futebol de seu país, que acompanham com tanto fervor, sob questionamentos reais quanto à sua credibilidade. Não sabem exatamente quando poderão voltar às arquibancadas e, quando voltarem, se podem acreditar no que veem.

Mostrar mais

Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo